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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 375

No dia seguinte, Henri acordou mais disposto. Vestiu-se com calma e, pela primeira vez em muito tempo, sentiu vontade de sair de casa. Foi até a fazenda e fez questão de passar o dia com a família.

Passou a manhã brincando com a irmãzinha Helena, que gargalhava cada vez que ele a fazia voar pelos ares, e à tarde ficou com Amelie, a sobrinha que ainda não conhecia pessoalmente. Aurora observava a cena com o coração apertado e aliviado ao mesmo tempo, era bom ver o filho sorrir novamente, mesmo que discretamente.

À noite, antes de sair com os irmãos, ele entrou em seu antigo quarto. Ficou alguns segundos em frente ao espelho, observando o próprio reflexo cansado. Então respirou fundo, fez a barba, arrumou o cabelo e vestiu uma camisa limpa. Queria parecer bem, não apenas por fora, mas para convencer a si mesmo de que estava começando a melhorar.

Não estava exatamente animado, mas também não queria fazer desfeita ao irmão que se casaria no dia seguinte.

Quando saiu do quarto e foi para a sala, encontrou todos à espera. Noah, já com a chave do carro na mão, foi o primeiro a falar:

— Uau, vejo que um bom banho te caiu bem, hein? — brincou, lançando um sorriso provocante.

Sem conter um leve sorriso, Henri ergueu uma sobrancelha.

— Não me enche, Noah. — E saiu em direção à porta.

— Isso aí é carinho de irmão, viu? — comentou Gael, rindo enquanto o seguia.

Os três entraram no carro e pegaram a estrada rumo à capital. O destino era um bar que costumavam frequentar juntos — um lugar tranquilo, com boa música e petiscos deliciosos. Um cantinho deles, onde podiam esquecer o mundo por algumas horas.

Assim que se acomodaram à mesa, pediram cerveja e uma porção de iscas de peixe. Entre um gole e outro, Noah, o mais falante dos três, começou a falar sobre a ansiedade para o grande dia.

— Não sei se vou conseguir dormir hoje — confessou. — Parece que tudo está passando rápido demais.

— É normal — disse Gael, relaxado na cadeira. — Amanhã você pode até entrar na igreja tremendo, mas tenho certeza de que amará o que vem depois.

— Algum conselho de irmãos? — perguntou Noah, com um sorriso divertido.

— Tente não engravidar a Elisa de primeira — respondeu Gael, rindo alto. — Vai por mim, irmão, ter uma vida íntima com sua esposa tendo um bebê em casa é missão quase impossível… e num apartamento minúsculo então, pior ainda.

Henri deu uma risada breve, enquanto Noah balançava a cabeça.

— Vou anotar isso — disse ele, entrando na brincadeira. — E você, Henri? Algum conselho mais sensato?

Henri ficou em silêncio por um instante, girando o copo entre os dedos. Então levantou o olhar e respondeu com calma:

— Trate a sua esposa como uma rainha… e nunca a deixe duvidar do que sente por ela.

Os irmãos o olharam e, por um momento, o clima leve deu lugar a um silêncio respeitoso. O olhar de Henri havia se perdido, distante, como se aquelas palavras tivessem vindo de um lugar muito mais profundo do que ele queria admitir.

Noah pousou o copo e disse em tom sereno:

— Pode deixar, vou anotar isso também.

Sentindo que o clima à mesa havia ficado um pouco pesado, Henri pediu licença e se levantou.

Caminhou pelo bar em silêncio, passando entre as mesas até alcançar as portas dos fundos. O ar fresco da noite o envolveu, e ele respirou fundo, tentando aliviar o peso no peito. Ficou ali, parado, olhando para o nada, quando, de repente, uma voz conhecida o chamou:

— Henri? Henri Caetano?

Ele se virou, surpreso, e avistou um rosto familiar que há muito não via.

— Tom? — disse, endireitando o corpo.

O homem sorriu, aproximando-se com entusiasmo.

— Cara, quanto tempo!

— É verdade, faz um bom tempo mesmo — respondeu Henri, abrindo um sorriso sincero pela primeira vez naquela noite.

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