— Tom, acho melhor voltarmos para o salão — disse Catarina, tentando se afastar, porém foi em vão; ele era mais forte e apertou sua cintura com ainda mais força.
— Vamos, Catarina — disse ele, cheio de arrogância e embriaguez. — Deixe de fingir que não sabe o que eu vim buscar. — Um sorriso cínico surgiu em seus lábios. — Não se faça de difícil. Eu sempre consigo o que quero.
O olhar dele era invasivo, dominador, e o cheiro forte de álcool tornava tudo ainda mais sufocante.
Ofendida com aquelas palavras, Catarina reagiu instintivamente, o empurrou com força, dando um passo para trás, indignada. Antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, a mão dela se ergueu com dureza, e o estalo seco da bofetada ecoou no ar.
Surpreso, Tom recuou, levando a mão ao rosto, enquanto ela o encarava com os olhos marejados de raiva e repulsa.
— Você deve estar me confundindo com uma qualquer, mas eu não sou esse tipo de mulher. Então é melhor me respeitar! — disparou, com a voz alta o bastante para se fazer ouvir mesmo com o som distante da festa.
Tom a encarou, e por um breve instante, ela acreditou que suas palavras o fariam recuar. Mas o que veio em seguida foi um sorriso cínico, torto, carregado de deboche.
— Vai mesmo se fazer de difícil, depois de ter aceitado meus presentinhos? — zombou, com a voz arrastada pela bebida, referindo-se à roupa e à gargantilha que ela usava.
— Eu disse que não precisava de nada seu — retrucou, com o olhar faiscando de indignação. — Só aceitei essa roupa porque você insistiu, dizendo que eu precisava estar à altura do evento.
Tom soltou uma risada baixa, cheia de ironia.
— Está bem… — disse, inclinando levemente a cabeça, com um ar provocador. — Eu finjo que acredito nisso.
O tom dele era carregado de desprezo, e aquilo fez o sangue dela ferver. Ela deu um passo para trás, sentindo o coração acelerado, mas manteve o queixo erguido, determinada a não deixar que ele a intimidasse.
— Se faz tanta questão disso aqui, eu vou devolvê-lo agora mesmo — disse ela, segura, embora o coração lhe batesse acelerado.
Antes que Tom pudesse reagir, ela levou as mãos ao pescoço, retirou a gargantilha e a jogou no chão. Em seguida, movida pela raiva e pelo orgulho ferido, começou a soltar os fechos do vestido.
Tom arregalou os olhos, surpreso.
— O que está fazendo? — perguntou, incrédulo, sua voz subitamente pareceu ficar sóbria.
— Estou devolvendo o preço da sua arrogância, Tom. Porque eu não estou à venda.
O vestido deslizou por seus ombros até cair ao chão, e ela, vestida apenas com as roupas íntimas, o encarou sem demonstrar vergonha, apenas repulsa. Pegou o vestido e o atirou contra o rosto dele.
— Eu não preciso de nada disso! — disse, quase gritando. — Nem das suas roupas, nem do seu trabalho.
[…]
A simples ideia o fez cerrar os punhos. Imaginá-los sozinhos, dentro do carro, naquela hora da noite, com Tom provavelmente embriagado e sendo quem era, fazia o sangue de Henri ferver.
O ciúme o consumia como fogo. O coração batia acelerado, e a cada pensamento, o desespero de que algo pudesse acontecer o empurrava ainda mais para o limite.
Tentando se controlar, decidiu sair do salão antes que fizesse algo impensado. O ar ali dentro parecia pesado demais, sufocante. Caminhou apressado pelos corredores até alcançar a área externa, onde o som das ondas quebrando suavemente na praia trazia um pouco de calma à mente em turbulência.
Respirou fundo, deixando que o vento noturno lhe refrescasse o rosto. O aroma salgado do mar e o murmúrio constante das águas o ajudavam a recobrar a lucidez, ao menos por alguns instantes.
Continuou andando pela areia úmida, sem rumo certo, apenas tentando afastar os pensamentos que o consumiam. No entanto, o destino, cruel como sempre, decidiu pôr fim àquele breve momento de paz.
De longe, ele avistou duas silhuetas próximas a um dos pergolados de madeira. Estavam em meio à penumbra, mas o movimento dos corpos e o tom alterado das vozes chamaram sua atenção. O coração começou a bater mais forte, um pressentimento gelado lhe subiu pela espinha.
Apressou o passo, e quanto mais se aproximava, mais o sangue parecia lhe fugir do rosto.
Quando enfim pôde ver com nitidez, o choque o paralisou.
Era Catarina. E o pior, ela estava seminua, vestida apenas com as peças de baixo.
Por um momento, ele sentiu as pernas fraquejarem. A cena diante de seus olhos o atingiu como um soco, misturando espanto, fúria e um medo profundo do que aquilo realmente significava.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...