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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 322

Enquanto fazia a inspeção das máquinas pela plantação, Damião olhava para a prancheta em suas mãos e percebeu que algumas já estavam chegando à data de manutenção.

— Está tudo certo, Damião? — perguntou o encarregado, ao vê-lo concentrado.

— Quase tudo — comentou ele, franzindo levemente a testa.

— Como assim, quase tudo?

— Algumas máquinas precisam ir para manutenção esta semana.

— Isso não é um problema, é só falarmos com o senhor Caetano — disse o homem, confiante.

— Mas ele está viajando — explicou Damião.

— Nossa, é verdade… acabei esquecendo disso — respondeu o encarregado, coçando a cabeça. — E agora, o que faremos?

— Podemos falar com o filho dele. O senhor Henri não viajou e, com certeza, pode resolver esse assunto para nós.

— Tem razão — assentiu o encarregado. Depois fez uma pausa, olhando para o horizonte, onde o céu começava a ganhar tons de laranja do fim da tarde. — Mas… está quase na hora da reunião com alguns funcionários, e eu não posso ir lá agora.

— Se quiser, eu posso ir — ofereceu o homem, com um leve sorriso.

— Você faria isso?

— Claro, senhor. Além disso… minha filha é secretária do senhor Henri, e eu queria muito a ver no ambiente de trabalho. — Disse sorrindo, lembrando-se do orgulho que sentia em saber que a filha havia encontrado um emprego bom.

— Sei como é — o encarregado disse, apertando o ombro de Damião. — A melhor coisa do mundo é ver os nossos filhos trabalhando em algo que não seja tão pesado como o trabalho braçal.

Satisfeito com a confiança do encarregado, Damião finalizou suas anotações e entrou no veículo da empresa, seguindo em direção ao escritório da vila.

Quando chegou ao escritório, se dirigiu ao setor onde sua filha trabalhava. Queria muito vê-la sentada em frente à mesa, vestindo aquelas roupas formais, concentrada no computador. Mas assim que atravessou a porta, encontrou a cadeira vazia e a mesa organizada, sem sinal de Catarina.

Coçou a cabeça, confuso, tentando entender.

— Estranho… — murmurou para si mesmo.

Acreditando que ela poderia estar no escritório do chefe, aproximou-se devagar e bateu na porta.

— Olá? — chamou, tentando soar casual.

Não obteve resposta. Bateu um pouco mais forte, pensando que talvez ninguém tivesse ouvido. Ainda assim, silêncio absoluto.

Confuso, suspirou e saiu para procurar alguém que pudesse lhe dar alguma informação. Caminhando pelo corredor, encontrou uma funcionária na área da cantina, organizando alguns copos descartáveis sobre a mesa.

— Boa tarde — ele cumprimentou, tentando esconder a preocupação na voz.

A mulher ergueu os olhos, surpresa com a altura imponente dele.

— Boa tarde — respondeu, com um leve sorriso. — Em que posso ajudá-lo?

— Não. Nem você, nem ela apareceram por aqui — respondeu Andrea. — Confesso que isso me deixou um pouco triste… odeio comer sozinha.

— Você sabe que eu não fui porque estava no outro campo — explicou Damião. — Mas e a Catarina? Ela justificou por que não veio?

— Ela enviou uma mensagem dizendo que ficaria fazendo horas extras com o chefe, organizando a folha de pagamento de alguns funcionários.

— Entendi — disse ele, sentindo o peito apertar novamente. — Tudo bem, querida, daqui a pouco chego em casa.

— Espera! — Andrea o interrompeu. — Você me ligou só para perguntar sobre a nossa filha?

Damião hesitou por um instante, sem querer preocupar a esposa, e inventou uma desculpa.

— Não, meu amor, só queria saber se estava tudo bem com você.

— Ah, meu amor, eu amo quando você é assim tão atencioso — disse ela, toda contente. — Estou fazendo um bolo de cenoura com cobertura de chocolate que você tanto gosta.

— É bom saber disso — respondeu ele, deixando um pequeno sorriso surgir. — Agora vou ter que desligar, preciso terminar meu trabalho antes que dê a minha hora.

— Ok, até daqui a pouco — disse Andrea.

Quando desligou, Damião percebeu que as mãos tremiam de nervoso. Saiu do escritório e voltou para o veículo. Pensou em procurar a filha, mas sabia que precisava cumprir primeiro suas obrigações. Decidiu então ir até a fazenda do chefe, para tentar encontrar alguém a quem pudesse entregar a lista de manutenção das máquinas.

Ao se aproximar da grande casa, avistou de longe o veículo de Henri estacionado no jardim. Quis não pensar besteiras, mas o coração de pai já lhe dava sinais de alerta: algo estava errado.

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