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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 391

As palavras dela o atingiram em cheio. O peito de Henri doeu de um jeito que ele não lembrava ter sentido antes, uma dor abafada, que parecia vir de dentro, misturada com arrependimento e vergonha. Uma vontade incontrolável de chorar tomou conta dele e, antes que percebesse, as lágrimas começaram a cair com força, sem que conseguisse detê-las.

Cambaleou até a cadeira mais próxima e se sentou, apoiando os braços sobre a mesa e, em seguida, a cabeça sobre eles. O som de sua respiração trêmula preencheu o silêncio da sala.

— Então era assim que ela se sentia… — murmurou, com a voz embargada.

As lembranças voltaram uma a uma, as palavras frias que dissera no passado, os gestos impensados, a forma como a afastara quando ela mais precisava de compreensão. Agora entendia o peso de tudo aquilo.

“Então era assim que ela se sentia quando eu dizia aquelas coisas?”, perguntou-se em pensamento, com o coração despedaçado. E, pela primeira vez, percebeu que todo o desprezo que agora recebia era merecido.

Ele ficou ali por tanto tempo que perdeu completamente a noção das horas. O sol já havia mudado de posição, e a luz que entrava pela janela desenhava sombras longas sobre a mesa. Só voltou a si quando ouviu o som da porta se abrindo.

Levantou a cabeça, enxugando às pressas o rosto com as costas das mãos, tentando apagar os vestígios do choro. Mas era tarde demais. Tom entrou, fechou a porta com calma e o observou em silêncio por alguns segundos, com uma expressão de falsa compaixão.

Henri tentou recompor o semblante, endireitando a postura.

— Senti a sua falta — disse Tom, caminhando até ele com passos tranquilos. — Imaginei que estivesse resolvendo alguma coisa importante.

Sentou-se ao lado do amigo, cruzando as pernas com naturalidade, mas o olhar atento denunciava que sabia mais do que dizia.

Tentando parecer indiferente, Henri desviou o olhar, mas Tom já tinha presenciado tudo. Ele não fazia ideia, mas enquanto discutia com Catarina naquela sala, o outro estava no canto da porta, observando discretamente e ouvindo cada palavra com um sorriso divertido no rosto.

Agora, diante dele, Tom mantinha a seriedade de sempre, mas nos olhos havia um brilho diferente: o de quem havia acabado de descobrir algo que poderia usar a seu favor.

— Posso saber o que aconteceu? — perguntou, com um falso tom de preocupação, inclinando-se ligeiramente para frente. — Por que não apareceu na reunião?

Henri respirou fundo, evitando encará-lo diretamente. Passou a mão pelos cabelos, tentando manter o controle da voz.

— Não me senti bem… — murmurou. — Achei melhor não ir.

Descrente, Tom arqueou uma sobrancelha.

— Não me senti bem? — repetiu, com um leve sorriso. — Qual é! Você não tem uma desculpa melhor para inventar?

A ironia do amigo o pegou desprevenido, de modo que não soube o que responder.

— Deixe-me adivinhar… a ruivinha, certo? — disse, cruzando os braços. — Catarina.

Já sem forças para fingir, Henri ergueu o olhar.

— Ela não sabia que eu era sócio daqui — explicou, passando a mão pelo rosto, exausto. — Então, preferi não aparecer para não causar nenhum choque, mas, pelo visto, ela descobriu antes de eu poder contar a verdade.

Tom se recostou na cadeira, observando-o em silêncio por alguns segundos antes de responder:

— Compreendo… — disse, cruzando os braços. — Mas, olha, não quero parecer rude, Henri, só que você acabou perdendo uma reunião importante por uma besteira.

Sabia que o amigo estava certo.

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