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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 393

O dia do coquetel finalmente chegou, e com ele o resort estava em plena efervescência. Funcionários corriam de um lado para o outro, arrumando os últimos detalhes: taças de cristal sendo alinhadas sobre as mesas, flores decorando o saguão, a orquestra afinando os instrumentos. Tudo precisava estar impecável para a inauguração, a noite que marcaria o início oficial do Cabanna Resort.

Henri, no entanto, não conseguia compartilhar do mesmo entusiasmo. Observava de longe toda aquela movimentação com o semblante cansado, sentindo-se deslocado em meio à própria conquista.

Com vergonha de admitir o que estava sentindo e principalmente de deixar transparecer o quanto a presença de Catarina o afetava, ele não teve coragem de convidar os pais para o evento. Sabia que, se estivessem ali, perceberiam imediatamente o seu estado. E, mais do que isso, tentariam convencê-lo a voltar para São Caetano, argumentando que aquele investimento já havia lhe custado o suficiente.

Suspirou, ajeitando o paletó diante do espelho. O reflexo mostrava um homem elegante, pronto para uma noite de celebração, mas por dentro, ele se sentia vazio. O brilho do sucesso parecia não ter o menor sentido quando o coração estava em ruínas.

Quando saiu do quarto e começou a caminhar pelo corredor que levava ao salão principal, o som distante das vozes e da música já anunciava o início da noite. O ambiente estava repleto de elegância, o brilho das luzes, o perfume das flores e o murmúrio de convidados importantes. Mas tudo isso perdeu o sentido no instante em que ele a viu.

Catarina estava parada próxima à entrada do salão, conversando discretamente com uma das recepcionistas. Usava o mesmo vestido que Tom havia escolhido no dia anterior e, se na loja ela já lhe parecera linda, agora estava simplesmente deslumbrante.

O tecido acompanhava cada movimento de seu corpo, e os cabelos ruivos, levemente ondulados, caíam sobre os ombros em uma moldura perfeita para o rosto delicado. A maquiagem sutil realçava o verde dos olhos, que pareciam ainda mais intensos sob as luzes douradas do salão.

Henri sentiu o coração errar o compasso. Por um segundo, tudo o que desejou era que ela estivesse ali por ele, e não como acompanhante do seu sócio.

Respirou fundo, tentando recuperar o controle, e se aproximou devagar.

— Boa noite, Catarina — a cumprimentou.

Ela, distraída, demorou um instante para perceber sua presença. Quando finalmente o viu, seus olhos se detiveram nele por alguns segundos, como se tentassem decifrar algo.

— Boa noite, senhor Caetano — respondeu, num tom educado, porém distante.

Aquela formalidade soou como uma barreira entre eles, uma barreira que ele queria derrubar, mas não sabia mais se tinha o direito de tentar.

— Você está linda — arriscou a dizer, mesmo que sua voz tenha saído num sussurro.

Ela respirou fundo antes de responder, mantendo o tom sereno e formal.

— Obrigada pelo elogio, senhor.

Henri olhou para a moça que estava ao lado dela e, com um gesto discreto, pediu que os deixasse a sós. Assim que a funcionária se afastou, ele voltou o olhar para Catarina, sentindo o coração acelerar.

— Sei que disse que quer manter distância — começou, tentando não desabar de emoção —, mas eu não consigo. — Deu um passo à frente, sem tirar os olhos dela. — Eu não posso fingir que não te conheço, porque você… é a pessoa que habita a minha mente e o meu coração o tempo todo.

As palavras escaparam com sinceridade, e Catarina sentiu o chão vacilar por um instante. A declaração a pegou completamente de surpresa. O olhar dela tremeu, e por um momento, não soube onde fixar os olhos, desviou para o chão, para o salão, para qualquer ponto que não fosse aquele olhar intenso que a deixava vulnerável.

Ela engoliu em seco, tentando manter a compostura. As mãos tremiam levemente, então as uniu diante do corpo, como se o gesto pudesse esconder o nervosismo que a dominava.

— Henri… — começou, tentando não deixar que a voz ficasse trêmula.

— Eu te perdi por culpa minha — confessou, num fio de voz. — Mas eu te quero de volta, Catarina. Me deixe te provar que estou sendo sincero pelo menos uma vez na vida?

Ela cerrou os lábios, respirando fundo para não se deixar levar. O peito doía, a vontade de chorar a sufocava, mas ela sabia que não podia ceder.

— Por favor, não torne isso mais difícil do que já é — pediu, quase em súplica. — Nada do que disser vai me convencer e me fazer esquecer do que fez. Eu preciso seguir em frente… e você também.

Ela deu as costas, pronta para se afastar, mas antes ele insistiu.

— Quando você diz seguir em frente… por acaso está se referindo ao Tom?

Catarina parou, respirou fundo, ponderando antes de se virar lentamente para encará-lo.

— E se for? — perguntou. — O que você tem a ver com isso?

— Ele é um idiota, Catarina! — exclamou, mais alto do que pretendia. — Não vai te dar o valor que você merece.

Ela soltou uma risada seca, amarga, que fez o coração dele apertar ainda mais.

— Não tema por mim, Henri. Aprendi a reconhecer um idiota de longe… e foi você quem me ensinou.

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