Após alguns minutos, chegaram a uma joalheria elegante, com vitrines iluminadas que refletiam o brilho de dezenas de peças luxuosas. Henri desceu do carro sem sequer olhar para trás e caminhou em direção à entrada. Catarina, já ciente de que ele não teria a cortesia de esperá-la, apressou o passo para acompanhá-lo.
Cada segundo ao lado dele parecia uma humilhação muda, e ela sentia que estava chegando ao limite de sua resistência. Ainda assim, permanecia firme. No fundo, sabia que só suportava tudo aquilo pelo próprio bem dele, pois tinha consciência de que seu pai jamais o deixaria se afastar sem assumir responsabilidades sobre ela.
Com toda a educação que sabia demonstrar em público, Henri cumprimentou o vendedor, que já estava ciente do motivo de sua visita.
— Aqui estão as alianças que o senhor escolheu — disse o homem, abrindo a pequena caixa diante deles.
Catarina se aproximou para observar. As alianças eram simples, básicas demais, evidenciando o quanto Henri não havia feito esforço algum em escolhê-las. Não havia cuidado, nem significado. Eram apenas anéis, frios como o destino que a aguardava.
Sem vontade de prolongar a cena, ela apenas pediu para experimentar, desejando encerrar logo com aquilo. Por incrível que pareça, a aliança coube perfeitamente no dedo dela, o que a fez soltar um suspiro de alívio.
— Parece que o senhor já sabia o tamanho exato — comentou o vendedor, sorridente.
— Vai por mim, foi apenas um chute qualquer — Henri respondeu, lançando um olhar rápido para Catarina. Ela sentiu as bochechas corarem de vergonha, sem saber como reagir.
Percebendo o clima pesado entre os dois, o vendedor apenas recolocou as alianças na caixa e as embalou com cuidado. Henri fez o pagamento, agradeceu com formalidade e saiu da joalheria.
Mais uma vez, Catarina o seguiu, sentindo-se como uma patinha sem rumo atrás dele. Mas, ao invés de ir em direção ao carro, ele começou a caminhar pelas ruas.
— Henri… — ela o chamou, mas não obteve resposta.
— Henri! Você não precisa mais de mim? — insistiu, num tom mais rápido.
Ele parou abruptamente e se virou. Seus olhos negros como a noite a fitaram com frieza.
— Por acaso eu te dispensei?
— Não… na verdade, você não disse nada! — respondeu, engolindo em seco.
— Escuta — ele rebateu, ríspido. — Se você tivesse ido ontem à noite, até aquela maldita casa onde vamos morar, saberia que estão faltando móveis. Então também saberia que precisamos comprar muitas coisas. Apenas fique quieta e me acompanhe.
Sem esperar resposta, voltou a se virar e seguiu caminhando, deixando Catarina com o coração apertado, obrigada a seguir o mesmo passo.
Henri entrou em uma loja de móveis e começou a escolher peça por peça, sem pedir uma única vez a opinião dela. Ela apenas o acompanhava em silêncio, como uma sombra. Depois, seguiram para uma loja de artigos para casa; dessa vez, ele sequer se deu ao trabalho de olhar os corredores. Sentou-se em uma das cadeiras de espera e disse, seco:
— Pegue tudo o que precisar.
As horas se arrastaram, e quando finalmente saíram, já era quase noite. Enquanto caminhavam em direção ao carro, Henri comentou sem emoção:
— Pois bem… faça o que quiser.
Sem olhar para trás, Henri saiu arrancando mais uma vez, deixando Catarina sozinha no meio da rua.
Ela permaneceu imóvel por alguns segundos, como se o barulho do motor ainda ecoasse em seus ouvidos. Então, com um suspiro pesado, começou a caminhar em direção ao ponto de ônibus. A noite já havia caído, e a rua mal iluminada lhe dava uma sensação de vazio ainda maior. Foi nesse momento, protegida pela escuridão, que se permitiu chorar. As lágrimas, contidas por tanto tempo, finalmente escorreram livres por seu rosto.
Ao chegar ao ponto, encontrou o lugar completamente vazio. Nenhuma alma à vista, apenas o silêncio quebrado pelo vento frio que passava. Sentou-se no banco de ferro, abraçou a própria sacola e esperou pacientemente, enquanto enxugava as lágrimas com as costas da mão, tentando recuperar a compostura.
Se perguntava se, dali em diante, aquele sentimento de tristeza passaria a ser sua rotina, ou se em algum momento Henri perceberia o mal que estava lhe causando e, quem sabe, se arrependeria.
Foi então que o som de um motor rompeu o silêncio da noite. Um veículo se aproximou devagar e parou ao lado do ponto. O vidro desceu lentamente, revelando um rosto que ela reconheceria em qualquer lugar.
Seus olhos esperançosos encontraram os de Henri atrás do volante.
Por alguns segundos, o mundo pareceu suspenso. Nenhuma palavra foi dita. Apenas o silêncio e os olhares que se cruzavam, cheios de tudo o que eles não tinham coragem de dizer. Mesmo na penumbra, Henri pôde ver os olhos dela marejados, o brilho úmido das lágrimas denunciava a sua dor.
Ela mordeu o lábio, sem entender o que significava a presença dele ali, mas o coração acelerado, de repente, lhe trouxe um fio de esperança: permitiu-se acreditar que talvez fosse o Henri de antes quem havia retornado.
— Entra no carro — ele ordenou, sem deixar espaço para questionamentos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...