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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 400

Ao perceber que estava prestes a perder o controle de si mesmo, Henri respirou fundo e, num gesto rápido, puxou a louça das mãos de Catarina, virando-se em direção à pia. O som do prato tocando a superfície quebrou o silêncio que havia se instalado entre eles.

Catarina recuou um passo, surpresa com a mudança repentina. O coração ainda batia acelerado, e ela sentia o calor no rosto, como se o simples toque dele tivesse acendido algo que não deveria.

Ficou ali parada, observando-o de costas, lavando a louça, com movimentos quase tensos, como se aquilo fosse uma forma de conter o que realmente queria fazer.

Ela desviou o olhar, tentando se recompor, mas não conseguia afastar da mente o que tinha quase acontecido e a certeza de que, se ele não tivesse se afastado, talvez ela não tivesse encontrado forças para fazê-lo.

— Pode deixar que dou um jeito aqui — disse ele, evitando encará-la. — Pode ir descansar, aposto que está exausta.

Ela ficou alguns segundos parada, olhando para as costas dele. O clima havia mudado, e agora o ar parecia intenso demais.

Sem saber o que dizer, apenas assentiu, com um leve movimento de cabeça.

— Está bem… — murmurou, num tom quase inaudível.

Ele respondeu apenas com um aceno, sem se virar.

Então, ela deu alguns passos lentos, atravessando a pequena sala até desaparecer pelo corredor. Ao entrar no quarto, fechou a porta devagar e encostou-se nela, respirando fundo. Percebia o quanto seu coração ainda batia por ele e que naquele momento queria ficar para sempre naquele lugar.

Na cozinha, Henri terminou de lavar a louça, mas continuou parado diante da pia, as mãos apoiadas na borda, o olhar fixo em um ponto qualquer e o corpo tenso, denunciavam o quanto a sua mente estava completamente confusa.

A água escorria lentamente pelos dedos, mas ele nem percebia. Sentia-se dividido entre o arrependimento e o medo, arrependido por não ter se deixado levar naquele momento em que os dois estiveram tão próximos, e temeroso de que, se o fizesse, ela o afastasse de vez.

Suspirou, passando as mãos molhadas pelos cabelos. A lembrança do toque das mãos dela, da respiração entrecortada, do olhar que por um instante pareceu dizer mais do que palavras, o deixava atordoado.

Mas o medo… o medo era maior. O medo de que Catarina ainda o visse como o homem que a feriu, o mesmo que destruiu tudo o que havia entre eles.

Fechando os olhos, murmurou para si mesmo:

— Se eu tivesse me aproximado, talvez tudo tivesse acabado ali… e eu não suportaria perdê-la de novo.

Ficou assim por alguns minutos, imóvel, tentando se recompor, até que, enfim, desligou a luz da cozinha e seguiu lentamente para o quarto ao lado, com o coração pesado e a mente em um tumulto de sentimentos.

[…]

— Você está bem? — perguntou, preocupado.

— Sim, foi só uma pequena queimadura — respondeu, tentando minimizar o ocorrido.

Mas ele não se convenceu. Colocou a forma sobre a mesa e segurou a mão dela com delicadeza, examinando o dedo avermelhado.

— Eu vou cuidar disso.

Sem dar espaço para protestos, a guiou até a pia e abriu a torneira, deixando a água fria escorrer sobre a pele sensível. Catarina o observava, meio sem jeito, impressionada com o cuidado e a firmeza dos gestos dele.

— Já volto — disse, após alguns segundos, e saiu da cozinha.

Ela ficou ali, tentando acalmar o coração, e pouco depois ele retornou com uma pequena pomada e um curativo nas mãos. Sentou-se ao lado dela e, com todo o cuidado do mundo, aplicou a pomada sobre a pele, depois cobriu o machucado com o band-aid.

O toque dele era amoroso, quase reverente, e o silêncio que se formou entre os dois parecia dizer tudo o que as palavras não conseguiam. Quando levantou o olhar, Henri percebeu que ela o observava e novamente estavam próximos o bastante para sentir a respiração um do outro.

Seria aquela uma segunda chance para tentar o que havia reprimido mais cedo? — ele pensou, sentindo o coração bater com força dentro do peito.

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