Entrar Via

Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 344

Não foi preciso que Henri dissesse mais nada. Catarina apenas se levantou do banco do ponto e caminhou até o veículo, com passos vacilantes.

Assim que abriu a porta e entrou, respirou fundo, tentando recuperar algum controle sobre si mesma. Sentou-se em silêncio, esperando que ele dissesse algo, qualquer coisa boa, mesmo que no fundo soubesse que poderia estar esperando demais.

Mas Henri não disse. Apenas arrancou, cortando a noite com a mesma frieza que pairava entre os dois.

Quando estavam se aproximando da ponte que ligava a capital à fazenda, Henri finalmente quebrou o silêncio.

— Eu sei muito bem o que você estava pretendendo fazer — disse, já num tom acusatório.

As palavras a despertaram de seus pensamentos, fazendo-a virar o rosto em sua direção.

— O que quer dizer com isso? — perguntou, arqueando uma sobrancelha.

— Não se faça de boba — ele retrucou com frieza. — Sei que estava planejando voltar de ônibus só para chegar em casa bancando a coitadinha diante dos seus pais.

— Henri… — ela tentou se explicar, mas ele não lhe deu tréguas.

— Eu sei que você está louca para chamar atenção de algum jeito, esperando que isso estoure no meu colo. Mas já vou avisando: não vai conseguir.

Catarina sentiu o coração afundar, como se todas as frágeis esperanças de reconciliação que ainda guardava se despedaçassem ali mesmo.

— Você está tão enganado a meu respeito — murmurou, com a voz trêmula. — Se eu não queria vir com você, foi exatamente por isso… por esse jeito cruel de me acusar e me ofender sem razão, de coisas que eu nunca fiz.

— Você pode até não ter feito, mas foi conivente, deixando que acontecesse — Henri disparou. — Sério mesmo, Catarina… de todas as mulheres interesseiras com quem já me envolvi, você foi a pior. As outras ao menos deixavam claro quem realmente eram. Já você, com esse seu jeitinho inocente, estava segurando um punhal o tempo todo, pronta para me ferir pelas costas.

Catarina sentiu a primeira lágrima escorrer pelo rosto quando perguntou:

— É mesmo isso que acha a meu respeito?

Ele não hesitou.

— Não é o que eu acho. É o que eu vejo.

Ela então se endireitou no banco, deixando que a voz ganhasse um tom seguro, quase autoritário:

— Pare o carro.

— Mas você foi gentil, atencioso… — a voz dela começou a tremer e as palavras saíam entrecortadas pela mágoa. — Que droga, Henri… você olhou para mim de um jeito diferente. Foi esse olhar que me fez acreditar que eu significava alguma coisa para você.

Ela engoliu em seco, sentindo o coração disparar.

— Foi esse olhar que me fez esquecer dos meus medos, da minha própria vergonha. Você me fez acreditar que eu era especial… me levou para aquela casa de praia e me disse coisas que eu nunca tinha ouvido na vida… Achei que estava vivendo um momento único, sem imaginar que, para você, não passava de mais um dia no seu cotidiano promíscuo. Que eu não era nada além de mais uma naquela cama.

As lágrimas começaram a escorrer com força, mas Catarina não parou. A dor parecia lhe dar coragem.

— Se depois do que aconteceu você simplesmente tivesse me dispensado, se nunca mais tivesse me olhado nos olhos, teria sido menos doloroso do que suportar tudo isso que estou sentindo agora.

As lágrimas já escorriam pelo rosto dela, refletindo o brilho fraco da luz sobre a ponte. Henri a encarava, sentindo o peito subir e descer rápido, mas sem conseguir encontrar uma resposta imediata.

Enquanto desabafava, Catarina manteve o olhar perdido no abismo escuro da ponte. Ela sabia que lá embaixo corria um rio de correnteza forte, alimentado pelas últimas chuvas. Sem perceber, sua mente começou a lhe oferecer uma saída: se pulasse dali, toda a dor que sentia naquele instante acabaria. Resolveria não apenas os seus problemas, mas também os de Henri. Sem ela na jogada, ele não precisaria mais passar por um casamento forçado, nem sustentaria aquela farsa que os prendia.

Seus olhos ficaram ainda mais fixos no vazio, como se estivessem sendo atraídos pela escuridão. Foi então que Henri, atento à expressão dela, entendeu no mesmo instante o que estava se passando em sua cabeça.

— Catarina… o que você está querendo fazer? — perguntou, sentindo mais uma vez que as coisas estavam prestes a sair de seu controle.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda