A facilidade com que Henri mudou de humor diante do pai deixou Catarina perplexa. Sentiu-se ainda mais ferida ao perceber algo nele que nunca havia notado antes, por estar distraída pelo encantamento que agora parecia não ser verdadeiro.
— Tenho certeza de que você vai gostar da casa, Catarina — disse Oliver, dirigindo-se à futura nora com um sorriso acolhedor.
— Tenho certeza de que sim — respondeu ela, desviando o olhar de Henri e encarando Oliver. — Mas não poderei ir com vocês agora.
— Por que não? — perguntou ele, confuso.
— Minha cabeça está doendo e quero dormir mais cedo.
— Ah, compreendo — comentou, mesmo percebendo que ela escondia algo. — Vá descansar, então. Tenho certeza de que depois Henri irá te levar lá para conhecer a casa.
— Claro, senhor.
— Não me chame de senhor — advertiu ele, sorrindo. — Em breve seremos da mesma família. — Pode me chamar de Oliver… ou de sogro se quiser — brincou. — Mas notou que ela pareceu não estar contente com a brincadeira, pois seu rosto estava sério demais.
Enquanto Oliver tentava ser caloroso e acolhedor, Catarina notou Henri revirando os olhos discretamente durante a fala do pai. Aquilo era demais para ela; sentiu-se quebrada por dentro, acreditando de algum modo que ele conseguiria colar os pedaços de seu coração, mas, ao invés disso, parecia que ele os despedaçava ainda mais.
— Eu vou entrar — disse ela, mudando de assunto. — Boa noite para vocês.
Sem esperar resposta, Catarina virou-se e entrou em casa rapidamente, passando pelos pais sem dizer uma palavra.
— Catarina? — chamou a mãe, tentando alcançá-la, mas só conseguiu quando a filha estava quase fechando a porta do quarto. — Você não ia sair com o senhor Caetano e o Henri?
— Não, eu não ia.
— Por que não? Ele disse que levaria vocês para a casa onde irão morar.
— Sim, ele disse, mas eu não tenho interesse nenhum de ir até lá.
— Por quê?
Queria explicar o que havia acontecido e dizer à família que Henri não queria nada sério com ela, mas sabia que, se dissesse, toda a confusão que parecia ter se acalmado voltaria à estaca zero.
— Não é nada, posso fazer isso depois. Minha cabeça dói, quero apenas dormir um pouco.
Enquanto arrumava a cama para deitar-se, ouviu os passos de seu pai se aproximando da porta.
— Que bom que tudo está resolvido. Realmente, não queria chegar ao extremo.
“Mais extremo do que aquilo?”, pensou, mas não disse nada. Apenas se deitou, cobrindo-se completamente.
O casal mais velho percebeu que a filha não queria conversa e decidiu que, por enquanto, era melhor deixá-la em paz.
— Boa noite, filha, amanhã a sua mãe a levará para a capital, para escolherem um vestido para você. Mesmo que o casamento seja no cartório, queremos ter uma lembrança bonita.
Sem obter resposta da filha, Damião e a esposa apenas se afastaram, fechando a porta atrás de si.
Henri observou o ambiente com atenção. Cada canto parecia carregar uma história.
— Entendo que queria me ensinar algo, mas no momento não estou interessado em aprender.
O tom frio e firme com que o filho respondeu fez Oliver perceber que ainda havia muito a lapidar nele, mas sabia que o pressionar naquele momento só traria mais dor de cabeça.
— Tudo bem, eu entendo que ainda esteja contrariado com tudo — disse, mantendo a calma —, mas tenho certeza de que quando se mudar para cá com a sua esposa, vai compreender melhor o que estou dizendo.
— Só concordei com esse casamento porque não vi outra saída, pai — retrucou Henri, cruzando os braços. — Agora que já fiz o que me impôs, deixe-me cuidar do restante da minha vida.
— Mas, filho… — Oliver tentou argumentar, mas foi interrompido.
— Já que agora esta será a minha casa, vou ficar por aqui e arrumar algumas coisas. O senhor já pode ir.
— Como assim vai ficar aqui? — Oliver estreitou os olhos, desconfiado. — Preciso mandar reorganizar os móveis, instalar eletrodomésticos novos…
— Pode deixar que cuido disso — explicou Henri, com um leve sorriso, mas com o olhar fixo no chão. — Vá para casa agora, eu fico por aqui.
— Henri… — Oliver se aproximou, examinando o filho com atenção. — O que você está aprontando?
— Nada, pai. Eu não estou aprontando nada — respondeu, desviando o olhar, cuidadosamente escondendo suas verdadeiras intenções.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...