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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 335

Assim que recebeu alta do hospital, Henri não teve escolha: acompanhou o pai até o veículo e juntos retornaram à fazenda. Durante o trajeto, não trocou nenhuma palavra; sua mente ainda tentava processar a dura decisão do pai, que exigia que ele se casasse com Catarina.

Não queria aquilo de forma alguma, mas imaginar um plano para escapar parecia impossível. No fundo, nutria a esperança de que a mãe pudesse interceder a seu favor.

Ao chegar em casa, Aurora o recebeu com um olhar preocupado, fixando-se no curativo do nariz do filho.

— Como você está se sentindo, meu filho? — perguntou, num tom afetivo.

— Em relação ao nariz, estou bem — respondeu, com o olhar melancólico, denunciando a angústia que ainda sentia por dentro.

Respirando fundo, tentou encontrar coragem para usar a única arma que ainda acreditava ter: a mãe.

— Mãe… — começou, hesitando — você não acha que isso é exagero? Eu… eu só fiquei com a Catarina, não era nada sério.

Aurora manteve o olhar firme, percebendo o desespero do filho, mas sem demonstrar fragilidade.

— Henri, eu sei que você não quer isso agora — respondeu ela com calma — mas seu pai tem razão. Você se envolveu de forma irresponsável, e agora precisa assumir as consequências.

— Mas, mãe… — Henri tentou insistir, aproximando-se dela — será que você não poderia falar com meu pai? Me dê um pouco de apoio? Só para ele entender que eu não tenho intenção de me casar ainda.

Aurora balançou a cabeça lentamente, firme na decisão.

— Não, Henri. Não posso interferir nisso. Seu pai quer que você aprenda a ter responsabilidade e respeito. Isso não é apenas sobre você; é sobre o compromisso com outra pessoa, com a Catarina.

Engolindo em seco, sentiu o nó na garganta. Tentou argumentar mais algumas vezes, mas cada palavra que saía parecia mais fraca diante da convicção da mãe.

— Sei que você está tentando proteger seus sentimentos, filho — continuou Aurora, suavizando um pouco o tom — mas não posso permitir que você fuja das suas responsabilidades. Não é justo com ela, nem com você.

Cabisbaixo, ele percebeu que não teria apoio algum. Olhou para a mãe, com os olhos suplicantes, mas ela se manteve firme.

— Então… — murmurou, derrotado — vocês dois estão do mesmo lado.

Aurora assentiu, quase com pena, mas mantendo o controle da situação.

— Exatamente. E se pensar com mais cuidado, você pode até tirar proveito disso, filho. A Catarina é bonita, educada, inteligente e de boa família. Tenho certeza de que vocês dois podem se dar muito bem.

Cansado de ouvir aquela palestra, Henri bufou e se afastou, dirigindo-se para o quarto. Antes de bater a porta, ouviu a voz estridente do pai.

— Não demore para se arrumar, ainda temos que nos encontrar com o Damião hoje.

— É isso mesmo que vocês querem? — perguntou.

— É o que o Damião achou certo e com o que concordo também. — Seu pai respondeu.

— E quanto à Catarina, o que ela disse sobre tudo isso?

— Não sei… não a vi, e o pai dela também não comentou nada sobre o assunto.

— Tudo bem, então… ela deve estar toda feliz por conseguir o que queria.

— Não fale assim, filho.

— Como não falar? — retrucou Henri, impaciente. — Se ela não teve coragem de dizer a verdade, é porque deve estar gostando demais desse desfecho. Pois bem… ela parece ter esquecido que pode ser a mais afetada com tudo isso.

— Do que está falando, filho? — Oliver perguntou, franzindo o cenho.

— De nada! — respondeu, visivelmente nervoso. — Agora vamos logo, porque sou eu quem está cansado de toda essa confusão.

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