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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 362

Henri sentiu o mundo apertar, mas respirou fundo e respondeu com uma calma que vinha da dor, não da coragem:

— O senhor pode gritar o quanto quiser, mas eu não vou embora. Não vim aqui para brigar; vim porque me recuso a abandoná-la agora.

As palavras saíram firmes, e por trás delas havia a verdade crua que nem Damião nem ninguém poderia negar. Por um instante, o silêncio reinou, pesado, cheio de olhares. Damião ficou vermelho, a mandíbula tensa; parecia pronto a explodir.

Foi então que Andrea, percebendo que aquilo ia para um lugar perigoso, deu um passo à frente com a voz trêmula, tentando acalmar os ânimos:

— Damião, por favor… não agora. A Catarina precisa de paz. Estamos num hospital. — Em seguida, seus olhos buscaram Henri, cheios de súplica. — Por favor, já estamos com problemas demais, vá para casa.

Antes que a tensão se transformasse em algo maior, uma enfermeira que passava pelo corredor aproximou-se apressada e, com a expressão profissional, tentou acalmar os ânimos.

— Senhores, por favor, este não é o local para discussões. Se continuarem, precisaremos chamar a segurança do hospital — disse ela, séria. — Agora precisamos manter o ambiente calmo para todos os pacientes.

Damião cerrou os dentes, lançou um último olhar furioso a Henri, mas Andrea segurou seu braço, implorando silêncio. Com um suspiro pesado, ele recuou alguns passos, ainda ofendido, mas contido pela presença dos funcionários.

Henri preferiu não causar mais problemas. Limitou-se a se virar e sair daquele corredor, embora, no fundo, soubesse que não conseguiria ir embora de verdade.

Ele se sentou na recepção, mas não conseguia ficar parado por muito tempo. A cada poucos minutos, levantava-se e se aproximava do balcão, ansioso por qualquer atualização sobre o estado de saúde de Catarina.

— No momento, as atualizações continuam as mesmas. A paciente está em coma há três semanas, sem nenhuma reação — informou a enfermeira, lendo os dados no computador.

Henri franziu o cenho, impaciente.

— Mas ela reagiu agora há pouco! Vocês precisam atualizar isso!

A enfermeira o olhou com calma profissional, tentando manter o tom neutro.

— Senhor, entendo a sua preocupação, mas os laudos são atualizados apenas pelos médicos. Assim que o doutor emitir um novo parecer, ele aparecerá no sistema — explicou. — Pode levar algumas horas.

— Algumas horas… — repetiu, nervoso, passando a mão pelos cabelos.

Ele respirou fundo, tentando conter o impulso de voltar correndo para a sala da UTI. Queria ver o que estava acontecendo, acompanhar cada sinal, cada respiração de Catarina. Mas sabia que uma nova discussão poderia piorar a situação e, mais do que tudo, ele não queria causar mais nenhum transtorno que pudesse afetá-la.

Ele se sentou novamente na recepção, com as mãos entrelaçadas, e olhou fixamente para o teto. Iria esperar, não importava quanto tempo passasse, mas não sairia dali até ter novas notícias de Catarina.

[…]

Próximo à porta da UTI, Andrea e Damião aguardavam por notícias da filha. As horas se arrastavam, e o cansaço começava a pesar sobre ambos.

— Foi muita audácia daquele moleque aparecer aqui, depois de tudo o que descobrimos sobre ele — resmungou Damião, ainda remoendo a presença de Henri no hospital.

Andrea suspirou, cansada da amargura do marido.

— Não fale assim. Ele parecia realmente preocupado.

Damião cruzou os braços, seu olhar duro estava fixo na porta da UTI.

Esperança 1

Esperança 2

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