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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 342

Enquanto experimentava o vestido no provador, Catarina não pôde deixar de ouvir a conversa entre a mãe e a vendedora. No instante em que as palavras chegaram aos seus ouvidos, um calafrio percorreu sua pele. Como ela nunca soube de nada daquilo sobre Henri?

Tudo bem que era nova na vila, mas alguns rumores sempre se espalhavam rápido demais. Ainda assim, jamais ouvira nada de ruim sobre nenhum dos filhos de Oliver. Pelo contrário, o que se comentava era que os rapazes eram educados, respeitadores, homens de postura impecável.

Por isso, ouvir aquelas palavras sobre Henri a deixou atônita. Como podia existir um abismo tão grande entre a imagem que ele transmitia ali, na presença da família e da comunidade, e a fama que aparentemente corria pela capital?

Por conta disso, ela apurou ainda mais a atenção, prendendo a respiração enquanto terminava de se vestir.

— Como assim? — Andrea perguntou, confusa.

— Infelizmente, é o que falam dele na capital — explicou a vendedora, num tom quase conspiratório. — Dizem que ele tem uma casa no litoral… que as pessoas apelidaram de matadouro.

— Matadouro? — Andrea repetiu, intrigada.

— Sim. — A mulher assentiu, séria. — Ela recebeu esse nome porque dizem que é para lá que ele leva todas as moças com quem se envolve. Como se fossem para o abate.

As palavras ecoaram como facadas no peito de Catarina. Seu coração disparou, a respiração ficou curta. Então era assim? — pensou, sentindo o estômago revirar. — Eu fui apenas mais uma? Mais uma que ele levou para aquela casa, fazendo-me acreditar que era especial?

— Acho que as pessoas falam demais — comentou Andrea, tentando pôr fim àquela conversa incômoda.

— É claro… — a vendedora respondeu, sentindo as bochechas queimarem por perceber que havia ido longe demais. — Eu não devia ter comentado isso com a senhora, me desculpe — pediu, sincera.

— Não devia mesmo, ainda mais sabendo que a minha filha está de casamento marcado com o Henri.

— A senhora tem razão. São apenas rumores… — a mulher murmurou, constrangida. — Tenho certeza de que as pessoas aumentam muito as histórias.

Foi nesse instante que a cortina do provador se abriu. Catarina surgiu com o vestido branco, e por um momento o ambiente se encheu de silêncio admirado.

As duas mulheres a encararam, deslumbradas.

— Você ficou linda, filha! — Andrea disse, emocionada. — Parece que esse vestido foi feito para você.

— Eu sabia, desde o momento em que vi a sua filha entrar na loja, que ele ficaria perfeito nela — a vendedora acrescentou, empolgada, rezando em pensamento para que mãe e filha esquecessem o que ouviram dela minutos antes.

— Também achei que ficou bom — Catarina respondeu séria, sem se deixar contagiar pelo entusiasmo das duas. — Podemos levar esse e irmos embora logo, mãe?

— Claro, filha — Andrea concordou, querendo fugir daquele clima.

Catarina voltou para o provador e retirou o vestido com rapidez, desejando encerrar logo aquele momento. Enquanto isso, Andrea seguiu até o balcão para realizar o pagamento. Assim que terminou, a filha se aproximou com o vestido dobrado nos braços, e a vendedora, em silêncio, o embalou cuidadosamente.

— Muito obrigada pela compra, voltem sempre — disse a funcionária, esforçando-se para soar simpática.

Andrea apenas devolveu um sorriso curto, pegou a sacola e saiu da loja ao lado da filha.

Do lado de fora, avistaram o veículo de Henri estacionado em frente, onde ele aguardava encostado, mexendo no celular, alheio a tudo. Antes de caminharem até ele, Andrea segurou o braço de Catarina e a olhou nos olhos com seriedade.

— Filha, tenho certeza de que você ouviu o que a vendedora disse.

— Sim, mãe, eu ouvi.

— O que você sabe sobre isso?

Catarina abaixou o olhar.

Ele ergueu os olhos para ela, impaciente.

— O que foi agora? Por acaso está esperando que eu abra a porta para você, é isso?

Ali estava de novo: a frieza dele, crua e cruel, cortando-a por dentro, de forma quase imperceptível.

Não querendo prolongar aquela discussão, Catarina apenas abriu a porta e entrou em silêncio. Henri deu partida de imediato, arrancando com o carro sem se importar se ela havia colocado o cinto ou não.

Enquanto o observava dirigir, ela sentiu as lágrimas voltarem a ameaçar seus olhos. Como tudo aquilo havia se transformado em um pesadelo? — perguntava-se, apertando os dedos contra o colo, enquanto ele permanecia indiferente à sua presença.

— Já escolhi as alianças — disse Henri, quebrando o silêncio com a mesma frieza de sempre. — Quero que apenas experimente e pronto. Acha que pode fazer isso rápido?

Contendo a vontade de retrucar, Catarina respirou fundo.

— Se soubesse que era só para isso, teria te dado um anel meu.

Sem desviar os olhos da estrada, ele riu, um som curto e irônico.

— E ter que enfrentar essa palhaçada sozinho?

Ela não respondeu, mas o silêncio não o intimidou. Pelo contrário, ele aproveitou a pausa para cravar as palavras como facas:

— Eu não vou te dar tréguas, Catarina. Já disse. Do mesmo jeito que estou infeliz, você também vai ficar.

As palavras a feriram de forma implacável. Catarina virou o rosto para a janela, lutando para esconder a dor que já latejava em seus olhos, pronta para se derramar em lágrimas.

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