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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 327

As mãos de Oliver começaram a tremer com tanta força que mal conseguia segurar o celular. Só de pensar que o filho estava correndo perigo de vida, e ele estava longe sem poder fazer nada, o fazia suar frio.

— Damião, pelo amor de Deus, eu te garanto que meu filho vai se responsabilizar pelo que fez com a sua filha. Dou minha palavra — disse Oliver, mesmo com o nervosismo evidente.

— Sei que o senhor é um homem de palavra, mas se tivesse visto o que eu vi, não tiraria a minha razão — respondeu Damião, cuspindo a ira em cada palavra. — Eu não posso deixar que isso fique assim.

— Mas não vai ficar — Oliver retrucou. — Eu vou consertar tudo isso, eu garanto. A única coisa que peço que faça agora é que mantenha a calma e espere por mim. Não estrague a sua vida fazendo algo de que se arrependerá depois. Eu vou fretar um avião e estarei aí o mais rápido possível. Vamos conversar, você, sua filha e meu filho. Nada ficará sem ser resolvido — completou, tentando acalmar o nervosismo e transmitir segurança.

— Eu não sei, senhor Oliver… não sei se vou conseguir olhar para a cara do seu filho e não fazer nada. Sinto muito… sinto muito mesmo.

Após dizer isso, Damião desligou, deixando claro que não mudaria de ideia sobre o que havia decidido.

Notando o nervosismo do amigo, Saulo se aproximou com o olhar preocupado.

— O que houve, Oliver?

— O pior, Saulo… Henri se meteu em uma encrenca e agora está correndo risco de morte.

— O quê? Como assim?

— Não sei todos os detalhes, mas um dos meus funcionários está atrás dele com a intenção de matá-lo.

— Meu Deus…

— Me ajude a ligar para os seguranças, Saulo. Peça que todos os que estão na sua casa procurem por Henri e o mantenham seguro até eu chegar.

— Claro, farei isso agora mesmo.

Saulo pegou o telefone e começou as ligações, solicitando que todos os seguranças vasculhassem as redondezas da fazenda e garantissem a proteção de Henri. Enquanto isso, Oliver corria para organizar um voo direto para o Brasil.

Vendo os dois homens cochichando na sala, Aurora se aproximou, aflita, percebendo que algo grave estava acontecendo.

— Amor, o que houve?

— Preciso voltar para o Brasil imediatamente — revelou, com a expressão tensa.

— Como assim? Acabamos de chegar…

— Eu sei, mas é algo urgente.

— É sobre trabalho? — indagou, tentando se acalmar. — Você sabe que pode contar com Henri para isso.

— Não, não é sobre trabalho… é sobre o nosso filho. Damião, um dos novos funcionários da fazenda, flagrou Henri com a filha dele.

— A Catarina? — A voz dela ficou fraca, um arrepio percorreu sua espinha.

— Isso mesmo. E ele está furioso, tanto que me ligou dizendo que vai matá-lo.

Ao ouvir isso, Aurora levou a mão ao peito, sentindo uma fisgada intensa.

— Não… não pode ser…

— Estou conseguindo um voo. Preciso ir.

— Bem, se Damião não o alcançar, eu vou fazer com que ele assuma as consequências dos próprios atos. Henri não é criança, Aurora. Sempre deixei claro que ele deveria se manter longe de qualquer moça da vila. Ele foi desobediente e agora está pagando por isso.

— Não seja tão duro com ele, Oliver… ele é apenas um jovem.

— Como não ser? — rebateu, frustrado com aquela situação. — Ele não é uma criança, Aurora, é um irresponsável! Aposto que só contratou Catarina para mantê-la por perto e seduzi-la.

— Não tire suas conclusões.

— Não estou tirando conclusões, estou falando fatos! — retrucou, com o semblante sério.

— E se os dois estiverem namorando e ninguém ainda sabia disso? — questionou Aurora, tentando ponderar. — E se o pai dela apenas interpretou mal a situação, pensando que ele estava se aproveitando, enquanto, na verdade, estavam fazendo algo de comum acordo?

— O nosso filho Henri namorando? — Oliver riu nervoso, desdenhando do comentário da esposa.

— Você fala como se fosse algo impossível…

— É ele quem fala e deixa claro que isso é impossível.

— Não devemos julgá-lo antes de ouvir os dois lados — respondeu Aurora. — Precisamos saber exatamente o que aconteceu antes de tomar qualquer decisão.

— Isso eu sei — disse Oliver. — O que não sei é se, quando chegarmos lá, ainda encontraremos nosso filho vivo. Pelo tom do Damião, ele não parecia nem um pouco disposto a desistir da ideia.

Aflita, Aurora olhou pela janela do avião e fez uma súplica silenciosa:

— Meu Deus, por favor… poupe o meu filho.

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