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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 398

Henri dirigiu por algumas horas, com o olhar fixo na estrada escura que se estendia à frente, enquanto o silêncio entre eles se tornava quase confortável. O leve balanço do veículo embalava Catarina, que observava a paisagem mudar pela janela.

Quando a madrugada já começava a dar lugar ao primeiro sinal de claridade, ele reduziu finalmente a velocidade e virou por uma estrada mais estreita, cercada por árvores altas e iluminada apenas pelos faróis.

Poucos minutos depois, o carro parou diante de uma pequena casa de campo, simples, mas acolhedora, cercada por um jardim ainda úmido pelo orvalho.

— Chegamos — disse ele, virando-se para ela com um meio sorriso cansado.

Meio sonolenta, Catarina ergueu o olhar, observando o lugar com curiosidade. A luz fraca dos postes iluminava a fachada simples da pequena casa cercada por árvores.

— Quem mora aqui? — perguntou, curiosa.

— Ninguém — respondeu Henri, enquanto abria a porta do carro e saía. Deu a volta com calma e abriu a porta para ela, estendendo a mão para ajudá-la a sair. — Aluguei esse lugar há algumas semanas. Estava planejando ficar por aqui depois da inauguração do resort.

Ela o observou por um instante, surpresa com a sinceridade em seu tom. O ar frio da madrugada tocou seu rosto, e o silêncio do campo, quebrado apenas pelo canto distante de um grilo, trouxe uma sensação de tranquilidade que há muito não sentia.

Henri deu um pequeno sorriso e completou:

— Com toda a movimentação que aquele lugar vai ter, acho que não será um bom local para morar — comentou.

Catarina o olhou por alguns segundos, sem saber o que responder. Havia algo na voz dele, um cansaço misturado à sinceridade, que a fez entender que aquele refúgio significava mais do que ele deixava transparecer.

— Venha, vamos entrar — disse ele em tom sereno. — Está frio demais aqui fora.

Segurando a mão dela com cuidado, ele a guiou até a porta. O toque era firme, mas delicado, como se temesse que ela recuasse a qualquer instante. Tirou as chaves do bolso, colocou uma delas na fechadura e girou, até que um leve estalo anunciou a abertura.

Quando a porta se abriu, um ar morno escapou do interior da casa. Ele acendeu as luzes, revelando uma pequena sala aconchegante. Havia um sofá de tecido claro, uma lareira antiga de pedra e uma estante com alguns livros.

O ambiente era simples, mas parecia o tipo de lugar que convidava ao descanso após uma noite difícil.

— Não é muito, mas é confortável — disse ele, abrindo espaço para que ela entrasse primeiro.

Ainda assim, o medo persistia. Temia que tudo não passasse de uma ilusão criada pelo seu coração cansado, um eco do sentimento que, apesar de tudo, ainda não havia conseguido esquecer.

— Se concentra, Catarina! — sussurrou para si mesma, dando um leve tapa na testa. — Não se deixe levar por suas emoções tolas.

Respirou fundo, tentando afastar o turbilhão de pensamentos que insistia em voltar. Assim que sentiu o coração mais calmo, levantou-se e caminhou até o banheiro. A água quente caiu sobre seu corpo, lavando não só o cansaço, mas também o peso daquela noite. Tirou cada resquício da maquiagem que havia feito para o coquetel, como se quisesse apagar também tudo o que havia acontecido desde então.

Quando terminou, enrolou-se na toalha e foi até a cômoda. Abriu as gavetas, encontrando algumas roupas de Henri: camisas de tecidos diferentes, algumas finas, outras grossas e aconchegantes. Escolheu uma grande, que em seu corpo delicado mais parecia um vestido. Vestiu-a, penteou o cabelo ainda úmido e fez uma trança simples, deixando algumas mechas soltas ao redor do rosto.

Sentindo-se um pouco mais leve, saiu do quarto em silêncio, com os pés descalços tocando o piso frio. Seguiu o som que vinha da cozinha.

Henri estava de costas, concentrado em algo no fogão, o cheiro de café recém-passado misturado ao de algo cozinhando preenchia o ar. Quando ele se virou, seus olhos se encontraram e, por um instante, o tempo pareceu parar.

Ela, com a camisa dele que caía solta sobre os ombros, o cabelo trançado e o rosto limpo, irradiava uma beleza serena e natural. Henri ficou imóvel, com o olhar preso nela, como se o simples fato de vê-la ali, vestindo algo seu, fosse suficiente para desarmá-lo por completo.

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