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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 380

Por um instante, o som das buzinas e o burburinho da multidão desapareceram. Era como se o tempo tivesse desacelerado, deixando apenas ela, o vento e aquele homem que caminhava despreocupado pela rua, como se estivesse conhecendo o lugar.

De repente, o semáforo para pedestres ficou verde, e as pessoas começaram a atravessar apressadas de um lado para o outro. A multidão acabou tapando sua visão, e Catarina o perdeu de vista. Percebendo que estava parada no meio da calçada e atrapalhando a passagem, ela começou a caminhar pela passarela, ainda atordoada, procurando Henri com os olhos. Mesmo depois de chegar à calçada de onde o havia visto, não conseguiu encontrá-lo em lugar algum.

— Moça! — Uma voz chamou atrás dela.

Ela se virou e viu um homem alto, de porte elegante, observando-a com interesse.

— Sim? — respondeu, ainda distraída.

— Você está vendendo docinhos, não é?

— Ah, claro! — disse, abrindo o isopor e mostrando as opções. — Tenho esses aqui.

— Quero dois desses — disse ele, apontando.

Catarina pegou duas caixinhas transparentes e entregou ao homem, que abriu uma delas e provou um brigadeiro.

— Que delícia! — elogiou, sorrindo.

Ela retribuiu o sorriso, embora o olhar continuasse inquieto, varrendo a multidão em busca de Henri.

— Você aceita Pix? — perguntou o homem.

— Claro — respondeu, mostrando o QR Code.

Ele pagou, mas antes de ir embora, a observou com mais atenção.

— Me desculpe a audácia, mas você é muito bonita para estar vendendo doces na rua, nesse sol escaldante. Uma mulher como você merecia um emprego onde a sua beleza fosse mais valorizada.

Catarina se sentiu desconfortável. Guardou a maquininha, fechou o isopor e respondeu educadamente:

— Obrigada pelo elogio, mas estou muito feliz com o que faço.

“Será que era mesmo ele?”, pensou, mordendo o lábio inferior, enquanto olhava para o reflexo dourado do sol sobre o mar. Cada detalhe parecia tão nítido: o jeito como ele andava, o modo como passava a mão pelos cabelos, que era difícil acreditar que fosse apenas imaginação. Mas, ao mesmo tempo, a razão gritava que não podia ser verdade. Henri estava longe dali, em outro estado, tocando a vida dele normalmente, como ela vinha tentando fazer com a sua.

Suspirando pesado, apoiou o queixo nas mãos, os cotovelos sobre os joelhos. Um nó se formou em sua garganta, e ela se obrigou a engolir seco. “Já faz tanto tempo…”, murmurou para si mesma. No fundo, sabia que ainda não havia superado. Por mais que tentasse se convencer do contrário, bastou um vislumbre — real ou não — para que todo o sentimento voltasse com força, como uma onda que a derrubava quando ela achava que já estava firme.

“Não posso ter mais uma recaída”, sussurrou, percebendo que estava se deixando levar outra vez pelos próprios pensamentos. Apertou a alça da caixa de isopor no ombro e se levantou apressada, caminhando como se tivesse urgência em se afastar daquele lugar e, principalmente, das lembranças que a perseguiam.

Enquanto avançava pela calçada, o coração ainda acelerado, repetia mentalmente o mesmo mantra que disse a si mesma no dia em que entrou naquele ônibus e deixou a vila para trás: “Eu não vou pensar mais nele.”

Mas dizer era sempre mais fácil do que cumprir.

— Ele me humilhou — sussurrou, apertando o passo, como se o vento pudesse levar suas palavras embora. — Disse coisas horríveis, me fez acreditar que a culpa era minha…

As lembranças vinham em flashes dolorosos, o tom frio da voz dele, o olhar cortante, as palavras que a feriram mais do que qualquer ferida física.

— Eu não posso sofrer por alguém que não me amou — continuou, tentando convencer a si mesma. — Alguém que só me procurou por remorso, e não por amor. Eu vou esquecê-lo, preciso esquecê-lo!

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