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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 383

No quarto, Tom encerrou a ligação com um sorriso satisfeito no rosto.

— Mais fácil do que eu pensava — murmurou, inclinando-se na poltrona, enquanto relembrava a voz e o semblante delicado da moça que acabara de ligar.

Levantou-se animado e foi direto para o banheiro. O som da água ecoou pelo quarto, e minutos depois ele já saía do chuveiro, enxugando o cabelo com uma toalha. Vestiu-se depressa, colocando uma camisa social leve e o perfume que costumava usar quando queria impressionar. Se tudo saísse como imaginava, aquela noite prometia ser agitada.

Quando saiu do quarto, cruzou o corredor e encontrou Henri vindo em sua direção.

— Está de saída? — perguntou o amigo, franzindo o cenho.

— Estou — respondeu Tom, ajeitando o colarinho e o relógio.

— Achei que tivesse dito que queria descansar para amanhã — comentou Henri, desconfiado.

Tom riu, com o jeito despreocupado que sempre o acompanhava.

— Realmente eu disse… mas acabei de receber uma ligação que, com certeza, vai mudar o rumo da minha noite.

Henri o observou em silêncio por alguns segundos. O sorriso lascivo estampado no rosto do amigo dizia tudo. Não era preciso fazer perguntas — ele sabia exatamente do que se tratava.

— Entendi — respondeu, cruzando os braços. — Só espero que você não esteja se metendo em confusão.

Tom deu de ombros.

— Confusão? De forma alguma, meu caro. É só… uma entrevista de trabalho que, se der certo, pode ser muito divertida — piscou o olho, rindo do próprio trocadilho.

Desaprovando o comentário, Henri balançou a cabeça.

— Espero que você saiba diferenciar bem o trabalho da diversão — disse com o tom sério, cruzando os braços e encarando o amigo. — Porque se fizer alguma besteira, pode não só manchar o seu nome, mas também o do nosso empreendimento, que mal começou. E, pelo que me lembro, você deixou bem claro que investiu todo o dinheiro que seu avô te deixou de herança nisso. Não acho que queira perder tudo por causa de um escândalo, certo?

As palavras de Henri foram como um balde de água fria. O sorriso convencido de Tom se desfez no mesmo instante. Ele engoliu em seco e desviou o olhar, tentando disfarçar o desconforto.

— Pode deixar, eu sei o que estou fazendo — respondeu, tentando parecer confiante, embora sua voz soasse menos firme.

Henri estreitou os olhos, desconfiado.

— Onde você vai, afinal?

Tom passou a mão pelo cabelo, rindo sem graça.

— Eu só vou ver a ruivinha de quem te falei mais cedo.

Arqueando uma sobrancelha, Henri sentiu um leve incômodo crescer no peito.

— A que te vendeu os doces?

— Essa mesma — confirmou, abrindo novamente um sorriso travesso. — Ela acabou de me ligar dizendo que estava interessada na proposta que fiz.

Visivelmente surpreso, perguntou:

— E você vai… entrevistá-la? A essa hora da noite?

Tom deu uma risadinha.

— É o horário que ela pôde vir, e eu não ia perder a chance de conversar logo.

— Conversar — repetiu Henri, com ironia. — Tom, você não muda.

O amigo ergueu as mãos, fingindo inocência.

— Ei, ei, calma! Não estou dizendo que vou fazer nada errado. Só vou conversar, quem sabe mostrar o projeto, ver se ela se encaixa no perfil…

Já conhecendo aquele discurso, Henri suspirou.

363: Entrevista ou diversão? 1

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