Entrar Via

Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 349

Quando chegou em frente à casa da vila, Oliver estacionou o carro de qualquer jeito e desceu apressado, tomado por um pressentimento ruim que lhe gelava o sangue.

O silêncio do lugar só aumentava sua inquietação. Sem pensar duas vezes, caminhou até a porta e bateu com força, sem se importar se estava chamando a atenção dos vizinhos.

— Henri! — gritou, firme, já sentindo uma angústia. — Abra essa porta agora!

Bateu novamente, com mais força. Nenhuma resposta. Apenas o som distante do vento e o bater ameno de uma janela mal fechada. Oliver respirou fundo, sentindo o coração acelerar. A cada segundo de silêncio, o medo dentro dele crescia.

Quando já cogitava arrombar a porta, ela se abriu de repente, revelando o filho, impecável em seu terno escuro, embora os cabelos ainda úmidos denunciassem que não estava totalmente pronto.

— O que foi? — perguntou o rapaz, visivelmente irritado. — Não podia esperar mais um pouco?

Surpreso, Oliver soltou o ar que nem percebeu que estava prendendo. O alívio veio rápido, ainda que misturado à raiva e à preocupação.

— Por que demorou tanto para abrir a porta? — questionou, tentando controlar o tom.

— Eu estava tentando arrumar o cabelo no banheiro — respondeu o rapaz, passando a mão pelos fios ainda molhados.

Oliver suspirou pesado, balançando a cabeça.

— O que foi, pai? — Henri perguntou, arqueando uma sobrancelha e deixando escapar um sorriso sarcástico. — Achou que eu tinha fugido?

O tom irônico do filho cortou o ar entre eles, e Oliver o encarou em silêncio por alguns segundos, sem saber se respondia ou apenas respirava fundo para não perder a calma.

— Não me venha com suas ironias, ainda mais num dia tão importante como este — disse Oliver, tentando quebrar o clima pesado que pairava entre eles.

Vendo que o pai estava realmente nervoso, Henri respirou fundo e deu passagem na porta.

— Já estou terminando. Se quiser me vigiar, entre e fique à vontade — zombou, abrindo um leve sorriso provocador.

Em seguida, virou-se e caminhou de volta para o banheiro.

Sem responder, Oliver entrou e olhou ao redor. A casa estava impecável. Cada móvel estava em seu devido lugar, o chão brilhava e um aroma de limpeza ainda pairava no ar.

— Você quem arrumou tudo isso? — perguntou, genuinamente surpreso.

De dentro do banheiro, a voz de Henri ecoou, sem entusiasmo:

— Não. Foi a Catarina.

Oliver franziu o cenho, observando novamente o ambiente. A delicadeza dos detalhes não deixava dúvida: havia zelo, cuidado e sentimento em cada canto.

— Ela é bem caprichosa — comentou, observando os detalhes da casa.

— Sim, ela é — respondeu Henri, surgindo na porta do banheiro, já com o cabelo ajeitado.

— E como estão as coisas entre vocês? — perguntou o pai, com cautela.

— Aposto que ela também deve estar confusa, com medo do que vem pela frente. — Continuou. — Então cabe a você, como homem, tentar tranquilizá-la. Mostre que ela pode confiar em você.

Henri baixou os olhos, pensativo. O pai estava certo — e isso o incomodava mais do que gostaria de admitir.

— O senhor tem razão — confessou, após alguns segundos de silêncio. — Eu fui muito duro com a Catarina… não levei em conta os sentimentos dela, só pensei em mim mesmo. E creio que acabei machucando-a mais do que deveria. Não fui sincero com ela no início e, depois do que aconteceu, acabei exigindo demais… coisas que nem eu teria suportado se estivesse no lugar dela.

Oliver o observava em silêncio, sentindo um misto de surpresa e orgulho. Pela primeira vez, via o filho reconhecer as próprias falhas sem tentar se justificar. Feliz por vê-lo finalmente demonstrar maturidade, se aproximou.

— E você já disse isso a ela? — perguntou.

Henri balançou a cabeça.

— Não, ainda não disse.

— E o que está esperando para dizer? — insistiu o pai. — Aposto que, se pegar o telefone agora e ligar para ela, dizendo exatamente o que acabou de me dizer, vai deixá-la mais tranquila.

Henri pensou por um instante, olhando para o chão.

— Eu até pensei em fazer isso — respondeu com sinceridade. — Mas acho que certas coisas precisam ser ditas pessoalmente. Eu preciso me redimir pelo que falei… e sei que, depois do casamento, terei tempo para tentar consertar o que quebrei.

Oliver assentiu em silêncio, satisfeito com a resposta. Ainda assim, uma parte dele sabia, talvez pela experiência, que certas palavras, se deixadas para depois, poderiam chegar tarde demais.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda