Quando Henri percebeu a loucura que Catarina estava prestes a cometer, deu um passo à frente para impedi-la. Mas, no mesmo instante, faróis cortaram a escuridão da estrada, chamando a atenção dos dois.
O ônibus que fazia o trajeto da capital até a vila se aproximava lentamente. Foi nesse momento que Catarina despertou de seu transe, voltando à realidade. Ela se afastou da mureta de proteção e caminhou até a beira da estrada, erguendo o braço em sinal para que o ônibus parasse.
De longe, o motorista estranhou a cena, pensando que poderia se tratar de um assalto. Mas, ao se aproximar, reconheceu o veículo do filho do patrão e reduziu a velocidade até parar.
Sem sequer olhar para Henri, Catarina se aproximou da porta. Quando o motorista a abriu, ela pediu com educação:
— Pode me levar de volta para a vila? É que ele esqueceu algo na capital e precisa voltar… — explicou, tentando soar convincente.
O homem a encarou por alguns segundos, ainda desconfiado, mas acabou apenas acenando com a cabeça. Catarina subiu os degraus, caminhou até o fundo do ônibus quase vazio e se sentou na última cadeira, deixando o corpo afundar no assento.
Respirando fundo, Henri fez um breve aceno ao motorista, permitindo que seguisse viagem. O ônibus arrancou devagar e, enquanto passava diante dele, Henri conseguiu ver Catarina pela janela, com a cabeça baixa, os ombros curvados como se carregassem o peso do mundo.
— Meu Deus… — murmurou, sentindo um suor frio escorrer pela nuca. — O que ela iria fazer?
Deu alguns passos em direção ao carro e entrou, mas não girou a chave. Permaneceu imóvel no banco do motorista, as mãos apoiadas no volante, o olhar perdido na escuridão da estrada.
O silêncio ao redor parecia sufocá-lo. Pela primeira vez em muito tempo, não havia raiva, apenas uma inquietação que o corroía por dentro. Tudo aquilo estava indo longe demais, tão além do que havia previsto, que ele já não conseguia imaginar o que poderia acontecer a seguir.
O telefone começou a tocar de repente, fazendo Henri sobressaltar no banco do motorista. Ele olhou para a tela e viu o nome do pai piscando. Hesitou por um momento, mas, por precaução, atendeu.
— Fala, pai — disse, levando o celular ao ouvido.
— Filho, boa noite. Está na vila?
— Boa noite… não, estou na estrada.
— Tudo bem. Quando chegar, venha aqui para casa, precisamos conversar.
— Seja o que for, pode falar agora — Henri respondeu depressa.
— Não quero conversar com você enquanto dirige.
— Não estou dirigindo — explicou. — O carro está parado.
— Ah, entendi… Então, onde está? — perguntou, curioso.
— Estou na ponte que leva à capital, para a vila.
Houve um silêncio do outro lado da linha. Após alguns segundos, a voz do pai veio mais baixa, coberta de preocupação:
— Filho… — Oliver hesitou. — O que está pensando em fazer?
Percebendo de imediato a suposição que passava pela mente do pai, Henri soltou uma risada curta.
— Não se preocupe, coroa. Não estou pensando em tentar contra a minha própria vida, se é isso que você está imaginando.
— Mas então… — Oliver gaguejou, inseguro. — Por que está parado aí?
— Sim. Fui hoje com a Catarina e compramos o que precisava.
— Você foi com ela? — repetiu o pai, e sua expressão deixou escapar outra ponta de surpresa.
Henri o encarou de lado, já prevendo o discurso.
— Não me olhe desse jeito, não quero ouvir palestrinhas — resmungou, caminhando até a varanda e se sentando numa cadeira de balanço. — O que o senhor tinha para me dizer?
Medindo as palavras, Oliver respirou fundo. Sabia que o filho tinha o pavio curto, e qualquer palavra mal colocada poderia gerar uma discussão. Por isso, optou pela franqueza.
— A data do seu casamento com a Catarina foi marcada.
O silêncio caiu sobre a varanda. Henri ficou imóvel por um instante, seu olhar foi em direção à escuridão da noite. Mas a tensão em seu rosto denunciava tudo: a informação o atingira como um golpe seco.
— Quando será? — perguntou, sentindo a garganta secar, como se as palavras lhe custassem a sair.
— Depois de amanhã. — O pai respondeu com um tom seguro, embora observasse de perto a reação do filho.
Prendendo a respiração por alguns segundos, Henri encarou o chão da varanda. O silêncio parecia pesar tanto quanto a notícia. Suas mãos se fecharam sobre os braços da cadeira de balanço, o rangido da cadeira denunciava a força com que segurava.
— Tão cedo assim… — murmurou, mais para si do que para o pai.
— Não há por que adiar — Oliver retrucou. — A família da Catarina já foi informada, e todos estão aguardando. É o melhor a se fazer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...