Em toda a sua vida, Catarina já havia enfrentado situações desagradáveis e dolorosas, mas ao ouvir aquelas palavras, teve certeza de que essa era a pior de todas. O desprezo com que Henri a tratava, a frieza em cada frase, sem se importar com o que ela poderia pensar ou sentir, a deixava tão arrasada que parecia não haver mais forças dentro de si.
Percebendo que não conseguiria conter as lágrimas diante dele, simplesmente cedeu.
— Eu nunca vou me esquecer disso, Henri… nunca. — Sua voz saiu embargada, antes que soltasse a sacola de pão que trazia nas mãos. O pacote caiu ao chão, espalhando-se, mas ela já havia se virado, correndo para longe dali.
Henri a seguiu apenas com o olhar. Assim que ela já estava bem longe, passou a mão pelos cabelos, tomado por uma frustração sufocante. Sabia que estava sendo cruel, mas o peso de estar preso a algo que jamais escolhera o deixava fora de si, descontando em todos a revolta que carregava.
No fundo, odiava Catarina porque tinha a sensação de que ela poderia ter feito algo para mudar aquele destino, mas não o fez. Essa passividade deleitava sua raiva ainda mais, tornando cada gesto dela um lembrete doloroso da prisão em que se encontrava.
Ignorando tudo aquilo, Henri caminhou até a casa de Joaquim e pediu que o levasse até a fazenda. O homem, já aposentado, não hesitou em ajudar o filho do antigo patrão. Assim que chegou em casa, deparou-se com a mãe sentada no jardim, aproveitando o sol da manhã.
— Bom dia, mãe.
— Bom dia, meu filho. Como está? — perguntou ela, erguendo o rosto.
— Já tive dias muito melhores — respondeu, sem esconder a sinceridade.
— Sei que continua contrariado com o rumo das coisas… mas tenho certeza de que em breve tudo ficará melhor.
Ele suspirou, nervoso.
— Não sei ser positivo como a senhora. E, com todo respeito, não quero discutir isso agora. Tenho muito o que fazer.
— Fiquei sabendo que dormiu na casa da vila. Espero que tenha gostado de lá.
Ele riu de leve, com ironia.
— Tirando o fato de parecer mais um cárcere do que uma casa, posso dizer que é... acolhedor.
— Filho, tente ser positivo. Você estava saindo com a Catarina, parecia estar gostando. Por que não aproveita e cultiva isso?
Henri ergueu o olhar, já impaciente.
— Porque nada que é feito sob pressão presta!
Sabendo que a mãe iniciaria sua costumeira lição de moral, ele simplesmente se virou e entrou em casa. Tomou um banho rápido, trocou de roupa, fez uma refeição leve e seguiu para a garagem, decidido a pegar o carro. Mesmo que não quisesse, sabia que precisava ir até a capital para organizar os preparativos do casamento. O pai havia sido claro: era hora de providenciar as alianças e comprar alguns itens para a casa onde iria morar.
Antes de partir, decidiu passar no escritório da vila para resolver alguns papéis. Quando terminou, dirigia de volta pela rua principal quando, ao passar em frente ao ponto de ônibus, avistou Catarina e Andrea sentadas, aguardando a condução para a capital. Por instinto, pensou em seguir reto e fingir que não as havia visto. Mas, num impulso, reduziu a velocidade, parou o carro e abaixou o vidro.
— Estão indo para a capital? — perguntou num tom amigável.
No banco de trás, Andrea percebeu o clima estranho entre os dois. Notou a rigidez no corpo da filha, a frieza de Henri, mas preferiu se calar. Em sua mente, justificou aquilo de outra forma: talvez fosse apenas a vergonha de interagirem diante dela.
— Estamos indo escolher o vestido que a Catarina vai usar no casamento — disse Andrea, tentando quebrar o clima tenso que dominava o carro.
No mesmo instante, Catarina revirou os olhos discretamente, pedindo em silêncio aos céus que a mãe guardasse as palavras.
— Que interessante. Eu estou indo comprar as alianças — respondeu Henri, adotando um tom surpreendentemente amigável.
A reação dele a fez franzir o cenho. Desde quando Henri falava assim? Será que estava apenas se fazendo de bom moço diante dos outros, enquanto, quando estavam sozinhos, deixava transparecer sua crueldade?
— Nossa, que alegria! — disse Andrea, empolgada, sem notar a desconfiança que crescia no olhar da filha.
Henri aproveitou a deixa:
— Se a senhora permitir, gostaria que Catarina fosse comigo.
— Claro! — Andrea respondeu prontamente, sem titubear. — Tenho algumas coisas para resolver no centro, então vocês podem ficar à vontade.
Catarina sentiu o estômago se revirar. “Ficar à vontade?” A última coisa que ela queria era estar a sós com Henri, ainda mais em meio a sorrisos forçados e fingimentos que só a deixavam mais confusa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...