O sol já se punha e a escuridão começava a envolver o campo. Montado no cavalo, Henri sentia cada músculo dolorido, exposto ao frio da noite e à pele arranhada pelo contato direto com o animal, sem sela. Desesperado, percorreu a estrada que cortava o canavial, sem rumo, torcendo para encontrar alguém que pudesse ajudá-lo. Mas, para seu azar, não havia uma alma viva à vista.
Seu nariz latejava, por conta do sangue escorrendo misturado à poeira da estrada. Tudo parecia um pesadelo do qual não conseguia acordar. Ninguém poderia ajudá-lo; sua família estava longe, sem nenhuma chance de saber o que estava acontecendo.
— Meu Deus, o que faço agora? — murmurou, percorrendo os olhos pelo horizonte de canaviais e a estrada de terra à sua frente. — Como vou sair dessa?
Olhou para trás repetidas vezes, com o coração batendo acelerado, o medo pulsava em cada fibra do corpo.
De repente, ouviu o som distante de um veículo se aproximando. Um fio de esperança o fez parar o cavalo e descer, acreditando que poderia ser alguém capaz de ajudá-lo. Mas quando percebeu quem estava ao volante, seu corpo inteiro se arrepiou.
Era Damião.
Cada segundo parecia se arrastar; o cavalo relinchava, inquieto, sentindo o perigo que se aproximava. Henri recuou instintivamente, mas não havia para onde correr. O coração dele disparou, a adrenalina tomava conta de cada movimento.
Ele precisava pensar rápido. A estrada era estreita, o canavial fechado em ambos os lados. Qualquer escolha errada significaria se colocar ainda mais à mercê da fúria daquele homem gigante. Tentando manter a calma, Henri respirou fundo, enquanto o veículo se aproximava.
— Isso não pode estar acontecendo… — sussurrou, sentindo o frio da noite se misturar ao medo.
O veículo desacelerou e Damião desceu, segurando um machado na mão. Quando viu o objeto, Henri sentiu as pernas tremerem, sentindo que aquele era o último dia de sua vida.
O jovem sabia que precisava agir. Precisava de algo que o salvasse, um momento, qualquer distração que pudesse lhe dar vantagem.
— Por favor… — murmurou baixo, com a voz embargada pelo medo, enquanto a figura de Damião se aproximava cada vez mais. — Tudo o que estava acontecendo entre nós foi com o consentimento dela — disse Henri, tentando se justificar.
— Eu não quero saber se ela queria ou não! — Damião gritou, com a fúria transbordando. — Você se meteu com a pessoa errada. Minha filha é de família, não uma vagabunda qualquer!
Com essas palavras, Damião avançou com o machado em punho. Mas, de repente, o barulho de veículos se aproximando chamou sua atenção, distraindo-o por um instante. Foi nesse momento que Henri percebeu a chance perfeita para fugir.
Sabendo que não conseguiria montar novamente no cavalo, ele correu para o interior do canavial com desespero absoluto, ignorando as pedras que feriam seus pés e as folhas afiadas que cortavam sua pele. Só queria sobreviver, encontrar uma saída daquela situação insustentável.
— Volte aqui, seu moleque! — A voz furiosa de Damião ecoava atrás dele, mas Henri nem ousou olhar para trás.
— Senhor Henri! — ouviu uma voz desconhecida chamar seu nome. Não era a voz de Damião, e isso trouxe um alívio imediato. Será que alguém havia realmente chegado para salvá-lo?
Em meio ao desespero, a primeira imagem que passou pela sua mente foi a de Catarina, imaginando que talvez ela tivesse enviado alguém para livrá-lo das mãos do pai. Com o pouco de forças que ainda lhe restavam, ele respondeu, quase num sussurro:
— Aqui… — disse, sentindo o corpo fraquejar. — Bem aqui…
Alguns segundos depois, dois homens apareceram com lanternas nas mãos, iluminando o canavial ao redor. Henri piscou, tentando identificar o rosto de alguém, e então reconheceu um dos seguranças que trabalhavam na casa de Saulo.
— Senhor? — O homem se aproximou, assustado ao ver o estado em que ele se encontrava.
— Me ajude… — conseguiu balbuciar, com a respiração ofegante —… ele está atrás de mim para me matar!
Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, a visão de Henri começou a escurecer, e o corpo fraquejou totalmente. O medo, a dor e o esforço físico cobraram seu preço, e ele sentiu que estava prestes a desmaiar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...