Entrar Via

Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 336

Todos na casa estavam com os nervos à flor da pele e Catarina mal conseguia respirar sem sentir um peso no peito. Cada vez que recordava os sermões do pai, sentia-se menor, como se tivesse perdido o direito de ser filha amada. Até a mãe, normalmente tão acolhedora, a tratava com frieza, como se ela tivesse se tornado alguém indigno de confiança. Aquilo doía profundamente, e ela se fechava no próprio quarto, evitando palavras ou qualquer contato.

Desejava apenas que aquele pesadelo terminasse, que algo milagroso acontecesse e resolvesse tudo de uma vez. Mas o pensamento em Henri não a deixava. Desde o momento em que foram flagrados, seu coração não parava de se preocupar com ele, imaginando se estava bem, se havia se machucado muito ou se sofria por culpa do ocorrido.

Para piorar, seus pais haviam retirado seu celular, cortando toda possibilidade de entrar em contato com ele. Cada minuto sem notícias aumentava a ansiedade, e ela se sentia impotente, presa entre a culpa, a preocupação e a saudade. A sensação de não poder agir a consumia, tornando cada instante ainda mais pesado.

Abraçando os joelhos, se encolheu na cama enquanto o silêncio do quarto parecia amplificar seus pensamentos. Tentava se convencer de que tudo acabaria bem, mas a imagem de Henri em perigo, de algum modo, não a deixava em paz. O desejo de falar com ele, de saber se estava seguro, crescia a cada segundo. Ela fechou os olhos, respirou fundo, tentando acalmar o coração que batia acelerado.

A cada barulho no corredor, ela se assustava, esperando que fosse a notícia que mudaria aquele tormento. Sabia que Henri apareceria naquela casa ainda naquele dia, mas não fazia ideia de como seria a conversa ou de como tudo se desenrolaria, pois o pai não a deixava a par de nada. A vergonha a consumia; tudo o que havia acontecido pesava em seus ombros, e o fato de não ter falado com Henri depois do ocorrido só aumentava a angústia que a tomava por completo.

De repente, o som de um veículo freando em frente à sua casa a tirou do transe. Ela correu até a janela do quarto, que dava para a porta da rua, e pela fresta, viu Oliver Caetano descendo do veículo, acompanhado do filho. Quando seus olhos avistaram Henri, inchado e com curativos espalhados pelo nariz, seu coração quase sangrou.

— Meu Deus — murmurou, sem conseguir acreditar no que via.

Os homens caminharam até a porta de sua casa, e ela ouviu o barulho da porta ao se abrir, o que fez seu corpo tremer. Sabia que aquele momento havia finalmente chegado, e não havia como fugir do que estava prestes a acontecer.

Seus dedos se apertaram contra a moldura da janela enquanto tentava controlar a respiração. Henri parecia tão vulnerável ali, ferido, mas ainda assim carregando a postura firme que a fazia admirá-lo. Catarina sabia que a situação exigiria coragem; precisava manter a calma, mesmo com o coração disparado.

Em silêncio, ela se aproximou da porta do quarto e encostou o ouvido, tentando captar cada palavra que vinha da sala. A voz do pai soava firme e cheia de autoridade, enquanto a de Henri chegava mais fraca, quase robótica, como se cada frase tivesse sido ensaiada antes de ser dita.

No entanto, ela não conseguia compreender o teor da conversa, e o que mais a angustiava era saber que não podia sair dali sem a permissão do pai, pois Damião havia deixado bem claro que ela não deveria sair dali até segunda ordem.

Após longas horas de conversa, que pareceram se arrastar como uma eternidade, uma voz quebrou o silêncio.

— Filha, pode vir à sala por um instante? — chamou sua mãe, com um tom calmo.

Sem hesitar, ela abriu a porta do quarto e se deparou com o olhar impassível da mãe.

Na sala, Oliver e Henri a aguardavam.

Ao caminhar em direção a eles, seus olhos encontraram os de Henri, e naquele instante algo naquele olhar parecia diferente, era como se ele fosse outra pessoa.

— O senhor Caetano vai marcar a data no cartório — continuou o pai. — E você e o Henri irão até lá assinar os papéis. Depois disso, vocês se mudarão para uma casa na vila, propriedade do senhor Caetano, até que consigam algo mais adequado.

Enquanto contava as novidades para a filha, Damião parecia mais leve, como se um enorme peso tivesse sido tirado de suas costas.

Ele explicou mais alguns detalhes, com o auxílio de Oliver, e depois de um tempo, decidiram dar um momento de privacidade ao recém-formado casal de noivos. Catarina acompanhou Henri até a porta de casa e, ao perceber que ninguém os observava, aproximou-se dele e falou:

— Como você está se sentindo? Eu fiquei preocupada.

Percebendo poder falar mais à vontade ali, Henri virou-se para ela com o olhar frio e ríspido e respondeu:

— Pare de bancar a boazinha, eu sei muito bem que você está adorando tudo isso, ainda mais agora que sabe que vai se casar comigo.

— Henri, do que você está falando? — perguntou ela, confusa com o tom frio e cortante dele.

— Não banque a inocente comigo, Catarina — respondeu com desprezo. — No fundo, eu sei muito bem qual é a sua jogada. Sempre quis isso, não foi? Agora que conseguiu, deve estar se sentindo vitoriosa. Mas saiba de uma coisa: eu vou fazer deste casamento que você tanto deseja um verdadeiro inferno na terra.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda