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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 339

Mesmo desconfiado do filho, Oliver não disse nada, apenas assentiu com a cabeça.

— Tudo bem, eu vou indo então — falou, caminhando até a porta, mas antes de sair, se virou para Henri com o semblante sério. — Se quiser, pode tirar o dia de amanhã para ir escolher as alianças do seu casamento. Compre um anel bem lindo para a Catarina. Ela merece.

Henri permaneceu em silêncio, sem responder, apenas observando o pai se afastar.

Quando a porta da sala se fechou atrás dele, Henri se deixou levar por um misto de exasperação e cansaço. Olhou ao redor para os móveis ainda cobertos, os tecidos brancos dando um ar de abandono temporário à casa, e revirou os olhos, suspirando pesado.

— Não acredito que me meti nisso — murmurou, descobrindo o sofá e se jogando nele com força, como se pudesse afundar na própria frustração.

Seus olhos passearam pelo ambiente, cada detalhe despertava uma sensação contraditória: de obrigação e liberdade ao mesmo tempo. A casa era pequena, mas aconchegante, com potencial de ser um lar, e mesmo assim, não conseguia sentir prazer em estar ali. Sabia que cada canto, cada móvel que reorganizasse, seria um lembrete de que agora não havia mais volta: ele teria que lidar com as consequências de tudo que havia acontecido com Catarina.

Encostou a cabeça no encosto do sofá, fechando os olhos, tentando encontrar algum ponto de equilíbrio entre o que sentia e o que precisava fazer. O silêncio da casa era pesado, permitindo que ele respirasse fundo e se preparasse para o que vinha a seguir.

— Amanhã… alianças… — murmurou, ainda de olhos fechados, sentindo o peso da responsabilidade cair sobre os ombros.

O sofá rangeu sob seu peso quando se remexeu, e por alguns instantes ele ficou apenas encarando o teto, perdido em pensamentos, sabendo que a vida que conhecia mudaria para sempre.

[…]

A manhã já havia chegado, trazendo consigo o canto dos pássaros. Ao abrir os olhos, Henri percebeu imediatamente onde estava. A sensação de que aquilo não era um pesadelo o deixou inquieto. Levantou-se do pequeno sofá, sentindo cada músculo dolorido após ter pegado no sono ali mesmo.

— O que vou fazer hoje? — perguntou-se, ajeitando a roupa amarrotada.

O nervosismo apertava o peito. A qualquer momento, seu pai apareceria com a notícia da data do casamento, e ele sabia que não teria escolha.

— Que merda… — murmurou, antecipando o que teria que enfrentar até se livrar daquele compromisso.

Em sua mente, já elaborava um plano. Casaria com Catarina, mas não a teria como esposa de verdade. Pelo contrário, faria com que, dia após dia, ela percebesse que havia feito a escolha errada, até que implorasse pelo fim do casamento. Assim, poderia voltar à sua vida como antes, livre de confusões e compromissos que jamais quis assumir.

Após se arrumar no banheiro e ajeitar o cabelo, ele saiu da casa. Precisava encontrar alguém que o levasse até a fazenda para pegar seu carro. Assim que abriu a porta, deu de cara com Catarina, atravessando a rua, segurando uma sacola de pão — provavelmente vinda da padaria próxima.

Seus olhares se cruzaram e, por um instante, ambos paralisaram, sem saber como reagir. Mantendo a expressão neutra, Henri trancou a porta atrás de si e caminhou lentamente em direção a ela.

Tentando disfarçar a surpresa, Catarina respirou fundo, mas não conseguiu esconder totalmente o tremor em suas mãos. O silêncio entre os dois parecia pesado, carregado de todas as tensões não ditas da noite anterior. Henri, por sua vez, não tirava os olhos dela, medindo cada gesto, cada pequeno movimento, enquanto avançava alguns passos.

— Bom dia — disse ele, sem qualquer calor na voz.

— Bom dia — respondeu ela, com a ponta dos dedos apertando a alça da sacola, lutando para manter a compostura.

Por alguns segundos, Catarina se perguntou se ele realmente iria conversar ou apenas a ignoraria, deixando claro que o que disse na noite anterior não mudaria nada.

As palavras soaram como um golpe no estômago. Catarina sentiu uma lágrima ameaçar escapar, mas respirou fundo para se manter firme.

— Como eu não percebi que você era tão cruel? — ela perguntou, sentindo que seu peito estava prestes a explodir. — Você fala comigo de um modo que não considera os meus sentimentos.

Henri soltou um riso curto, sem humor.

— Sentimentos? — ele repetiu, com sarcasmo. — Por que eu deveria me importar, se ninguém está se importando com os meus?

Catarina recuou um passo, encarando-o com olhos marejados. Aquela frieza não era do homem que ela pensava conhecer.

— Eu me arrependo tanto de ter te conhecido.

— Eu penso o mesmo — ele rebateu, firme e direto. — Mas sei que, por mais que queira bancar a inocente, você está gostando do rumo que as coisas estão tomando.

— Henri, eu já disse que nunca pensei nisso! Se fiquei com você, foi porque gostava de você e achei que sentia o mesmo por mim.

Ele a encarou com os olhos frios, aproximando-se:

— Eu não vou negar que gostava do seu corpo. Mas casar? Eu nunca, em hipótese alguma, cogitei me casar com você!

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