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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 337

O jeito frio com que Henri pronunciou aquelas palavras deixou Catarina paralisada, era como se alguém tivesse arrancado uma parte de si. Nunca o viu assim; e vê-lo tão duro e cortante, como se ela fosse a grande culpada por todo aquele circo, só aumentava a dor que já ardia em seu peito.

— Henri… — ela começou, sentindo a voz falhar. — Eu não planejei nada. Não foi assim que aconteceu…

— Não banque a vítima agora — ele cortou, sem rodeios. — Você acha que me interessa saber se foi ou não planejado? Fui pego no meio disso, humilhado, colocado como o vilão. E o mais absurdo é acreditar que eu deveria agradecer por ser empurrado para um casamento como se fosse prêmio.

As lágrimas subiram à garganta de Catarina; sua tentativa de aproximação virou um gesto trêmulo.

— Eu não tenho culpa… — sussurrou ela, tentando alcançar algum vestígio do homem com quem convivia no trabalho. — Eu gosto de você, é verdade, mas eu jamais premeditaria uma coisa dessas.

Ele a observou por um segundo que pareceu durar uma eternidade, e a dureza no seu rosto vacilou, só um pouco, antes de a voz voltar fria como antes.

— Não consigo acreditar nessa sua inocência — disse ele, com raiva contida. — E não me venha com sentimentalismo barato. Você sabe que tudo o que aconteceu entre nós, foi de consentimento mútuo e nada nesse mundo justificaria um casamento. Não vivemos mais no século passado para eu ter que me responsabilizar por você. — A última palavra saiu áspera — eu não vou ser o mocinho nessa história.

Naquele momento, ela sentiu o mundo desabar. Tentou responder, mas as palavras enfraqueceram. Por fim, apenas recuou alguns passos, sentindo as mãos tremendo, e tentou falar, mesmo que a voz saísse por um fio.

— Eu nunca achei que as coisas iriam acontecer assim — sussurrou ela, sentindo os olhos lacrimejarem. — E muito menos que você agiria dessa forma comigo.

— Como queria que eu agisse, hein? — ele perguntou, frustrado, com a voz alterada. — Olha só a merda que aconteceu comigo! Olha para a minha cara, Catarina! Acha que estou feliz com tudo isso?

— Sei que não está, e eu também não, mas você está me culpando por algo que não é minha culpa — ela respondeu, tentando se defender.

— O flagra pode até não ter sido culpa sua, mas depois de tudo, tenho certeza de que você foi bem conivente — ele retrucou, demonstrando sua reprovação.

— Não diga coisas que você não sabe! — tentou cortar, mas ele interrompeu mesmo assim.

— O problema é que eu sei! — respondeu, quase rugindo. — Você não é a primeira a tentar me colocar numa posição dessas, mas confesso que é a que conseguiu. Graças a isso, meu pai está furioso comigo, me tratando como se eu fosse irresponsável, incapaz de lidar com meus próprios assuntos.

— Henri, eu… sinto muito — as lágrimas escorreram livremente por seu rosto. — Se eu soubesse que seria assim, jamais teria aceitado sequer trabalhar para você. Eu nunca quis te prejudicar, muito menos sabendo o quanto você é dedicado em tudo que faz, mas…

— Não tem “mas”, Catarina — ele a cortou, nervoso. — Tudo já está decidido. Nós nos casaremos em breve e moraremos na mesma casa. Mas saiba de uma coisa: se o seu pai acha que poderá controlar a minha vida ou a sua depois desse maldito casamento, ele está completamente enganado.

— Ele não fará isso — disse ela, entre lágrimas.

— É bom mesmo — rebateu, sem se importar com a rudez. — Porque, a partir de agora, tudo o que ele fizer, vou descontar em você.

— Por que está sendo tão duro comigo?

— Não há como agir de outra forma — rebateu, incisivo. — Estou sendo forçado a fazer algo que jamais imaginei, e tudo isso recai sobre você.

— Eu já disse que não tenho culpa — ela rebateu, com a voz mais firme, deixando a raiva se misturar às lágrimas. — Nunca tive a intenção de ser desleal com você, nem de atrapalhar os seus planos! Que droga, Henri… eu jamais esperaria ser tratada assim por você. Sei que corria o risco de não me levar a sério, mas o modo como está me tratando agora me machuca muito. Tenho sentimentos, sabia?

Ele abriu a boca para responder, mas seu pai se aproximou no mesmo instante.

— Aí estão vocês — disse Oliver, em um tom mais calmo.

Rapidamente, Henri se afastou, enquanto Catarina virava o rosto, tentando esconder as lágrimas que teimavam em escorrer.

— Estou indo até a casa na vila onde vocês irão morar. Se quiserem, podem vir comigo. Assim, conhecem o lugar que será a casa de vocês em breve.

Oliver observou os dois por alguns segundos, avaliando a reação deles, até que Henri finalmente respondeu:

— Claro, pai. Queremos muito conhecer a casa.

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