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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 392

Depois da conversa que tiveram, o clima entre Henri e Catarina ficou mais frio do que a ponta do Everest. Cada vez que se cruzavam pelos corredores do resort, ela fazia questão de manter a distância, limitando-se a um aceno educado ou, quando não havia escapatória, a trocar apenas o indispensável sobre assuntos de trabalho.

Para ela, agir assim era uma forma de se proteger. Para ele, cada silêncio era uma punição. Henri sentia o peso daquela indiferença como um golpe diário, o olhar dela, antes doce, agora passava por ele como se fosse o de uma estranha.

Aquilo o consumia por dentro. Às vezes, trancava-se no escritório apenas para evitar vê-la circulando pelo saguão, e em outras, pegava-se observando de longe, como quem tenta entender onde havia perdido a chance de recomeçar.

O sofrimento era tanto que começou a pensar em desistir de tudo, em voltar para a fazenda, abandonar o resort e a sociedade com Tom. No início, havia ido até aquele lugar para tentar espairecer, respirar novos ares, esquecer as dores antigas. Mas, ironicamente, o que encontrou ali foi o contrário: o passado que mais queria deixar para trás.

Além de todo aquele sofrimento que o corroía em silêncio, havia algo ainda pior: a proximidade crescente entre Catarina e Tom. Henri sentia aquilo como uma tortura lenta e constante. Quantas vezes já não os havia flagrado conversando distraidamente pelos corredores ou no café do resort, trocando sorrisos e rindo de assuntos banais?

E, sempre que percebiam sua presença, o clima mudava. Os dois disfarçavam, ela desviava o olhar e fingia arrumar algo, enquanto Tom, com o mesmo ar confiante de sempre, fazia algum comentário neutro, como se nada tivesse acontecido.

Mas Henri via. Ele percebia cada gesto, cada olhar, cada riso que não precisava de palavras. E aquilo o consumia.

A raiva começou a crescer dentro dele, não só por ciúme, mas por traição. Tom sabia o que ele sentia por Catarina. Sabia o quanto aquela história o afetava. E mesmo assim, agia como se nada disso importasse, como se os sentimentos do amigo fossem apenas um detalhe irrelevante diante de sua vaidade e do prazer de provocar.

Henri começou a evitá-los, mas, quanto mais tentava se afastar, mais a dor o perseguia. A cada dia, tornava-se mais difícil fingir que aquilo não o afetava.

Um dia antes do coquetel de inauguração do resort, ele deixou o escritório mais cedo, tentando encontrar algum sossego no silêncio da tarde. Mas, ao atravessar o saguão, o destino lhe pregou mais uma peça. Do lado de fora, avistou Tom caminhando em direção ao estacionamento, acompanhado de Catarina. Os dois conversavam e riam com naturalidade, ela parecia à vontade, e ele, satisfeito.

Parando onde estava, sentiu um aperto estranho no peito. Observou-os se aproximarem do veículo de Tom, e quando ela entrou no banco do passageiro, algo dentro dele simplesmente desabou.

Mordeu os lábios com força, tentando se conter, mas a curiosidade, ou na verdade o ciúme, foi mais forte. Sem pensar duas vezes, pegou as chaves do próprio carro e os seguiu, mantendo uma distância segura.

O coração batia descompassado. A cada farol, ele temia ser reconhecido, mas a necessidade de saber para onde estavam indo era maior que o bom senso.

Tom dirigia tranquilamente, cruzando avenidas movimentadas, enquanto o trânsito da cidade se tornava um pano de fundo para o redemoinho dentro de Henri.

Após alguns minutos, viu o carro do amigo estacionar em frente a uma loja de luxo, especializada em artigos femininos.

Ciúme 1

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