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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 371

A vila São Caetano estava em festa.

Afinal, o filho primogênito de Oliver Caetano estava prestes a se casar.

O clima era de alegria e expectativa. As ruas foram enfeitadas com flores do campo, as varandas decoradas com fitas coloridas, e o som das conversas animadas ecoava por todos os cantos.

Muitos se sentiam genuinamente felizes por Noah, como se ele fosse parte de suas próprias famílias.

Os mais velhos, principalmente, acompanhavam a história daquele rapaz desde menino.

Sabiam que ele havia sido abandonado pela mãe biológica e que, por pouco, não fora rejeitado pelo próprio pai.

Mas também sabiam que o destino, com sua maneira misteriosa de consertar o que um dia se quebrou, havia colocado no caminho dele uma mulher extraordinária, uma estranha que chegou à vila fugindo de uma vida cruel e de um lar duvidoso.

Graças a essa mulher, Noah conheceu o verdadeiro significado do amor de mãe.

E, com o tempo, conheceu também o amor de um pai.

Agora, já homem feito, estava prestes a se casar com uma jovem igualmente especial.

Elisa, filha de um dos casais mais queridos da vila.

A menina que viera ao mundo como um arco-íris depois da tempestade, trazendo esperança após uma dura fase de depressão de sua mãe.

Quem conhecia a história de Denise e Saulo sabia que Elisa era uma bênção viva.

Uma jovem que devolveu cor e vida a um lar que há muito tempo se encontrava cinza.

Em frente à casa dos Taylor, um carro acabava de estacionar.

Saulo, que trabalhava no computador na varanda, levantou-se depressa ao ver o táxi parando diante da entrada.

Logo reconheceu a filha descendo, com várias sacolas nas mãos. Deixou o notebook sobre a mesa e se apressou em ir ajudá-la.

— Elisa, querida! Por que veio de táxi da capital? — perguntou, pegando algumas sacolas de suas mãos. — Devia ter me ligado, eu teria ido te buscar.

— Não queria te incomodar, papai — respondeu ela, sorrindo. — Além do mais, aproveitei que só tive aula pela manhã para vir mais cedo.

Ele arqueou uma sobrancelha, olhando para as sacolas com curiosidade.

— Vejo que, antes de vir, resolveu fazer umas compras, não foi? — brincou.

Ela riu.

— Sim, eu queria muito comprar algumas coisas.

— E por que não chamou a sua mãe? Ou até mesmo a Aurora? — perguntou ele, fingindo indignação. — Aposto que as duas teriam adorado ir às compras com você.

— Sim, eu tenho certeza disso — respondeu Elisa, sorrindo. — Mas essas compras são muito especiais, e eu queria fazê-las sozinha… e sem pressa.

— Ah, é mesmo? — ele perguntou, agora ainda mais curioso.

— Sim. Como meu casamento é daqui a dois dias, precisava comprar algumas coisinhas essenciais.

A revelação despertou ainda mais a curiosidade do pai, que já a acompanhava até dentro de casa, caminhando ao lado dela em direção ao quarto.

— Ah, é mesmo? — repetiu ele, arqueando as sobrancelhas. — E que coisinhas essenciais são essas?

Elisa entrou no quarto e colocou as sacolas sobre a cama. Saulo fez o mesmo, observando cada gesto da filha. Ela o encarou e um largo sorriso se desenhou em seus lábios.

Nervoso com tudo aquilo, Saulo saiu caminhando cambaleante pela sala, sentindo o peito arder. Sabia que a filha estava crescendo, mas ainda havia certos detalhes dos quais preferia ser poupado.

Abriu a porta da frente para tomar um pouco de ar, quando viu o táxi que Elisa havia chegado se aproximando novamente da entrada.

Desceu os degraus e foi até o motorista, que já descia do carro.

— A mocinha esqueceu uma sacola no porta-malas — disse o homem, abrindo o compartimento e retirando uma sacola colorida. — Ela pediu que colocasse aqui porque não cabia no banco, mas acabamos esquecendo.

— Tudo bem, obrigado — respondeu Saulo, pegando a sacola.

Quando segurou o pacote, notou as mãos tremendo. Elisa era definitivamente a filha que mais testava seu coração.

O motorista se despediu e foi embora, e Saulo se virou para entrar novamente em casa. Mas, no momento em que subiu o primeiro degrau, uma das pernas falhou, fazendo-o tropeçar.

A sacola escapou de suas mãos e caiu no chão, espalhando o conteúdo pela varanda.

Quando se abaixou para juntar as coisas, seus olhos se arregalaram.

— Ah, não… não pode ser — murmurou, atônito.

E ali, diante dele, estavam vários brinquedinhos, como algemas, plugs, lubrificantes, cordas, óleos corporais e algumas coisas de formatos e cores que ele preferia nem identificar.

O rosto de Saulo ficou completamente vermelho, e ele levou a mão à testa, sem saber se ria, chorava ou fingia um desmaio.

— Eu não precisava ver isso! — murmurou, desesperado, recolhendo tudo às pressas enquanto o rosto ficava cada vez mais vermelho.

Tentou enfiar tudo de volta na sacola o mais rápido possível, olhando para os lados com medo de que alguém o visse naquela cena.

— Essa menina ainda vai me matar do coração… — resmungou entre dentes, ofegante, tentando se recompor antes de entrar em casa.

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