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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 374

— Eu entendo que pensem assim — disse Gael, após alguns segundos de silêncio —, mas já fazem meses que isso aconteceu, e o Henri só piora. Se deixarmos que ele se recupere sozinho, isso pode nunca acontecer.

Oliver largou os talheres e se recostou na cadeira, suspirando.

— E o que você quer que façamos, então? — perguntou, num tom cansado, embora soubesse que o filho tinha razão. — Eu já tentei de tudo para animá-lo. Convites, conversas, visitas… nada adiantou.

Gael passou a mão nos cabelos, decidido.

— Então eu vou até lá. Quero ver com meus próprios olhos como ele está.

— Eu vou com você — disse Noah, levantando-se logo em seguida.

Aurora assentiu, aprovando a ideia.

— Ótimo. É bom que vocês, como irmãos, apareçam lá. Talvez isso o anime um pouco, faça-o se lembrar de que não está sozinho.

Os demais concordaram, e os dois rapazes saíram logo depois do jantar.

Noah dirigia enquanto Gael olhava pela janela, pensativo. Nenhum dos dois falava muito, ambos tomados por uma preocupação silenciosa.

A estrada até a vila era curta, e em poucos minutos chegaram em frente à casa de Henri. Assim que o farol do carro iluminou a fachada, perceberam que a casa estava completamente escura.

Gael franziu o cenho.

— Estranho… nem uma luz acesa.

— Mas o carro está ali — disse Noah, apontando para o veículo estacionado em frente. — Ele está em casa.

Os dois desceram do carro e se aproximaram da porta. Gael chamou pelo irmão, batendo brandamente na porta de madeira.

— Henri! É o Gael! — Esperou alguns segundos. Nenhuma resposta.

Noah tentou em seguida.

— Henri, sou eu, o Noah! Acorda aí, irmão, viemos te ver!

Ainda assim, nada.

Os dois se entreolharam, preocupados.

— Será que ele está dormindo? — perguntou Noah.

Quando estavam prestes a bater mais uma vez, viram pela fresta uma luz se acender na casa. Segundos depois, a porta se abriu.

Henri apareceu no batente, e os irmãos o encararam com um misto de alívio e pena. Ele estava sem camisa, o rosto pálido e o corpo visivelmente mais magro. Por mais que fosse gêmeo idêntico de Gael, naquele momento pareciam homens completamente diferentes.

— O que fazem aqui? — perguntou, numa voz rouca e cansada.

— É assim que recebe um irmão que não vê há meses? — retrucou Gael, tentando soar animado, mas sem conseguir disfarçar a preocupação.

Henri piscou algumas vezes, como se só então percebesse a própria grosseria. Suspirou fundo e mudou o tom.

— Foi mal… — disse, abrindo um meio sorriso e se aproximando. — Entrem, por favor.

Ele abraçou o irmão gêmeo brevemente e, em seguida, deu passagem para entrarem. A casa estava silenciosa, levemente desorganizada, com algumas pilhas de papéis sobre a mesa e uma caneca de café esquecida pela metade.

— Bela casa — comentou Gael, olhando ao redor, tentando aliviar o clima.

— Sim… aqui é um bom lugar — respondeu Henri, sentando-se no sofá e passando a mão pelo rosto.

— Não sei se sou uma boa companhia no momento.

— Se não for você, quem será? — rebateu Noah, num tom divertido.

— Vamos organizar uma despedida de solteiro. Nada exagerado — só sair para beber um pouco, conversar, dar risada… como nos velhos tempos. O que acha? — Gael sugeriu.

No mesmo instante, Henri ergueu o olhar e os encarou fixamente. Por um instante, pensou em dizer “não”. Queria recusar, se fechar no silêncio de novo. Mas, quando viu o brilho esperançoso nos olhos dos irmãos, percebeu que negar seria magoá-los ainda mais.

Suspirou, vencido.

— Tudo bem.

A resposta animou os dois imediatamente.

— Aí sim! — exclamou Noah, batendo de leve no ombro dele. — Já estava achando que teria que te arrastar à força.

— Amanhã à noite — completou Gael, com um sorriso satisfeito. — Sem desculpas.

— Prometo que vou.

Os três se olharam, e por um breve instante, o peso que pairava no ar pareceu se dissipar.

— Vai ser bom para você, irmão — disse Noah, sincero. — E, quem sabe, o começo de um novo capítulo.

No fundo, Henri não acreditava que uma simples noite pudesse mudar o que sentia, mas ao olhar para os dois ali, percebeu algo que havia esquecido: ele ainda fazia parte de uma família.

E isso, de alguma forma, já era o primeiro passo.

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