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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 363

Quando entraram na sala onde Catarina estava hospitalizada, Damião e Andrea mal podiam acreditar no que viam.

A filha estava sem aparelhos no rosto, e seus olhos, abertos e atentos, revelavam o quanto estava desperta e consciente.

— Catarina? — chamou Andrea, com a voz trêmula, incapaz de conter a emoção.

O olhar da moça se voltou imediatamente para a mãe, que se aproximava devagar, com o rosto banhado em lágrimas.

— Filha querida… — sussurrou Andrea, levando a mão à boca, tomada pelo pranto. — Não posso acreditar que você está acordada.

— Mamãe… — disse Catarina, num fio de voz fraco, mas cheio de vida. — Mamãe…

Andrea se inclinou sobre ela, envolvendo-a com cuidado em um abraço delicado, como se tivesse receio de machucá-la. As lágrimas de ambas se misturaram.

Damião observava a cena em silêncio, com os olhos marejados e o coração apertado.

— Como você está se sentindo, filha? — perguntou Andrea, enxugando as lágrimas enquanto se afastava um pouco para olhar o rosto da menina.

— Estou… me sentindo fraca — respondeu Catarina, quase num sussurro. — Mas… é estranho… é como se eu tivesse dormido por muito tempo.

Andrea sorriu, acariciando o rosto da filha com ternura.

— De certa forma, foi isso mesmo, meu amor. Você dormiu por um bom tempo, mas agora está aqui, conosco.

Catarina olhou em volta, observando o quarto, as paredes brancas, os aparelhos ao lado da cama.

— Quanto tempo… fiquei assim?

— Três semanas — respondeu Damião, aproximando-se finalmente. — Foram as três semanas mais longas das nossas vidas.

Ela o olhou com surpresa e emoção.

— Eu… não sabia que foi tudo isso.

Andrea segurou a mão da filha, sorrindo entre lágrimas.

— Isso não importa mais, o que importa agora é que você está acordada e falando conosco.

O som da porta se abrindo fez todos se virarem. O médico entrou no quarto com um sorriso discreto, segurando uma prancheta nas mãos.

— Bom ver que a paciente já está cercada de amor — disse, se aproximando da cama. — Acabei de revisar os exames mais recentes e trouxe boas notícias.

Andrea e Damião se entreolharam, apreensivos.

— E então, doutor? — perguntou ela, ansiosa.

O médico olhou para Catarina com um semblante tranquilo.

— Realizamos uma série de testes e... para a nossa surpresa, não encontramos nenhuma sequela neurológica. O cérebro dela está funcionando perfeitamente, o que, sinceramente, consideramos um milagre — explicou, com um brilho de admiração nos olhos. — Ainda mais porque ela acordou lembrando-se de tudo.

Andrea levou as mãos ao rosto, emocionada. Damião, mesmo tentando manter a postura, não conseguiu conter o sorriso que se formou em meio às lágrimas.

Catarina olhou para o médico, ainda processando o que ouvia.

— O corpo dela vai precisar de um tempo para se recuperar completamente, mas o mais difícil já passou.

— Vamos cuidar de você, minha menina. E agradecer a Deus todos os dias por ter te trazido de volta.

— Se em vinte e quatro horas ela continuar estável, poderemos transferi-la para outro quarto — explicou o médico. — Queremos acompanhar a evolução dela de perto, mas, até aqui, tudo indica que a recuperação será total.

— Nós o encontramos no corredor mais cedo — explicou Andrea, com cuidado. — Ele estava na porta da UTI, com uma expressão preocupada… mas o seu pai… — fez uma pausa, ponderando, sem querer entrar em detalhes sobre o conflito entre Damião e Henri. — Bem, assim que ele nos viu chegando, decidiu ir embora, para evitar qualquer tipo de desentendimento.

— Acha que ele já foi embora do hospital? — perguntou, com o olhar esperançoso demais para esconder qualquer sentimento.

Andrea respirou fundo antes de responder:

— Eu não sei, minha filha. Não o vi mais depois disso. Como estava preocupada apenas com você, não tive atenção para mais nada.

— Entendo… — murmurou Catarina, pensativa, desviando o olhar por um instante.

Andrea a observou em silêncio, intrigada, antes de perguntar:

— Por que está perguntando por ele, querida?

Catarina ergueu os olhos lentamente, e um leve sorriso triste surgiu em seus lábios.

— Porque… eu queria muito vê-lo — revelou, sem se importar com o que a mãe pensaria ou diria.

— Por que quer ver aquele rapaz, filha? Achei que… — Andrea interrompeu a própria fala mais uma vez, ponderando as palavras, com medo de dizer algo que não devia naquele momento.

Respirou fundo e tentou mudar o tom.

— Você devia focar apenas na sua recuperação agora. Quando estiver melhor, poderá vê-lo com calma.

Decidida, Catarina respondeu:

— Eu não posso esperar, mamãe. O que preciso dizer a ele… — fez uma breve pausa, respirando com dificuldade — …precisa ser dito o mais rápido possível.

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