Entrar Via

Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 350

Em casa, Andrea observava a filha em silêncio, com o coração apertado. Catarina estava linda, mas havia algo no olhar dela que a preocupava; uma tristeza discreta, quase imperceptível, mas que uma mãe sempre percebe.

— Você está linda, filha — disse, tentando soar animada.

— Obrigada, mãe — respondeu Catarina, forçando um sorriso enquanto recolhia a pequena bolsa sobre a cômoda.

— Então vamos logo, o ônibus não vai esperar — insistiu Andrea, pegando a bolsa dela.

Catarina olhou para o próprio reflexo uma última vez. O batom vermelho destacava seus lábios, o vestido branco caía perfeitamente e o cabelo ruivo brilhava sob a luz do quarto. Tudo estava certo por fora, mas por dentro, ela se sentia em pedaços. Respirou fundo, ergueu o queixo e sussurrou para si mesma:

— Vamos acabar logo com isso.

Em seguida, saiu do quarto, acompanhando a mãe. Seu pai já as aguardava na sala e, ao ver a filha, não pôde evitar um olhar de aprovação. Apesar disso, permaneceu em silêncio, apenas ajustando o relógio no pulso antes de dizer, com impaciência:

— Vamos logo.

Catarina trocou um breve olhar com a mãe e, sem responder, o acompanhou até a porta. Assim que saíram, caminharam juntos pela rua em direção ao ponto de ônibus, o vento da manhã bagunçando levemente o cabelo ruivo da moça. Foi então que viram um carro se aproximar e parar próximo a eles.

Oliver desceu do veículo, ajeitando o paletó e cumprimentando-os com gentileza. Seu olhar demorou um instante a mais sobre Catarina, que parecia ainda mais bonita sob a luz suave do início do dia.

— Bom dia! Já estão indo para a capital? — perguntou com um sorriso cordial.

— Bom dia, senhor Caetano. Sim, estamos indo para o ponto de ônibus — respondeu Damião, educadamente.

Surpreso, Oliver franziu o cenho. Lembrou-se de que Damião não possuía carro próprio e balançou a cabeça com leve reprovação.

— Ora, não há motivo para irem de ônibus, ainda mais num dia tão importante como este — disse, já pegando o celular no bolso. — Esperem aqui, vou pedir para o motorista vir buscá-los.

— Não precisa se incomodar — adiantou-se Catarina, um tanto constrangida.

— Isso não é incômodo algum — respondeu Oliver, em tom afável, enquanto discava o número.

Poucos minutos depois, o carro preto da família Caetano estacionou diante deles. O motorista desceu, abriu a porta com cortesia e, com um gesto respeitoso, indicou que entrassem.

— Sejam todos bem-vindos. Estamos aqui reunidos neste dia para celebrar a união de Henri Caetano e Catarina Alves, perante a lei e as testemunhas aqui presentes. O casamento civil é um compromisso de respeito, fidelidade e companheirismo. É um ato de amor e de responsabilidade mútua, onde duas vidas se unem com o propósito de construir um caminho comum.

Ela ouviu cada palavra com o coração pesado. O juiz continuou, falando sobre a importância da confiança e da paciência, sobre enfrentar juntos as alegrias e os desafios da vida.

— Diante disso — prosseguiu, voltando o olhar para o casal — pergunto ao senhor Henri Caetano, se aceita a senhorita Catarina Alves como sua legítima esposa, prometendo amá-la, respeitá-la e ser-lhe fiel, em todos os momentos da vida, até que a morte os separe?

A sala ficou em silêncio. Todos os olhares se voltaram para Henri, que permaneceu imóvel por um instante, ainda encarando Catarina, como se buscasse algo em seu rosto.

— Sim, eu aceito — respondeu ele, por fim, ainda que sem emoção.

O juiz então voltou o olhar para Catarina, que sentiu o coração disparar no peito.

— E a senhora, Catarina Alves, aceita Henri Caetano como seu legítimo esposo, prometendo amá-lo, respeitá-lo e ser-lhe fiel, em todos os momentos da vida, até que a morte os separe? — perguntou o juiz.

— Não… eu não aceito — respondeu Catarina, com a voz trêmula, porém firme o bastante para ecoar por todo o salão.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda