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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 366

No corredor do hospital, Andrea se escorava na parede, com a cabeça baixa e o semblante preocupado. Pensava no que a filha poderia estar conversando com Henri dentro do quarto. Não tinha ideia do que Catarina queria dizer nem do que poderia acontecer. E, embora desejasse estar presente, sabia que devia respeitar o espaço da filha.

Tão imersa em seus pensamentos, Andrea nem percebeu quando Damião se aproximou.

— Por que está aqui no corredor? — perguntou ele, preocupado. — Aconteceu alguma coisa com Catarina?

— Não, não aconteceu nada — respondeu, tentando parecer calma. — Só estou dando espaço para a Catarina conversar a sós.

— Com quem ela está conversando? — insistiu.

Andrea suspirou fundo. Sabia que o marido não reagiria bem à resposta, mas não podia evitar.

— Ela está conversando com o Henri.

O rosto de Damião ficou vermelho no mesmo instante, e a irritação foi evidente.

— Por que deixou ele entrar no quarto da nossa filha?

— Não fui eu quem deixei — explicou, mantendo o tom sereno. — Foi ela quem pediu que eu o chamasse.

— E por quê? O que a Catarina e ele têm para conversar?

— Eu não sei, marido. Mas foi um pedido dela, e eu achei que devia respeitar. Apenas isso.

Claramente frustrado, Damião franziu o cenho, prestes a retrucar. No entanto, respirou fundo e se conteve. Sabia que, depois de tudo o que tinham passado, precisava aprender a controlar o temperamento.

— Espero que ela saiba o que está fazendo — disse por fim, num tom mais contido.

Andrea apenas assentiu, voltando o olhar para a porta do quarto, com o coração ainda apertado.

Após alguns minutos, a porta se abriu e Henri saiu do quarto. Os olhos estavam vermelhos e o rosto, coberto de lágrimas. O casal o observou, confuso, enquanto ele se aproximava lentamente.

— Senhora… Senhor… — disse com a voz trêmula. — Eu já estou indo.

— O que houve? — Andrea se arriscou a perguntar, dando um passo à frente.

Tentando conter a emoção, Henri respirou fundo e olhou diretamente nos olhos dela.

— A Catarina não quer mais me ver — confessou. — E, embora eu não tire a razão dela, isso me dói muito.

Fez uma pausa, enxugando as lágrimas que insistiam em cair.

— Eu sei que não fui uma boa pessoa. Estraguei muitas coisas… mas queria, do fundo do meu coração, uma segunda chance para mudar. — Engoliu em seco. — Só que estou aprendendo da pior forma que existem coisas na vida que não têm segundas chances.

Enquanto ouvia o rapaz falar, Damião sentiu um aperto no peito. As palavras de Henri o atingiram mais do que ele esperava, talvez porque temesse ouvir o mesmo da própria filha. Também precisava pedir perdão e sabia que esse momento estava se aproximando.

Tocada pela sinceridade que via em Henri, Andrea se aproximou e pousou uma das mãos sobre a dele.

— Eu sinto que está sendo sincero, filho — disse com doçura. — E, sendo muito sincera com você também… sinto muito que as coisas tenham terminado assim.

Henri respirou fundo, tentando recuperar a postura.

— Obrigado, senhora. — Enxugou o rosto rapidamente. — Eu quero que saiba que, independentemente de tudo o que aconteceu, o que eu disse antes continua valendo.

Ele permaneceu por um momento parado à porta, sem saber como começar. Ver a filha fragilizada daquela forma fez o coração dele se apertar de um jeito que não lembrava havia muito tempo.

— Catarina… — chamou, com a voz trêmula.

Ela ergueu o olhar e, por um instante, pai e filha apenas se encararam, sem palavras, sem defesas, apenas dois corações marcados pelo arrependimento.

Vendo que ela não disse nada, ele se aproximou um pouco mais e começou a falar, com a voz baixa:

— Filha… estou muito feliz em te ver bem. — Fez uma pausa, tentando conter a emoção. — Saiba que tudo o que aconteceu me fez perceber o quanto eu fui um péssimo pai.

Ele baixou os olhos por um instante, envergonhado.

— Eu queria que soubesse que estou profundamente arrependido… por tudo o que fiz e por tudo o que disse. Você não merecia nada daquilo, Catarina. Eu te imploro o seu perdão, filha. Te imploro com todo o meu coração.

Catarina ergueu o olhar. Embora sentisse que havia muito a dizer ao pai, estava cansada demais para discutir. Então, apenas respondeu com calma:

— Eu te entendo, pai… e eu te perdoo.

Aquelas palavras foram o suficiente para devolver a Damião um pouco de esperança. Ele se aproximou mais, tocando a mão dela com ternura. No entanto, com um gesto sutil, Catarina se afastou.

— Entretanto… — começou — quando eu me recuperar, vou me mudar.

O pai a encarou, surpreso, sem saber o que dizer.

— Acho que está na hora de andar com as minhas próprias pernas e procurar um rumo para a minha vida. — Ela respirou fundo, olhando para o nada. — E eu sei que viver na vila já não será bom para mim.

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