As palavras dela o atingiram em cheio. O peito de Henri doeu de um jeito que ele não lembrava ter sentido antes, uma dor abafada, que parecia vir de dentro, misturada com arrependimento e vergonha. Uma vontade incontrolável de chorar tomou conta dele e, antes que percebesse, as lágrimas começaram a cair com força, sem que conseguisse detê-las.
Cambaleou até a cadeira mais próxima e se sentou, apoiando os braços sobre a mesa e, em seguida, a cabeça sobre eles. O som de sua respiração trêmula preencheu o silêncio da sala.
— Então era assim que ela se sentia… — murmurou, com a voz embargada.
As lembranças voltaram uma a uma, as palavras frias que dissera no passado, os gestos impensados, a forma como a afastara quando ela mais precisava de compreensão. Agora entendia o peso de tudo aquilo.
“Então era assim que ela se sentia quando eu dizia aquelas coisas?”, perguntou-se em pensamento, com o coração despedaçado. E, pela primeira vez, percebeu que todo o desprezo que agora recebia era merecido.
Ele ficou ali por tanto tempo que perdeu completamente a noção das horas. O sol já havia mudado de posição, e a luz que entrava pela janela desenhava sombras longas sobre a mesa. Só voltou a si quando ouviu o som da porta se abrindo.
Levantou a cabeça, enxugando às pressas o rosto com as costas das mãos, tentando apagar os vestígios do choro. Mas era tarde demais. Tom entrou, fechou a porta com calma e o observou em silêncio por alguns segundos, com uma expressão de falsa compaixão.
Henri tentou recompor o semblante, endireitando a postura.
— Senti a sua falta — disse Tom, caminhando até ele com passos tranquilos. — Imaginei que estivesse resolvendo alguma coisa importante.
Sentou-se ao lado do amigo, cruzando as pernas com naturalidade, mas o olhar atento denunciava que sabia mais do que dizia.
Tentando parecer indiferente, Henri desviou o olhar, mas Tom já tinha presenciado tudo. Ele não fazia ideia, mas enquanto discutia com Catarina naquela sala, o outro estava no canto da porta, observando discretamente e ouvindo cada palavra com um sorriso divertido no rosto.
Agora, diante dele, Tom mantinha a seriedade de sempre, mas nos olhos havia um brilho diferente: o de quem havia acabado de descobrir algo que poderia usar a seu favor.
— Posso saber o que aconteceu? — perguntou, com um falso tom de preocupação, inclinando-se ligeiramente para frente. — Por que não apareceu na reunião?
Henri respirou fundo, evitando encará-lo diretamente. Passou a mão pelos cabelos, tentando manter o controle da voz.
— Não me senti bem… — murmurou. — Achei melhor não ir.
Descrente, Tom arqueou uma sobrancelha.
— Não me senti bem? — repetiu, com um leve sorriso. — Qual é! Você não tem uma desculpa melhor para inventar?
A ironia do amigo o pegou desprevenido, de modo que não soube o que responder.
— Deixe-me adivinhar… a ruivinha, certo? — disse, cruzando os braços. — Catarina.
Já sem forças para fingir, Henri ergueu o olhar.
— Ela não sabia que eu era sócio daqui — explicou, passando a mão pelo rosto, exausto. — Então, preferi não aparecer para não causar nenhum choque, mas, pelo visto, ela descobriu antes de eu poder contar a verdade.
Tom se recostou na cadeira, observando-o em silêncio por alguns segundos antes de responder:
— Compreendo… — disse, cruzando os braços. — Mas, olha, não quero parecer rude, Henri, só que você acabou perdendo uma reunião importante por uma besteira.
Sabia que o amigo estava certo.
O amigo aproveitou o silêncio para continuar, com um tom flexível, mas intencional.
— Digo isso porque, às vezes, a gente se prende ao que já passou e deixa de enxergar o presente. Ela está em uma nova fase, Henri… e, honestamente, talvez o melhor que você possa fazer por ela e por você mesmo agora seja deixá-la em paz.
Tentando esconder o incômodo que crescia dentro de si, Henri desviou o olhar.
— Entendo — sussurrou.
Como quem finaliza uma conversa importante, Tom assentiu, mas por dentro sorria. Sabia que cada palavra havia atingido exatamente onde queria e que, quanto mais Henri se afastasse, mais fácil seria para ele se aproximar de Catarina.
— E, para não parecer uma surpresa quando acontecer, preciso te contar uma coisa — disse, adotando um tom descontraído. — Convidei a Catarina para ser minha acompanhante no dia da inauguração.
Surpreso, Henri o encarou imediatamente. Por um instante, perdeu o fôlego, e o sangue pareceu ferver-lhe nas veias. Tentou, no entanto, disfarçar o impacto e manter a expressão neutra, mesmo que o ciúme o dominasse por dentro.
— E... ela aceitou? — perguntou, esforçando-se para soar indiferente.
Esboçando um sorriso satisfeito, Tom disparou.
— Sim, aceitou. Na verdade, pareceu bem feliz com o convite — respondeu, observando atentamente a reação do amigo.
Desviando o olhar, Henri apertou as mãos sobre os joelhos para conter a raiva que crescia silenciosa. Tom notou o gesto e, internamente, sorriu. Seu plano estava funcionando melhor do que esperava.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...