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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 372

Quando bateu na porta do quarto da filha, o rosto de Saulo ainda estava completamente vermelho. Ele esperou alguns segundos até que Elisa abrisse a porta e o encarasse com um olhar desconfiado.

— O que houve, papai? Ainda está assim por causa do que conversamos? — perguntou, cruzando os braços.

— Não é isso — respondeu ele, com um suspiro cansado. — Vim apenas entregar isso. O taxista disse que você esqueceu no porta-malas.

Ela olhou para a sacola e, assim que reconheceu, um sorriso endiabrado se formou em seus lábios.

— O senhor não espiou o que tem aí, espiou? — perguntou em tom provocante.

— Meu Deus, claro que não! — respondeu rápido, quase tropeçando nas próprias palavras.

— Então, por que está com essa expressão, papai? — insistiu, divertida. — Não foi só por causa do que mostrei há pouco, foi?

— Ah, Elisa, me deixe em paz — pediu, jogando a sacola nas mãos dela. — Eu não quero saber que tipo de maluquices você vai aprontar depois de casada!

Elisa caiu na gargalhada, percebendo que o pai havia, sim, espiado o conteúdo da sacola.

— Papai, desde quando o senhor mexe nas minhas coisas? — provocou, rindo ainda mais.

— Eu não mexi, já disse! — explodiu ele, saindo dali com passos apressados. — Agora, me deixe em paz!

Ainda o ouviu resmungar enquanto caminhava pelo corredor, e aquilo a fez rir mais alto, jogando-se na cama às gargalhadas.

Denise, que acabava de chegar em casa, se deparou com o marido na sala, andando de um lado para o outro e praguejando em voz baixa.

— Amor, o que houve? — perguntou, intrigada.

— Ah, que bom que você chegou, morena! — disse ele, aliviado, aproximando-se com os olhos arregalados.

Saulo segurou-a pelos braços, como se quisesse garantir que ela o escutasse com toda a atenção.

— O que aconteceu? — perguntou Denise, já preocupada, imaginando o pior.

— Nós criamos um monstro! — disparou, com uma expressão desesperada.

— Do que está falando, Saulo? — indagou, tentando se soltar dele.

— Da Elisa! — respondeu, como se tivesse visto um fantasma. — Aquela menina precisa ser exorcizada antes do casamento!

Confusa, Denise franziu o cenho e se afastou um passo, cruzando os braços.

— Eu não estou entendendo nada… O que a Elisa fez agora?

Passando a mão pelos cabelos, Saulo olhou fixamente para a esposa, como quem estava prestes a fazer uma grande revelação.

— A Elisa chegou da capital agora há pouco, de táxi — começou, em tom sério.

— Sim, e o que tem isso? — perguntou, desconfiada.

— Pois bem, ela trouxe diversas sacolas de compras — disse, gesticulando. — Mas não era de compras normais, morena. Não tinha um vestido, nem uma sandália, nem uma lembrancinha qualquer… eram coisas terríveis!

— Terríveis? — repetiu ela, arqueando a sobrancelha. — Amor, você não está exagerando?

— Exagerando? Eu quase caí duro na varanda! — Ele rebateu, indignado. — Quando ela chegou e vi aquele tanto de sacolas, eu pensei: “Olha que bonitinho, deve ser alguma coisa para o casamento”. Mas não eram, eram coisas íntimas e a descarada ainda queria me mostrar!

— Amor, pelo amor de Deus, você está falando de lingeries?

— Não apenas disso! — ele disparou. — O taxista retornou aqui porque a espevitada da Elisa esqueceu uma sacola e eu fui levar para ela, mas quando estava voltando, de repente tropecei, a sacola caiu… e o chão se transformou num cenário de terror!

Denise já sentia o riso preso na garganta, mas se esforçava para manter a seriedade.

— E o que tinha dentro, afinal? — perguntou, tentando disfarçar o tom divertido.

— Coisas… imorais, Morena! — exclamou, baixando a voz. — Umas embalagens suspeitas, uns negócios que eu nem quero nomear… tinha algemas, tinha uns frascos coloridos, umas… umas coisas que piscavam!

— É diferente, morena. Somos casados há anos. Já a Elisa, nem devia saber ainda que essas coisas existem.

— Ai, amor, deixa a nossa filha em paz! Pelo menos o que ela vai fazer é com o marido, não com um qualquer da rua.

— Mesmo assim, isso me deixa perturbado.

— Menos, Saulo — protestou. — É melhor esquecer disso e focar em outras coisas.

— Como o quê?

— Na Eloá, por exemplo — explicou.

— Por que quer que eu pense nela? Se bem me lembro, ela foi outra espevitada!

— Ah, pelo amor de Deus, muda o disco — pediu, fazendo uma careta. Quero que se lembre de que ela e o Gael irão chegar para o casamento da Elisa.

— É verdade — respondeu, mudando a expressão. — O quarto deles já está preparado?

— Eles não ficarão aqui, ficarão na casa da Aurora.

— Por quê?

— Porque eles ainda não conhecem a Helena e, além disso, quando a Amelie nasceu, a Aurora e o Oliver nem tiveram tempo de ficar com ela, por conta do que aconteceu com o Henri.

— É verdade. Falando no Henri, você tem tido notícias dele?

— Só o que a Aurora me conta.

— E como ele está depois que a Catarina foi embora?

— Péssimo… Aquele rapaz se apaixonou, mas infelizmente só descobriu tarde demais.

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