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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 328

O sol já se punha e a escuridão começava a envolver o campo. Montado no cavalo, Henri sentia cada músculo dolorido, exposto ao frio da noite e à pele arranhada pelo contato direto com o animal, sem sela. Desesperado, percorreu a estrada que cortava o canavial, sem rumo, torcendo para encontrar alguém que pudesse ajudá-lo. Mas, para seu azar, não havia uma alma viva à vista.

Seu nariz latejava, por conta do sangue escorrendo misturado à poeira da estrada. Tudo parecia um pesadelo do qual não conseguia acordar. Ninguém poderia ajudá-lo; sua família estava longe, sem nenhuma chance de saber o que estava acontecendo.

— Meu Deus, o que faço agora? — murmurou, percorrendo os olhos pelo horizonte de canaviais e a estrada de terra à sua frente. — Como vou sair dessa?

Olhou para trás repetidas vezes, com o coração batendo acelerado, o medo pulsava em cada fibra do corpo.

De repente, ouviu o som distante de um veículo se aproximando. Um fio de esperança o fez parar o cavalo e descer, acreditando que poderia ser alguém capaz de ajudá-lo. Mas quando percebeu quem estava ao volante, seu corpo inteiro se arrepiou.

Era Damião.

Cada segundo parecia se arrastar; o cavalo relinchava, inquieto, sentindo o perigo que se aproximava. Henri recuou instintivamente, mas não havia para onde correr. O coração dele disparou, a adrenalina tomava conta de cada movimento.

Ele precisava pensar rápido. A estrada era estreita, o canavial fechado em ambos os lados. Qualquer escolha errada significaria se colocar ainda mais à mercê da fúria daquele homem gigante. Tentando manter a calma, Henri respirou fundo, enquanto o veículo se aproximava.

— Isso não pode estar acontecendo… — sussurrou, sentindo o frio da noite se misturar ao medo.

O veículo desacelerou e Damião desceu, segurando um machado na mão. Quando viu o objeto, Henri sentiu as pernas tremerem, sentindo que aquele era o último dia de sua vida.

O jovem sabia que precisava agir. Precisava de algo que o salvasse, um momento, qualquer distração que pudesse lhe dar vantagem.

— Por favor… — murmurou baixo, com a voz embargada pelo medo, enquanto a figura de Damião se aproximava cada vez mais. — Tudo o que estava acontecendo entre nós foi com o consentimento dela — disse Henri, tentando se justificar.

— Eu não quero saber se ela queria ou não! — Damião gritou, com a fúria transbordando. — Você se meteu com a pessoa errada. Minha filha é de família, não uma vagabunda qualquer!

Com essas palavras, Damião avançou com o machado em punho. Mas, de repente, o barulho de veículos se aproximando chamou sua atenção, distraindo-o por um instante. Foi nesse momento que Henri percebeu a chance perfeita para fugir.

Sabendo que não conseguiria montar novamente no cavalo, ele correu para o interior do canavial com desespero absoluto, ignorando as pedras que feriam seus pés e as folhas afiadas que cortavam sua pele. Só queria sobreviver, encontrar uma saída daquela situação insustentável.

— Volte aqui, seu moleque! — A voz furiosa de Damião ecoava atrás dele, mas Henri nem ousou olhar para trás.

— Senhor Henri! — ouviu uma voz desconhecida chamar seu nome. Não era a voz de Damião, e isso trouxe um alívio imediato. Será que alguém havia realmente chegado para salvá-lo?

Em meio ao desespero, a primeira imagem que passou pela sua mente foi a de Catarina, imaginando que talvez ela tivesse enviado alguém para livrá-lo das mãos do pai. Com o pouco de forças que ainda lhe restavam, ele respondeu, quase num sussurro:

— Aqui… — disse, sentindo o corpo fraquejar. — Bem aqui…

Alguns segundos depois, dois homens apareceram com lanternas nas mãos, iluminando o canavial ao redor. Henri piscou, tentando identificar o rosto de alguém, e então reconheceu um dos seguranças que trabalhavam na casa de Saulo.

— Senhor? — O homem se aproximou, assustado ao ver o estado em que ele se encontrava.

— Me ajude… — conseguiu balbuciar, com a respiração ofegante —… ele está atrás de mim para me matar!

Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, a visão de Henri começou a escurecer, e o corpo fraquejou totalmente. O medo, a dor e o esforço físico cobraram seu preço, e ele sentiu que estava prestes a desmaiar.

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