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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 354

Horas depois, uma das portas da sala de cirurgia se abriu, e um dos cirurgiões, ainda com a touca e a máscara abaixada, caminhou em direção ao grupo que aguardava na recepção. O som apressado dos passos dele fez com que todos se levantassem ao mesmo tempo. O coração de Andrea disparou, e Henri sentiu as mãos suarem. O médico parou diante deles, o semblante cansado, revelava o olhar carregado do peso de quem acabara de lutar contra o impossível.

O médico respirou fundo antes de falar, olhando para cada um deles com expressão contida.

— Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance — começou, e seu tom de voz revelava cansaço. — A cirurgia foi longa e bastante delicada. Catarina chegou com um quadro grave de hemorragia interna e traumatismo craniano, mas conseguimos estancar o sangramento e estabilizar os sinais vitais.

Andrea levou as mãos à boca, deixando um soluço escapar antes mesmo de perceber.

— Então ela vai ficar bem? — perguntou, esperançosa.

O médico baixou o olhar por um instante, antes de prosseguir.

— No momento… Catarina está em coma — revelou, pausando brevemente. — O corpo dela está reagindo, mas o cérebro sofreu um impacto considerável. Não podemos prever quando, ou se, ela vai despertar.

O silêncio caiu sobre o grupo como uma sentença. Henri sentiu o chão sumir sob seus pés. Andrea começou a chorar sem som, e Damião levou as mãos à cabeça, como se tentasse afastar a realidade.

— Esse estado pode durar dias, semanas… ou até mesmo anos — continuou o médico com cuidado. — Tudo depende da resposta do organismo dela e de como o cérebro vai reagir nas próximas horas. O importante agora é mantê-la estável e dar tempo para o corpo se recuperar.

Andrea enxugou discretamente uma lágrima, enquanto Damião se aproximava do médico.

— Podemos vê-la? — perguntou, com a voz baixa.

— Sim, mas um por vez e apenas por alguns minutos — respondeu o cirurgião. — Ela ainda está sob efeito da anestesia e cercada de equipamentos. Tentem não tocá-la, apenas falem com ela… às vezes, a voz de quem se ama pode fazer diferença.

Henri fechou os olhos e respirou fundo, sentindo o peso daquelas palavras. Era como se, pela primeira vez, compreendesse o verdadeiro significado do arrependimento.

[…]

Quando entrou na sala onde a filha estava, Damião precisou se apoiar na parede por um instante. O coração batia descompassado, e a garganta ardia com o choro que tentava conter. O som dos aparelhos monitorando os batimentos de Catarina era a única coisa que preenchia o silêncio.

— Eu trocaria tudo, minha filha… o orgulho, as palavras duras, as brigas… só para poder te ver sorrir mais uma vez. — Ele abaixou a cabeça, vencido pela dor. — Mas talvez seja tarde demais para isso, e essa é a parte que mais me destrói.

Uma lágrima solitária escorreu do canto do olho de Catarina, deslizando lentamente por sua pele pálida — um gesto quase imperceptível, mas havia significado. Damião, imerso em sua própria dor, não percebeu. Continuava falando, com a voz trêmula e sufocada, tentando encontrar redenção nas palavras que nunca teve coragem de dizer antes.

— Sei que, neste momento, eu não tenho o direito de te pedir nada, minha filha… — murmurou, com a voz quase quebrando. — Mas, mesmo assim, eu te peço… me perdoa pelo que fiz. Me perdoa por ter sido tão duro, por ter te ferido quando eu devia te proteger.

Ele engoliu em seco, enquanto as lágrimas voltavam com força.

— Melhora, Catarina. Acorda, por favor… para que eu possa te dizer tudo olhando nos teus olhos. — A voz dele vacilou, sincera e desesperada. — Eu prometo… se você acordar, eu nunca mais vou me meter na sua vida. Eu juro. Você vai poder ficar com quem quiser, sem pressão, sem medo, do jeito que sempre devia ter sido.

Ele segurou a mão dela com força, apertando-a contra o peito.

— Só volta para mim, minha filha… — sussurrou, sem imaginar que aquela lágrima silenciosa em seu rosto era o primeiro sinal de que, lá dentro, o coração de Catarina ainda lutava pela vida.

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