Enquanto observava a moça parada à sua frente, os pensamentos de Tom fervilhavam. Ele tentava manter a postura profissional, mas era impossível disfarçar o fascínio que sentia. Catarina tinha algo que o desarmava completamente, não era apenas a beleza evidente, mas o jeito reprimido, a mistura de timidez e vontade no olhar.
Ela estava ali, diante dele, com as mãos unidas à frente do corpo e o semblante sereno, mas Tom mal conseguia se concentrar nas palavras que ela dizia. Seus olhos se prendiam nos dela — verdes como esmeraldas sob a luz da manhã — e em cada detalhe do rosto delicado, emoldurado por aquele cabelo ruivo que parecia brilhar com o sol que entrava pela janela.
Era raro encontrar uma ruiva natural tão linda, e vê-la ali, disposta a conversar, despertava nele algo que ia além do interesse profissional. Tom sabia, naquele instante, que não poderia simplesmente deixá-la ir embora de novo.
Enquanto ela falava sobre o desejo de conseguir uma segunda chance, ele apenas a escutava, refletindo em silêncio. A ideia de colocá-la na recepção, como havia pensado no início, de repente lhe pareceu insuficiente, pequena demais para alguém como ela.
“Não…”, pensou, observando-a com atenção. “Eu a quero mais perto de mim.”
Um leve sorriso se formou em seus lábios e, recostando-se na cadeira, ele cruzou os braços e disse num tom calmo:
— Acho que podemos encontrar algo melhor para você do que a recepção, Catarina — disse, observando-a com um olhar penetrante.
— Melhor? — Ela perguntou, surpresa. — Mas eu ficaria grata por qualquer função, de verdade. Só quero ter um trabalho fixo para poder ajudar nas finanças da casa.
— Eu sei — respondeu ele, com um sorriso contido. — Mas não quero desperdiçar talento. Você me parece uma mulher dedicada… e, mais importante, alguém que aprende rápido.
Sem saber como reagir ao elogio, ela baixou os olhos por um instante.
— Agradeço por acreditar em mim, senhor Cambrainha.
— Tom — corrigiu ele, num tom agradável. — Pode me chamar só de Tom. “Senhor” me faz parecer mais velho do que eu gostaria.
Ela sorriu de leve, tentando disfarçar o constrangimento.
— Certo… Tom.
Ele se inclinou ligeiramente para frente, apoiando o antebraço sobre a mesa.
— Estou pensando em um cargo mais próximo da administração. Alguém que me auxilie diretamente. É um papel de confiança, entende?
— Te auxiliar? — perguntou ela, surpresa. — Eu… não sei se estou pronta para algo assim.
— Está sim — respondeu prontamente, sem hesitar. — E, se não estiver, eu mesmo ensino o que for necessário.
Catarina o olhou, e por um momento, seus olhos se cruzaram. O dele, firme e atento; o dela, gentil e inseguro. Ela não percebeu o segundo olhar dele, mais demorado, curioso, quase admirado, cheio de segundas intenções.
— Eu… nem sei o que dizer — murmurou ela, ajeitando o cabelo atrás da orelha. — Prometo que vou me esforçar.
— Disso eu não duvido — disse ele, sorrindo. — Aliás, acho que a convivência diária vai me permitir ver o quanto você é capaz.
Aquela moça tinha algo que o intrigava. E, para ele, esse tipo de combinação sempre acabava jogando a favor de quem sabia conduzir o jogo.
Levantou-se, caminhou até a janela e olhou para o pátio do resort, onde alguns funcionários ainda trabalhavam. Em meio a tantas responsabilidades e números, Tom sabia que o trabalho no resort exigiria muito dele, mas, agora, havia um novo fator que tornava tudo mais interessante. Ter Catarina por perto seria um alívio para o tédio e o estresse que o acompanhavam há meses.
“Vai ser fácil”, pensou, confiante. “Jovens como ela, quando precisam de algo, acabam se tornando maleáveis. Basta um pouco de atenção, algumas palavras certas… e o resto acontece naturalmente.”
Depois de refletir sobre tudo aquilo, Tom deixou o escritório e seguiu pelo corredor, ainda com um meio sorriso no rosto. Porém, ao virar a esquina, deparou-se com Henri, que vinha em sua direção com o semblante pálido e o olhar perdido, como se tivesse acabado de ver um fantasma.
— O que houve? — Tom perguntou, franzindo o cenho, intrigado com a expressão do amigo.
Mas o amigo não parou. Passou por ele apressado, como se procurasse algo, ou alguém.
— Depois conversamos — disse Henri, sem diminuir o passo. — Acho que vi alguém que conheço passando lá fora.
Tom o observou seguir adiante, intrigado com a atitude. Henri raramente se deixava abalar por qualquer coisa, e aquela reação, quase inquieta, despertou sua curiosidade.
Por um instante, pensou em chamá-lo de volta, mas preferiu deixar que fosse. Apenas cruzou os braços e o acompanhou com o olhar, enquanto o som dos passos do amigo ecoava pelo corredor de mármore.
— Interessante… — murmurou consigo mesmo, com um meio sorriso. — Parece que não sou o único distraído hoje.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...