Entrar Via

Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 326

Assim que viu o veículo do patrão da filha estacionado na casa, Damião freou bruscamente, ainda a certa distância. Seu coração começou a disparar, sinalizando que algo estranho poderia estar acontecendo. O instinto de pai protetor falou mais alto: ele desligou o carro e desceu, decidido a investigar sem fazer barulho.

Seja lá o que estivesse acontecendo ali dentro, ele chegaria silenciosamente. Cada passo apressado pelo caminho era acompanhado de uma mistura de preocupação e esperança de que suas suspeitas fossem apenas fruto da imaginação de um pai zeloso, preocupado com sua única filha.

Ele passou pelo portão, tentando se lembrar de que Henri sempre parecia um homem respeitador, como havia visto na própria casa e confirmado pela filha.

Ao se aproximar da entrada, procurou ser discreto e espiou pelas janelas de vidro. Mas, para seu alívio e inquietação ao mesmo tempo, não viu ninguém.

Coçando a cabeça, ficou confuso, sem saber o que fazer. Aproximou-se da porta e fez menção de bater, mas, de repente, uma voz sussurrou em seu ouvido:

— Dê a volta na casa.

Ele olhou para os lados, arrepiado, procurando pelo dono da voz, mas não havia ninguém ali. Um frio percorreu sua espinha e instintivamente fez o sinal da cruz, tentando se proteger do que quer que fosse aquilo.

Ainda assim, decidiu seguir o que a voz havia sugerido. Rodando silenciosamente pela casa, observava de janela em janela, sem avistar ninguém. Ao chegar nos fundos, percebeu um grande galpão que servia como estábulo. Embora o local fosse bem cuidado e bonito, Damião sabia que estava se comportando como um intruso.

Decidiu, então, retornar, mas a lembrança da voz voltou mais intensa. Havia percebido que havia contornado a casa por um lado, então resolveu tentar pelo outro. Caminhando devagar, aproximou-se de mais uma janela e parou abruptamente ao ouvir um som abafado.

Seu coração disparou, batendo tão forte que parecia querer sair pela boca. Cada músculo do corpo se enrijeceu, e o medo misturado à curiosidade o fez prender a respiração, sem saber o que encontraria do outro lado do vidro.

Quando se aproximou para observar pela janela de onde vinha o som, Damião quase perdeu as forças das pernas, enquanto seus olhos se arregalaram como nunca antes. Do outro lado, viu Catarina deitada na cama com os cabelos espalhados pelo colchão, enquanto um fino lençol cobria parte de seu corpo, enquanto Henri, nu, estava com a cabeça enfiada no meio das pernas dela. A situação deixou seu coração disparado e uma raiva cresceu instantaneamente dentro de si.

O choque foi tão intenso que, por um instante, sentiu o chão faltar sob os pés. Tomado por uma raiva súbita, ele fechou os punhos com força e quebrou a janela do quarto. O barulho estrondoso assustou o casal, que se virou imediatamente para ver o que acontecia.

— Papai! — gritou Catarina, surpresa e assustada.

Ela não conseguia acreditar no que estava acontecendo; o susto foi tão intenso que a deixou momentaneamente em choque.

Cego pela raiva, Damião avançou pelo quarto, ignorando os cortes que os estilhaços de vidro lhe provocaram, determinado a acabar com a raça de Henri.

Sem saber como reagir àquilo, Henri se abaixou para pegar a cueca do chão, mas, ao erguê-la, percebeu que o homem de quase dois metros já estava bem próximo.

Assustado com a revelação, Oliver tremeu do outro lado da linha.

— O quê? Como assim, Damião? O que aconteceu?

— Acabei de pegar o seu filho com a minha filha na cama — disse Damião, furioso. — Ele a desrespeitou, senhor, manchou a honra dela. Não sei que meios ele usou, mas tenho certeza de que não foi de modo limpo. Pois, se ele estivesse interessado nela de verdade, devia ter falado comigo antes.

— Damião, me escuta — implorou Oliver, tentando manter a calma. — Como sabe, não estou no país, mas estou pegando um avião agora mesmo para ir até aí resolver tudo.

— A única coisa que o senhor vai precisar resolver quando chegar é decidir a cor do caixão e a hora do enterro — respondeu o homem, nervoso, respirando pesadamente.

— Pelo amor de Deus, Damião, não destrua a sua vida nem a vida do meu filho por isso! — exclamou Oliver, com o desespero evidente na voz. — Eu juro que meu filho vai assumir as consequências de seus atos, e sua filha não será envergonhada.

O desespero de Oliver se intensificou ainda mais quando ele ouviu o som do motor do carro, imaginando Damião perseguindo o filho pela propriedade, sem se preocupar com nada além de sua vingança.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda