Ao vê-la se afastar, Henri sentiu o peito arder. Fechou o punho com força e o levou à boca, mordendo-o, como se aquele gesto pudesse conter a raiva e o desespero que o dominavam. Queria desaparecer dali, sumir de uma vez por todas, mas sabia que não podia, não enquanto Catarina ainda estivesse nas mãos de Tom.
Inspirou fundo, tentando se recompor, quando ouviu passos ecoando pelo corredor. Levantou o olhar e viu o sócio se aproximando, com o sorriso satisfeito estampado no rosto e a autoconfiança de sempre no andar.
— Ora, ora… — disse Tom, ajeitando o paletó com um ar triunfante. — Enfim, a nossa noite chegou, meu amigo.
Aproximou-se ainda mais e pousou a mão sobre o ombro de Henri, em um gesto que soou mais provocação do que camaradagem. Henri permaneceu imóvel, com os maxilares travados, enquanto o ódio e a frustração se misturavam dentro dele.
— Sim, tudo parece estar perfeito — respondeu, forçando um sorriso e tentando disfarçar o tremor na voz.
O olhar, no entanto, o traía. Por mais que tentasse parecer tranquilo, o aperto no peito e a raiva contida faziam seus músculos tensionarem. Fingir serenidade diante de Tom exigia mais autocontrole do que qualquer negociação que já tivera na vida.
— É assim que deve ser — disse o amigo, satisfeito, sem perceber, ou fingindo não perceber, o esforço de Henri para se manter impassível. — Esse é o começo do nosso sucesso.
Henri apenas assentiu, mantendo o disfarce, enquanto por dentro lutava para não deixar transparecer o quanto tudo aquilo o abalava.
— Então vamos apenas aproveitar — disse ele, virando o rosto e fazendo menção de sair dali. Queria encerrar a conversa antes que perdesse a calma.
Mas Tom, como sempre, insistiu.
— Não vi ninguém da sua família por aqui — comentou, com o tom casual de quem sabe exatamente onde cutucar. — Por acaso eles não virão?
Henri respirou fundo e manteve o sorriso diplomático.
— Infelizmente, não puderam vir — mentiu com naturalidade. — Mas vou fazer questão de registrar tudo e enviar para eles.
— Que pena… — lamentou. — Tenho certeza de que estariam orgulhosos.
Henri apenas assentiu, tentando se afastar mais uma vez, mas a voz do amigo o deteve de novo.
— E quem será a sua companhia essa noite? — perguntou, deixando o sorriso voltar ao rosto, agora carregando o mesmo ar presunçoso de sempre.
Mordendo os lábios antes de responder, Henri forçou um sorriso, tentando manter o tom leve.
— Não sei… — disse, com uma calma estudada. — Estou aberto a conhecer pessoas essa noite.
A resposta pegou Tom desprevenido. Por um breve instante, a expressão dele mudou, surpresa, seguida rapidamente por um sorriso debochado.
— Boa sorte, então — disse, ajeitando o cabelo com as mãos e o olhar carregado de ironia. — Eu vou indo nessa. A Catarina deve estar me esperando e, com toda essa animação da noite, sinto que muitas coisas boas estão vindo por aí.
Deu um leve tapinha no ombro de Henri e saiu, satisfeito consigo mesmo.
Henri ficou imóvel, observando o amigo se afastar pelo corredor. O som da música vindo do salão misturava-se ao peso do silêncio que o cercava. Por mais que tentasse se convencer de que precisava estar no controle, a sensação de estar perdendo tudo o sufocava.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...