Enquanto fazia a inspeção das máquinas pela plantação, Damião olhava para a prancheta em suas mãos e percebeu que algumas já estavam chegando à data de manutenção.
— Está tudo certo, Damião? — perguntou o encarregado, ao vê-lo concentrado.
— Quase tudo — comentou ele, franzindo levemente a testa.
— Como assim, quase tudo?
— Algumas máquinas precisam ir para manutenção esta semana.
— Isso não é um problema, é só falarmos com o senhor Caetano — disse o homem, confiante.
— Mas ele está viajando — explicou Damião.
— Nossa, é verdade… acabei esquecendo disso — respondeu o encarregado, coçando a cabeça. — E agora, o que faremos?
— Podemos falar com o filho dele. O senhor Henri não viajou e, com certeza, pode resolver esse assunto para nós.
— Tem razão — assentiu o encarregado. Depois fez uma pausa, olhando para o horizonte, onde o céu começava a ganhar tons de laranja do fim da tarde. — Mas… está quase na hora da reunião com alguns funcionários, e eu não posso ir lá agora.
— Se quiser, eu posso ir — ofereceu o homem, com um leve sorriso.
— Você faria isso?
— Claro, senhor. Além disso… minha filha é secretária do senhor Henri, e eu queria muito a ver no ambiente de trabalho. — Disse sorrindo, lembrando-se do orgulho que sentia em saber que a filha havia encontrado um emprego bom.
— Sei como é — o encarregado disse, apertando o ombro de Damião. — A melhor coisa do mundo é ver os nossos filhos trabalhando em algo que não seja tão pesado como o trabalho braçal.
Satisfeito com a confiança do encarregado, Damião finalizou suas anotações e entrou no veículo da empresa, seguindo em direção ao escritório da vila.
Quando chegou ao escritório, se dirigiu ao setor onde sua filha trabalhava. Queria muito vê-la sentada em frente à mesa, vestindo aquelas roupas formais, concentrada no computador. Mas assim que atravessou a porta, encontrou a cadeira vazia e a mesa organizada, sem sinal de Catarina.
Coçou a cabeça, confuso, tentando entender.
— Estranho… — murmurou para si mesmo.
Acreditando que ela poderia estar no escritório do chefe, aproximou-se devagar e bateu na porta.
— Olá? — chamou, tentando soar casual.
Não obteve resposta. Bateu um pouco mais forte, pensando que talvez ninguém tivesse ouvido. Ainda assim, silêncio absoluto.
Confuso, suspirou e saiu para procurar alguém que pudesse lhe dar alguma informação. Caminhando pelo corredor, encontrou uma funcionária na área da cantina, organizando alguns copos descartáveis sobre a mesa.
— Boa tarde — ele cumprimentou, tentando esconder a preocupação na voz.
A mulher ergueu os olhos, surpresa com a altura imponente dele.
— Boa tarde — respondeu, com um leve sorriso. — Em que posso ajudá-lo?
— Não. Nem você, nem ela apareceram por aqui — respondeu Andrea. — Confesso que isso me deixou um pouco triste… odeio comer sozinha.
— Você sabe que eu não fui porque estava no outro campo — explicou Damião. — Mas e a Catarina? Ela justificou por que não veio?
— Ela enviou uma mensagem dizendo que ficaria fazendo horas extras com o chefe, organizando a folha de pagamento de alguns funcionários.
— Entendi — disse ele, sentindo o peito apertar novamente. — Tudo bem, querida, daqui a pouco chego em casa.
— Espera! — Andrea o interrompeu. — Você me ligou só para perguntar sobre a nossa filha?
Damião hesitou por um instante, sem querer preocupar a esposa, e inventou uma desculpa.
— Não, meu amor, só queria saber se estava tudo bem com você.
— Ah, meu amor, eu amo quando você é assim tão atencioso — disse ela, toda contente. — Estou fazendo um bolo de cenoura com cobertura de chocolate que você tanto gosta.
— É bom saber disso — respondeu ele, deixando um pequeno sorriso surgir. — Agora vou ter que desligar, preciso terminar meu trabalho antes que dê a minha hora.
— Ok, até daqui a pouco — disse Andrea.
Quando desligou, Damião percebeu que as mãos tremiam de nervoso. Saiu do escritório e voltou para o veículo. Pensou em procurar a filha, mas sabia que precisava cumprir primeiro suas obrigações. Decidiu então ir até a fazenda do chefe, para tentar encontrar alguém a quem pudesse entregar a lista de manutenção das máquinas.
Ao se aproximar da grande casa, avistou de longe o veículo de Henri estacionado no jardim. Quis não pensar besteiras, mas o coração de pai já lhe dava sinais de alerta: algo estava errado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...