— Mãe, se esqueceu do que combinamos? — Catarina virou o rosto para a mãe, visivelmente desconfortável.
— Sim, filha, mas a situação é diferente. Estamos falando da sua aliança de casamento.
— Eu não ligo para isso! — ela disparou, sem conseguir esconder a irritação.
— Mas o seu pai liga! — Andrea rebateu, curta e grossa, sem espaço para discussão. — Então apenas vá com o Henri. Tenho certeza de que irão ficar felizes com um momento a sós.
Naquele instante, Catarina sentiu vontade de gritar, de protestar, de implorar para não ser obrigada a viver aquilo. O nó em sua garganta parecia sufocá-la, mas, em vez de reagir, apenas voltou o rosto para a janela, encarando a paisagem que passava. Permaneceu em silêncio, sem saber o que dizer ou como agir, como se estivesse aprisionada em um papel que nunca escolheu desempenhar.
— Vou esperar que escolham o vestido e depois eu roubo a Catarina da senhora, pode ser? — ele perguntou com bom humor, enquanto estacionava o veículo próximo à loja que Andrea disse que iria.
Andrea sorriu, aprovando a atitude do futuro genro.
— Claro. — E levantou-se, já ajeitando a bolsa: — Não se preocupem comigo, eu volto de ônibus.
No banco da frente, Catarina sentiu as mãos começarem a tremer. O coração acelerou; era como se o ar tivesse afinado ao seu redor. Não sabia como sair daquela situação, nem como recusar sem provocar um escândalo. Permanecia imóvel, presa entre a obrigação e o medo.
A mãe desceu do carro e esperou que a filha fizesse o mesmo. Assim que Catarina saiu, Andrea se despediu de Henri, mas notou que a filha não disse sequer uma palavra. Já afastadas, caminhando pela calçada, Andrea interrogou:
— Por que estava tão quieta no carro?
— Eu não queria conversar — respondeu Catarina, evitando revelar a verdade.
— Mas você não trocou nem uma palavra com o Henri.
— Eu já o vi hoje pela manhã — revelou, tentando justificar. — Por isso achei que não era necessário dizer mais nada.
Andrea parou no meio da calçada e a fitou com atenção.
— Filha… está me escondendo alguma coisa?
No instante em que os olhos da mãe se cravaram nos dela, Catarina sentiu a urgência de desabafar, de contar o que vinha acontecendo. Mas a ideia da mãe correr até Damião e transformar tudo em um escândalo a fez recuar. Sabia que, se a verdade viesse à tona, Henri acabaria ainda mais prejudicado, e por mais que sofresse com o desprezo dele, ainda havia sentimentos ali. Não queria, de forma alguma, que tudo se transformasse em uma tragédia maior do que já era.
— Não tenho nada para esconder, mãe. Só estou nervosa com todos os acontecimentos — explicou, esforçando-se para soar o mais verdadeira possível.
— Tudo bem, querida — Andrea respondeu com um tom mais suave. — Sei que está nervosa por causa do casamento repentino e de todas as mudanças que virão. Mas também sei que, com o tempo, você vai se acostumar.
Ela pousou a mão no braço da filha, como se quisesse transmitir confiança.
— Sei que tudo parece precipitado, mas é o melhor a se fazer. Ainda mais quando vocês dois já estavam seguindo pelo caminho errado.
As palavras da mãe atingiram-na como uma flecha. Ela sentiu o rosto arder, engoliu em seco e apenas abaixou os olhos, sem coragem de retrucar. Era como se não tivesse voz, como se fosse obrigada a carregar um destino que não havia escolhido.
— Vamos logo escolher esse vestido — pediu Catarina, em voz baixa.
— Tudo bem — respondeu Andrea, retomando a caminhada.
As duas entraram em uma pequena loja que, embora não fosse luxuosa, também estava longe de ser simples. O ambiente era acolhedor, com vitrines bem iluminadas e um aroma de flores que parecia se espalhar pelo ar. Assim que entraram, foram recebidas por uma atendente que, ao olhar para Catarina, deixou transparecer admiração diante da beleza da jovem.
— Bom dia, em que posso ajudá-las?
— Bom dia — respondeu Andrea, adiantando-se. — Estou à procura de um vestido branco, elegante, que combine com um casamento civil.
Ao ouvir o preço, Andrea quase perdeu o fôlego. Era mais do que poderia pagar, mas a ideia de ver a filha malvestida no grande dia a perturbava ainda mais. Catarina precisava estar esplêndida, principalmente porque se casaria com um homem de nome.
— O preço é um pouco puxado… — murmurou, forçando um sorriso amarelo. — Mas levando em conta com quem ela vai se casar, acredito que precisa estar à altura.
A curiosidade da vendedora se acendeu.
— O noivo é alguém influente?
Andrea ergueu o queixo, orgulhosa:
— Sim. Ele é um dos filhos do dono da Fazenda São Caetano.
Ao ouvir aquilo, a vendedora arregalou os olhos, surpresa e impressionada.
Notando a expressão da mulher, Andrea ergueu o queixo e continuou:
— É um dos gêmeos… chama-se Henri Caetano.
— O Henri? — Havia incredulidade estampada no rosto da vendedora.
— Sim. Por acaso a senhorita o conhece? — Andrea perguntou, curiosa.
A mulher soltou uma risadinha irônica, balançando a cabeça.
— Como não conhecer o Henri Caetano? Ele é, sem dúvida, um dos homens mais galinhas que já vi na vida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...