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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 387

Quando acordou pela manhã, Henri sentou-se à beira da cama e observou o quarto ainda escuro, devido às janelas fechadas, perguntando-se quando voltaria a ser feliz. Embora os meses tivessem passado, seu peito ainda sentia o vazio, como se algo lhe faltasse. E o que mais doía era saber exatamente o que era.

Quase todas as noites sonhava com Catarina e seu olhar de desprezo, dizendo que não queria mais saber dele. Reviver essas cenas em seus sonhos fazia seu coração sentir como se tudo tivesse acontecido apenas ontem.

Queria procurá-la, implorar novamente por uma segunda chance, mas não conseguia nenhuma informação sobre ela, nem com os pais, nem com ninguém. Era como se Catarina tivesse desaparecido do mundo, deixando apenas lembranças que insistiam em persegui-lo todas as noites. Cada tentativa de encontrá-la terminava em frustração, e quanto mais o tempo passava, mais ele se dava conta de que o silêncio dela doía mais do que qualquer palavra poderia doer.

Tentando se livrar daquele pensamento insistente, tomou um banho frio, deixando que a água escorresse por seu corpo na esperança de apagar, nem que fosse por instantes, o peso da saudade. Vestiu-se com calma, pegou o relógio sobre a cômoda e caminhou até a janela, buscando no sol da manhã um pouco de ânimo para começar o dia.

Do quarto, tinha uma vista ampla do jardim do resort. Lá embaixo, alguns funcionários cuidavam das plantas, conversando entre si, enquanto o som distante de marteladas lembrava as reformas que ainda aconteciam. Por um momento, tudo pareceu normal, até que algo chamou sua atenção.

Ele franziu o cenho, fixando o olhar na entrada do resort.

Entre as árvores, uma silhueta feminina caminhava devagar, o vento brincando com os fios longos e avermelhados de seu cabelo.

Ele sentiu o coração acelerar. As pupilas se dilataram num reflexo involuntário.

Aquela cor… aquele andar…

— Não pode ser — murmurou, aproximando-se mais do vidro.

Mas quanto mais olhava, mais a convicção crescia dentro dele. Aquela mulher ruiva que atravessava o jardim só podia ser Catarina.

Sem perder tempo, abriu a porta do quarto e saiu apressado, com o coração batendo descompassado. Seus passos ecoavam pelo corredor enquanto tentava alcançar a saída, tomado por um sentimento de incredulidade e esperança.

Ao virar a esquina, deu de cara com Tom, que vinha na direção contrária.

— Henri? O que aconteceu? — perguntou o amigo, surpreso com a pressa dele.

Mas não respondeu. Estava ansioso demais para parar, com a mente tomada apenas por uma certeza: era ela.

— Depois te explico! — gritou, já se afastando, deixando Tom confuso no meio do corredor.

Atravessou a recepção quase correndo, chamando a atenção dos funcionários, que se entreolharam sem entender o que estava acontecendo. Nunca haviam visto o chefe daquele jeito, tenso, ofegante, com os olhos fixos na porta de vidro como se perseguisse um fantasma.

Quando finalmente alcançou o lado de fora, o ar quente o atingiu de cheio. Ele olhou ao redor, tentando encontrá-la. Por um instante, o desespero ameaçou tomá-lo, até que… ali estava.

Catarina.

Do outro lado da rua, caminhando distraidamente, com o cabelo ruivo balançando ao vento.

O coração dele deu um salto. Sem pensar em mais nada, começou a correr, ignorando os olhares curiosos e o som dos veículos passando. Precisava alcançá-la, precisava confirmar que não era uma ilusão.

Quando estava próximo o suficiente, a voz escapou quase em um grito:

— Catarina!

Ela parou, sentindo o corpo inteiro paralisado. Por um instante, pensou que fosse coisa da sua cabeça, uma lembrança, talvez uma armadilha da saudade. Mas algo dentro dela a fez virar devagar.

E então, seus olhares se cruzaram.

Henri ficou imóvel, ofegante, olhando para ela como quem reencontra algo perdido há muito tempo. Catarina, por sua vez, levou alguns segundos para acreditar no que via.

Ele deu uma risada leve, ainda incrédulo.

— Eu te vi saindo de lá.

— Você também estava lá? — perguntou, deixando a curiosidade escapar em sua voz.

— Sim — respondeu, com um sorriso discreto. — O dono do resort é um velho amigo, e ele me deixou hospedar por uns dias.

Mesmo sem querer mentir para ela, Henri sabia que, se revelasse ser também o sócio do resort, Catarina provavelmente não voltaria mais lá. E, depois de tê-la visto novamente, após tanto tempo, a última coisa que queria era afastá-la outra vez. Queria mantê-la por perto, nem que para isso precisasse omitir parte da verdade. Afinal, a simples presença dela já era o suficiente para acalmar um pouco o seu coração aflito.

— Entendo — ela murmurou, baixando o olhar. A conversa, que até então carregava o impacto do reencontro, começou a perder ritmo. Ela mexeu nas próprias mãos, sem saber o que dizer a seguir.

Percebendo o silêncio crescente e determinado a não deixá-la escapar de novo, Henri continuou:

— E como foi a entrevista? — perguntou com um tom leve, tentando quebrar o clima. — Conseguiu o emprego?

Catarina hesitou. Queria encerrar a conversa, seguir seu caminho e deixar aquele passado enterrado, mas algo a impedia. Era como se uma força invisível a mantivesse ali, presa àquele olhar que conhecia tão bem, o mesmo olhar que, apesar de tudo, ainda conseguia mexer com ela.

— Consegui… — respondeu por fim, quase num sussurro. — Começo amanhã.

O brilho nos olhos dele denunciou o quanto aquela resposta foi agradável.

— Então… acho que vou te ver por lá.

Ela o encarou por um instante, tentando decifrar o que havia por trás daquele sorriso. Parte de si queria virar as costas e ir embora. Outra parte… simplesmente não conseguia.

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