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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 369

No escritório, Henri passava os olhos por um papel e outro, tentando se concentrar no trabalho. Mas, por mais que se esforçasse, aquele lugar já não lhe parecia o mesmo. Sentia-se deslocado, como se algo essencial tivesse ficado para trás.

E tudo piorou quando a nova assistente chegou. Era uma mulher de trinta e poucos anos, competente, organizada, eficiente em tudo o que fazia. Ainda assim, ele sentia que ela jamais seria capaz de preencher aquele espaço, o mesmo espaço que, por pura ignorância e orgulho, ele havia tirado de Catarina.

Não passava um único dia sem pensar nela.

Mesmo após tantas tentativas de aproximação, Catarina continuava evitando qualquer contato, mostrando-se firme em sua decisão de mantê-lo distante.

Quando soube que ela havia recebido alta e retornado à vila, ele reuniu coragem e mandou flores, junto a um cartão simples, desejando boas-vindas e uma boa recuperação.

Mas, dias depois, ao passar em frente à casa dela, algo dentro dele se partiu. As flores estavam jogadas no lixo, ainda frescas, como se jamais tivessem sido tocadas.

Ele ficou parado diante da porta por alguns segundos, com o coração apertado.

Naquele instante, percebeu que não havia mais espaço para ele na vida dela.

Por esse motivo, se afundou no trabalho.

Já não se importava se era uma segunda-feira de manhã ou um domingo à noite, estava sempre no escritório, cercado de papéis, relatórios e silêncio.

Trabalhar havia se tornado a única forma de calar a mente que vivia em caos.

Quando a noite chegava, pegava o celular e via dezenas de mensagens — de colegas, de amigos, de mulheres o convidando para sair, para festas, jantares, qualquer coisa que o tirasse daquela rotina.

Mas algo dentro dele havia mudado.

Não sentia mais vontade de viver como vivia antes.

O que antes era prazer agora parecia vazio. O riso fácil, as noites movimentadas, os encontros sem significado… nada disso fazia mais sentido. Tudo o que ele realmente queria estava fora de alcance, mesmo sabendo que ela morava a poucos metros dali.

Sentindo a cabeça latejar de dor, decidiu deixar o trabalho naquela manhã de sábado e ir para casa. Planejava, assim que chegasse, tomar um remédio e tentar dormir um pouco.

Quando saiu do escritório, estava prestes a entrar no carro quando viu o veículo do irmão se aproximando. Noah estacionou ao seu lado e desceu com um sorriso leve.

— Bom dia — saudou, caminhando até ele.

— Bom dia — respondeu, com a voz cansada.

— Como você está, irmão?

— Já tive dias melhores — respondeu sinceramente.

— Para onde vai agora? — perguntou Noah.

— Para casa. Quero descansar um pouco.

— Por que não vem comigo para a fazenda? — insistiu o irmão. — A mãe e o pai vão adorar te ver lá.

Henri balançou a cabeça.

— Deixa para outro dia. Minha cabeça está doendo um pouco.

— Devia voltar para casa — disparou Noah. — Mesmo com o nascimento da Helena, aposto que o pai e a mãe ainda sentem que a casa está vazia demais.

Henri soltou um sorriso breve, mas sem humor.

— Não sei por que pensam assim se você está lá.

— Talvez, se você falar comigo, possa se sentir melhor — insistiu Noah, mantendo o tom calmo.

Henri soltou uma risada breve, sem humor.

— Não tem como eu me sentir melhor. — Passou a mão pelos cabelos, exausto. — A minha vida está uma merda, Noah. E, por mais que eu saiba que a Catarina está a poucos metros daqui… eu não posso falar com ela. Vai ser esse inferno para sempre, entende? — desabafou. — Acho que vê-la por perto e não poder tocar, falar ou me aproximar é como um castigo… um castigo que vou ter que suportar dia após dia.

Noah baixou o olhar, pensativo, e murmurou quase para si mesmo:

— Talvez seja por isso que ela está indo embora…

Imediatamente, Henri ergueu a cabeça.

— Indo embora? Como assim?

Noah hesitou por um instante, mas o olhar do irmão o obrigou a responder.

— Você não sabe? A Catarina está deixando a vila.

— O quê? — perguntou, sentindo o peito apertar. — Quando? Para onde?

— Eu acabei de vê-la saindo de casa com os pais — explicou, com cuidado. — Tinham algumas malas. Pelo que ouvi, só ela vai. Os pais ficam.

— Não pode ser… — murmurou Henri, sentindo o nervosismo crescer no peito. — Você viu para onde eles foram?

— Acho que para o ponto de ônibus — respondeu Noah, um pouco hesitante.

— Eu preciso ir até lá! — disse ele, já se virando e correndo em direção ao carro.

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