Catarina notou o olhar demorado dele e, por um instante, o ar pareceu rarear entre os dois. O modo como ele a observava, com o olhar de desejo reprimido, fez algo dentro dela estremecer.
Sem querer, seus pensamentos começaram a voar, arrastando-a para o passado, para uma lembrança que ainda vivia viva demais em sua memória.
Lembrou-se da casa de praia dos pais dele, o som das ondas quebrando ao longe, o cheiro do sal misturado ao vento quente do entardecer. Recordou o olhar dele naquele quarto, tão parecido com o de agora: intenso, hipnotizado.
Foi ali, naquele lugar, que se entregou pela primeira vez. O toque incerto, os corações acelerados…
Agora, de pé diante dele, com aquela lembrança latejando em sua mente, Catarina sentiu o coração apertar. Era como se o tempo tivesse voltado e, por um instante, o passado e o presente se confundissem, trazendo à tona tudo o que ela jurara nunca mais deixar acontecer.
— Estou preparando algo para comermos — disse ele, engolindo em seco, tentando disfarçar o embaraço depois de perceber que seu olhar podia tê-la deixado desconfortável.
— Que bom… — respondeu Catarina, com um sorriso tímido, desviando o olhar. — Estou com muita fome.
Henri riu de leve, voltando-se para o fogão.
— Eu não sou muito bom na cozinha — admitiu, mexendo distraidamente na panela —, mas prometo que vai dar para comer.
Ela o observou por um instante, encostando-se no batente da porta, cruzados os braços sobre o corpo coberto pela camisa dele.
— Sinceramente, nunca imaginei que você soubesse fazer algo na cozinha — comentou ela em tom leve, quase brincalhão, tentando disfarçar o quanto o ambiente entre eles estava carregado de lembranças.
Sem desviar os olhos da panela, Henri sorriu de canto.
— Eu também não sabia — respondeu, mexendo o conteúdo com calma. — Mas depois que fui morar sozinho lá na casa da vila, tive que aprender a me virar.
Surpresa com a confissão, Catarina franziu o cenho.
— Você continuou morando lá? — perguntou, não conseguindo conter uma pontada de curiosidade.
Ele assentiu, sem disfarçar a melancolia no olhar.
— Continuei… De alguma forma, me apeguei àquele lugar de um jeito que não consegui deixá-lo. Era como se, toda vez que eu estivesse ali, esperasse que algo acontecesse… talvez um milagre, talvez apenas um sinal de que ainda não era o fim.
As palavras dele ficaram suspensas no ar, pesadas, cheias de significado. Catarina baixou o olhar, sentindo um aperto no peito. Não esperava que ele tivesse ficado ali, preso entre o passado e as lembranças de algo que também doía nela.
Sem saber exatamente o que dizer, Catarina apenas assentiu e tentou mudar de assunto.
— Você quer ajuda? — perguntou, dando alguns passos em direção a ele.
— Não precisa — respondeu com simplicidade. — Estou quase terminando.
Virou-se em seguida e caminhou até o armário, abrindo uma das portas para pegar alguns pratos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...