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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 397

Mesmo que seus olhos o traíssem, dizendo que o que via poderia ser algo consensual, percebeu de imediato que algo estava errado. Por isso, o seu instinto falou mais alto do que qualquer razão.

De onde estava, ele viu Catarina atirar o vestido em Tom, com uma expressão indignada.

— Me respeite! — Ela gritou.

Tom, porém, apenas riu, um riso debochado, cheio de arrogância.

— Pare de se fazer de difícil — zombou, balançando a cabeça. — Se você caiu nas garras do Henri, é porque fica com qualquer um.

As palavras ecoaram como um trovão na mente de Henri. Em um segundo, o sangue lhe ferveu, e a fúria que o havia consumido mais cedo voltou com uma força avassaladora. Não pensou, não hesitou, apenas agiu.

Avançou com passos apressados, e quando Tom notou sua presença, já era tarde demais. O soco veio frio, preciso e o som do impacto foi alto.

Tom cambaleou e caiu no chão, atordoado, com o sangue escorrendo pelo canto da boca.

— O que você pensa que está fazendo com ela, hein?! — rugiu Henri, tomado por ódio e desprezo. — Eu te avisei, Tom! Eu te disse para não tocar num fio de cabelo dela! Como teve coragem?

Ao ouvir a voz dele, Catarina sentiu o coração quase parar. A raiva que vira antes agora dava lugar a algo completamente diferente.

— Henri… — murmurou, ainda atônita, sem saber se o que sentia era gratidão ou medo pelo que ele poderia estar pensando.

Henri respirava com dificuldade, o peito subia e descia de raiva. Ainda ofegante pelo golpe, ele desviou o olhar de Tom, que permanecia no chão, atordoado e sem reação, e voltou-se para Catarina.

Quando a viu tremendo, vulnerável, o instinto tomou o controle. Sem dizer uma palavra, começou a desfazer os botões do terno e o tirou dos ombros. Em poucos segundos, envolveu o corpo dela com o tecido quente, cobrindo-a com cuidado, como se aquele gesto fosse uma forma de protegê-la do mundo inteiro.

— Está tudo bem — murmurou, com a voz rouca, tentando soar calma. — Eu estou aqui agora.

Catarina olhou para ele, ainda ofegante, e sentiu o coração pulsar com força dentro do peito. O toque das mãos dele ao ajeitar o casaco em seus ombros lhe transmitia uma segurança que há muito não sentia.

O olhar dele, antes tomado pela fúria, agora era de pura preocupação. Ela não precisou ouvir mais nada para entender o que havia por trás daquela atitude, não era apenas raiva ou impulso, era cuidado, era sentimento.

— Você está bem? — Ele perguntou, preocupado.

Ela tentou responder, mas o choque ainda a dominava. Apenas assentiu, incapaz de articular palavras. Ele notou o tremor leve nas mãos dela, o olhar perdido, e soube que precisava tirá-la dali imediatamente.

— Vem comigo, vamos sair daqui — disse com suavidade, mas em tom de quem não deixava espaço para discussão.

Mais uma vez, ela assentiu. Henri segurou a mão dela com cuidado, guiando-a para longe daquele cenário. Antes de darem o primeiro passo, porém, ele se virou para Tom, que ainda estava caído no chão, atordoado.

Então, ele decidiu conduzi-la até o estacionamento, onde o carro dele estava parado. Abriu a porta do passageiro e esperou que ela entrasse, sempre atento, como se cada pequeno gesto dela merecesse cuidado. Quando Catarina se acomodou, ele fechou a porta e contornou o veículo, assumindo o volante.

O silêncio entre os dois era denso, quebrado apenas pelo som do motor e do mar ao fundo.

— Para onde você quer ir? — perguntou, lançando-lhe um olhar rápido.

Hesitante, Catarina abaixou a cabeça. Pensou em ir para casa, mas a vontade de ficar mais um pouco perto dele não deixava que a resposta saísse. As lágrimas ameaçaram vir, e ela apenas balançou a cabeça, murmurando:

— Qualquer lugar…

Percebendo que ela também não queria ir para casa, ele apenas assentiu.

— Tudo bem — murmurou, com o olhar fixo na estrada à frente. — Eu sei de um lugar.

Naquele momento, ela não hesitou. Sentiu-se protegida ao lado dele, envolta por uma paz que há muito não experimentava. O medo, o desconforto e até a vergonha pareciam se dissipar aos poucos, substituídos por uma sensação estranha, porém reconfortante.

Catarina encostou a cabeça no vidro, observando as luzes da cidade ficarem para trás, e desejou, do fundo do coração, que aquele sentimento não fosse embora.

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