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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 345

Quando Henri percebeu a loucura que Catarina estava prestes a cometer, deu um passo à frente para impedi-la. Mas, no mesmo instante, faróis cortaram a escuridão da estrada, chamando a atenção dos dois.

O ônibus que fazia o trajeto da capital até a vila se aproximava lentamente. Foi nesse momento que Catarina despertou de seu transe, voltando à realidade. Ela se afastou da mureta de proteção e caminhou até a beira da estrada, erguendo o braço em sinal para que o ônibus parasse.

De longe, o motorista estranhou a cena, pensando que poderia se tratar de um assalto. Mas, ao se aproximar, reconheceu o veículo do filho do patrão e reduziu a velocidade até parar.

Sem sequer olhar para Henri, Catarina se aproximou da porta. Quando o motorista a abriu, ela pediu com educação:

— Pode me levar de volta para a vila? É que ele esqueceu algo na capital e precisa voltar… — explicou, tentando soar convincente.

O homem a encarou por alguns segundos, ainda desconfiado, mas acabou apenas acenando com a cabeça. Catarina subiu os degraus, caminhou até o fundo do ônibus quase vazio e se sentou na última cadeira, deixando o corpo afundar no assento.

Respirando fundo, Henri fez um breve aceno ao motorista, permitindo que seguisse viagem. O ônibus arrancou devagar e, enquanto passava diante dele, Henri conseguiu ver Catarina pela janela, com a cabeça baixa, os ombros curvados como se carregassem o peso do mundo.

— Meu Deus… — murmurou, sentindo um suor frio escorrer pela nuca. — O que ela iria fazer?

Deu alguns passos em direção ao carro e entrou, mas não girou a chave. Permaneceu imóvel no banco do motorista, as mãos apoiadas no volante, o olhar perdido na escuridão da estrada.

O silêncio ao redor parecia sufocá-lo. Pela primeira vez em muito tempo, não havia raiva, apenas uma inquietação que o corroía por dentro. Tudo aquilo estava indo longe demais, tão além do que havia previsto, que ele já não conseguia imaginar o que poderia acontecer a seguir.

O telefone começou a tocar de repente, fazendo Henri sobressaltar no banco do motorista. Ele olhou para a tela e viu o nome do pai piscando. Hesitou por um momento, mas, por precaução, atendeu.

— Fala, pai — disse, levando o celular ao ouvido.

— Filho, boa noite. Está na vila?

— Boa noite… não, estou na estrada.

— Tudo bem. Quando chegar, venha aqui para casa, precisamos conversar.

— Seja o que for, pode falar agora — Henri respondeu depressa.

— Não quero conversar com você enquanto dirige.

— Não estou dirigindo — explicou. — O carro está parado.

— Ah, entendi… Então, onde está? — perguntou, curioso.

— Estou na ponte que leva à capital, para a vila.

Houve um silêncio do outro lado da linha. Após alguns segundos, a voz do pai veio mais baixa, coberta de preocupação:

— Filho… — Oliver hesitou. — O que está pensando em fazer?

Percebendo de imediato a suposição que passava pela mente do pai, Henri soltou uma risada curta.

— Não se preocupe, coroa. Não estou pensando em tentar contra a minha própria vida, se é isso que você está imaginando.

— Mas então… — Oliver gaguejou, inseguro. — Por que está parado aí?

— Sim. Fui hoje com a Catarina e compramos o que precisava.

— Você foi com ela? — repetiu o pai, e sua expressão deixou escapar outra ponta de surpresa.

Henri o encarou de lado, já prevendo o discurso.

— Não me olhe desse jeito, não quero ouvir palestrinhas — resmungou, caminhando até a varanda e se sentando numa cadeira de balanço. — O que o senhor tinha para me dizer?

Medindo as palavras, Oliver respirou fundo. Sabia que o filho tinha o pavio curto, e qualquer palavra mal colocada poderia gerar uma discussão. Por isso, optou pela franqueza.

— A data do seu casamento com a Catarina foi marcada.

O silêncio caiu sobre a varanda. Henri ficou imóvel por um instante, seu olhar foi em direção à escuridão da noite. Mas a tensão em seu rosto denunciava tudo: a informação o atingira como um golpe seco.

— Quando será? — perguntou, sentindo a garganta secar, como se as palavras lhe custassem a sair.

— Depois de amanhã. — O pai respondeu com um tom seguro, embora observasse de perto a reação do filho.

Prendendo a respiração por alguns segundos, Henri encarou o chão da varanda. O silêncio parecia pesar tanto quanto a notícia. Suas mãos se fecharam sobre os braços da cadeira de balanço, o rangido da cadeira denunciava a força com que segurava.

— Tão cedo assim… — murmurou, mais para si do que para o pai.

— Não há por que adiar — Oliver retrucou. — A família da Catarina já foi informada, e todos estão aguardando. É o melhor a se fazer.

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