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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 388

Catarina mordeu os lábios, um pouco confusa com tudo, e ajeitou a bolsa no ombro.

— Eu já vou indo — disse, num tom contido.

— Espera! — pediu Henri, dando um passo à frente.

Ela o encarou mais uma vez, e o simples contato visual fez seu coração acelerar.

— O que foi? — perguntou, tentando soar confiante.

— Você mora aqui por perto? — quis saber ele.

Ela hesitou, ponderando a resposta por um instante, sem entender o motivo da pergunta.

— Não, eu não moro — respondeu, por fim.

Após dizer isso, desviou o olhar, deu um breve aceno e virou-se para ir embora. Henri permaneceu ali, observando-a se afastar, sentindo o vazio familiar retornar ao peito, como se o destino tivesse lhe devolvido algo apenas para arrancar de novo alguns segundos depois.

Quando Catarina sumiu de sua vista, Henri ficou parado por alguns segundos, como se o tempo tivesse parado junto. Sentiu um aperto no peito, uma mistura de arrependimento e saudade. Queria ter conversado mais, ter dito algo que fizesse sentido, talvez até confessar o que realmente fazia ali. Mas sabia que, se dissesse a verdade, ela provavelmente se afastaria de novo, e isso era o que ele mais temia.

Respirou fundo, tentando se recompor, e voltou lentamente para o resort. O som das ondas ao longe e o vento quente da manhã pareciam indiferentes ao turbilhão dentro dele. Quando atravessou a entrada principal, encontrou Tom na recepção, orientando alguns funcionários sobre a decoração do saguão.

— Aí está você — disse Tom, caminhando em sua direção. — Fiquei preocupado com a sua pressa mais cedo. Aconteceu alguma coisa?

Henri parou diante do amigo, estudando-o por um instante. Talvez ali estivessem as respostas que ele procurava.

— Escuta, Tom… você fez alguma entrevista de emprego hoje de manhã?

A pergunta pegou o amigo de surpresa. Tom arqueou uma sobrancelha, curioso.

— Fiz, sim. Por quê?

— Foi a moça dos doces?

Tom soltou uma risada breve, balançando a cabeça.

— Sim, foi ela. Apareceu por aqui depois de ter nos dado um bolo ontem à noite. Eu não sabia que viria, mas estava tão empenhada que resolvi dar uma chance. E quer saber? — Abriu um sorriso convencido — Acabei contratando-a.

Mantendo o olhar firme, Henri perguntou:

— Ela vai trabalhar na recepção?

— Não mesmo — respondeu Tom, ajeitando o paletó e esboçando um sorriso descarado que Henri conhecia bem. — Você precisava tê-la visto de perto, meu amigo… é linda demais para uma vaga simples. Então a convidei para ser minha assistente, e ela aceitou de bom grado.

De repente, um incômodo começou a crescer dentro dele.

— Sua assistente? — repetiu, tentando controlar o tom da voz.

Sem perceber o desconforto do outro, Tom continuou:

— Não muda nada. Só deixa claro que, se você tentar cruzar essa linha, eu vou estar do outro lado te esperando.

Sentindo o nervosismo do amigo crescer, Tom levantou as mãos em sinal de rendição.

— Calma aí, amigo, não vá se exceder — disse, tentando conter o riso que ameaçava escapar. — Eu não sabia que você conhecia a ruivinha, mas agora que sei… é diferente, tudo bem?

Henri manteve o olhar frio, ainda tenso, respirando com dificuldade para não perder o controle.

— Assim espero — respondeu, cortante.

Tentando desfazer o clima pesado. Tom assentiu.

— Eu não quero arrumar nenhum tipo de conflito com você, sabe disso.

Henri observou o amigo por um momento, analisando cada expressão, até perceber que, ao menos naquele instante, ele estava sendo sincero. Lentamente, relaxou os ombros e soltou um longo suspiro.

— Obrigado por me entender — disse, mais calmo, embora a desconfiança ainda pairasse em seu olhar.

Henri desviou o olhar e caminhou em direção ao corredor, deixando o amigo sozinho no saguão.

Assim que viu Henri desaparecer pelo corredor, Tom passou a mão pelos cabelos, balançando a cabeça com um sorriso irônico.

— Só me faltava essa… — murmurou entre os dentes. — Agora ele quer mandar em quem devo me interessar ou não.

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