O silêncio que se seguiu foi evidente. Surpreso, o juiz permaneceu imóvel por alguns segundos, sem saber ao certo se havia entendido direito. O murmúrio contido das poucas pessoas presentes começou a se espalhar, enquanto todos os olhares se voltavam para ela.
Paralisado, Henri a encarava sem piscar; o choque estampado em seu rosto misturava incredulidade e raiva contida. Atrás deles, Andrea levou a mão à boca, sem conseguir esconder o espanto, enquanto Damião apertava os punhos, tentando conter a fúria que lhe subia pelo corpo.
Catarina respirou fundo, sentindo as pernas tremerem, mas manteve a cabeça erguida. Sabia que, a partir daquele instante, nada mais seria como antes.
— Senhorita Alves — o juiz retomou a palavra, visivelmente desconcertado —, não sei se a senhora está ciente de que uma brincadeira como essa pode anular o casamento.
— Não é nenhuma brincadeira — interrompeu Catarina, enérgica, mesmo que por dentro estivesse com receio daquela atitude.
O murmúrio no salão cessou de imediato. Todos agora a observavam com atenção, enquanto ela respirava fundo e, com um passo à frente, ergueu o olhar na direção de Henri.
— Eu não quero me casar com este homem — declarou, desta vez olhando-o diretamente nos olhos. — Não quero passar o resto da minha vida ao lado de alguém que não me ama e que eu sei que jamais vai me amar — declarou firme, apesar das mãos trêmulas.
— Catarina… — Henri tentou intervir, mas ela foi mais rápida, erguendo a mão em um gesto de recusa.
— Não me venha com essa cara de surpreso, como se por dentro não estivesse saltitando de alegria — disparou, encarando-o diretamente. Henri engoliu em seco, sabendo da sua parcela de culpa.
Nesse momento, Damião levantou-se do banco com um movimento brusco. A voz dele ecoou pelo salão, cheia de fúria:
— O que pensa que está fazendo, Catarina? Por acaso quer me envergonhar na frente de todos?!
— Te envergonhar? — replicou ela, sentindo uma única lágrima escorrer pelo rosto, mas sem desviar o olhar. — Desde que tudo aconteceu, o senhor nunca se sentou ao meu lado para perguntar o que eu sentia! Apenas me impôs este casamento, sem me dar direito de escolha!
Sua voz foi crescendo, enchendo o ambiente.
— É por isso que esperei até este momento, diante do juiz e da família do Henri, para dizer a todos que eu não quero este matrimônio! Que me recuso a me unir com uma pessoa que me faz sentir pequena! Eu nunca sonhei isso para minha vida, nunca!
Ao ouvir as palavras da filha, Damião ficou imóvel por um instante, como se não acreditasse no que acabara de escutar. O rosto dele empalideceu, e então a fúria subiu-lhe ao sangue. Nunca, em toda a vida, Catarina o havia desafiado daquele jeito e, muito menos, diante de tantas pessoas.
— Você acha mesmo que pode escolher o seu destino, menina? — rugiu, avançando alguns passos. — Eu sou o seu pai!
Com o coração disparado, Catarina recuou um pouco.
— Eu sei que é... — respondeu com a voz embargada. — Mas não se preocupe, eu não vou mais dar trabalho para o senhor, pois não tenho a pretensão de voltar para aquela casa.
As palavras ecoaram como uma sentença. Tomado de raiva, Damião deu mais um passo à frente, e Andrea tentou segurá-lo, em vão.
— Damião, por favor, não! — implorou, mas ele já estava fora de si.
— Agora… você está livre…
E então, o brilho se apagou.
Vendo aquela cena terrível diante de si, Aurora correu em direção ao corpo caído no asfalto, ignorando o trânsito que começava a parar. Ajoelhou-se ao lado de Catarina e, com as mãos trêmulas, tentou verificar se ainda havia pulso.
— Chamem uma ambulância, pelo amor de Deus! — gritou, pressionando o ferimento na cabeça da moça na tentativa de estancar o sangue que se espalhava rápido demais.
Pálido e em choque, Oliver pegou o celular e fez a ligação tremendo, tentando manter a calma.
— É uma emergência! Um atropelamento em frente ao cartório central! Por favor, venham rápido! — implorava, enquanto ao redor, uma pequena multidão se formava, sussurrando e apontando, chocada com a tragédia.
— Catarina, não dorme, por favor… olha para mim — pedia Aurora, com lágrimas escorrendo pelo rosto. — Vai ficar tudo bem, ouviu? A ambulância já está vindo, só fica comigo.
Mas os olhos da jovem estavam pesados, quase fechando.
O barulho distante da sirene começou a se aproximar, misturando-se aos soluços, aos gritos de Andrea e ao olhar vazio de Damião, que permanecia imóvel, como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés.
A esperança, naquele instante, pendia por um fio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...