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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 352

Na ambulância, o som das sirenes se misturava ao barulho incessante dos equipamentos. O corpo de Catarina repousava sobre a maca, pálido, o vestido rasgado e manchado de sangue. Dois paramédicos trabalhavam freneticamente, enquanto o motorista acelerava pelas avenidas em direção ao hospital mais próximo.

— Pressão caindo! — gritou um dos médicos, observando o monitor. — Está em oitenta por cinquenta!

— Segura firme, garota, fica comigo — disse o outro, ajustando a máscara de oxigênio no rosto dela. — Me dá mais soro, rápido!

O paramédico ao lado puxou uma bolsa de soro e a conectou com agilidade.

— Pulso fraco, mas ainda está batendo! — informou, tentando manter a voz estável.

— Vamos precisar de sangue assim que chegarmos — disse o médico principal, olhando para o colega. — E avisa o pronto-socorro que é uma vítima de atropelamento grave, possível traumatismo craniano e hemorragia interna.

— Certo. — O outro pegou o rádio e começou a falar. — Aqui é a unidade nove-zero-três, estamos a caminho com paciente feminina, dezoito anos, vítima de atropelamento em alta velocidade. Pulso instável, possível trauma de crânio, perda de sangue significativa. Preparam a sala de emergência, chegada em três minutos!

O médico voltou o olhar para Catarina e tentou falar com ela, mesmo sem saber se ela o escutava.

— Ei, moça, me ouve… você vai ficar bem, tá? Só precisa aguentar mais um pouco.

Por um instante, ela pareceu reagir, um leve movimento dos lábios, quase imperceptível.

— Ela está tentando falar — disse o auxiliar, atento. — Força, Catarina, estamos chegando.

O médico segurou a mão dela, enquanto observava o monitor apitar novamente.

— Vamos, garota, não desista agora — murmurou, sentindo o coração apertar.

[…]

Enquanto a ambulância cortava as ruas em alta velocidade, com a sirene ecoando entre os prédios, Oliver seguia logo atrás, dirigindo com as mãos firmes no volante. Ao lado dele, Aurora tentava conter as lágrimas, e no banco de trás, Henri permanecia imóvel, como se a alma tivesse ficado presa lá, no asfalto, junto com Catarina.

O olhar dele estava vazio, perdido, mas por dentro o peito queimava. A culpa o corroía em silêncio.

Cada palavra cruel, cada olhar frio, cada gesto impensado voltava à sua mente como uma sequência de golpes.

Sabia, com absoluta clareza, que Catarina só havia dito “não” por causa dele — por tudo o que ela suportou desde o início, por toda a dor que ele mesmo havia causado.

Engolindo em seco, mordeu o lábio com força, sentindo o gosto amargo da própria impotência.

Sem perceber, as lágrimas começaram a escorrer, silenciosas, quentes, marcando seu rosto com o peso do arrependimento.

Oliver, sem tirar os olhos da estrada, percebeu o choro do filho pelo retrovisor, mas não disse nada. Àquela altura, qualquer palavra seria inútil.

Henri encostou a testa no vidro da janela, observando a ambulância à frente.

Quase num sussurro, começou a fazer uma prece.

— Meu Deus… se ela ficar bem… eu juro que vou mudar…

— Não deixaram. Disseram que estavam levando-a direto para a sala de cirurgia.

— Ela vai ficar bem... — disse Oliver, tentando soar confiante. — Tenham fé em Deus.

O silêncio tomou conta do corredor, interrompido apenas pelo som distante das macas e dos passos apressados dos enfermeiros. Henri permaneceu de pé, encostado na parede, com as mãos entrelaçadas e o olhar fixo no chão, lutando contra o desespero que o consumia.

Alguns minutos depois, um médico de jaleco azul se aproximou, com a expressão grave.

— Familiares de Catarina Alves? — perguntou, olhando em volta.

— Aqui — respondeu Andrea imediatamente, já que Damião permanecia imóvel, o rosto pálido e o olhar vazio.

— A paciente está na sala de cirurgia neste momento, mas perdeu muito sangue — explicou o médico. — Precisamos de transfusão urgente. Infelizmente, o banco de sangue está em baixa do tipo dela.

— Qual é o tipo dela, doutor? — Oliver perguntou, sentindo que aquela resposta poderia mudar tudo.

— O negativo — respondeu o médico, consultando rapidamente a prancheta em mãos.

Henri deu um passo à frente, quase sem pensar.

— Eu posso doar! — disse, quase engolindo as palavras por conta da urgência. — É o mesmo sangue que o meu!

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