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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 401

Percebendo que o olhar dele vacilava e que Henri parecia prestes a recuar, como fez mais cedo, Catarina agiu por instinto. Segurou a mão dele com mais força, firme o bastante para fazê-lo parar. O gesto foi simples e bastou para que ele a olhasse de novo, com os olhos marejados de desejo e medo.

Henri mordeu os lábios, lutando contra as palavras que insistiam em sair, até que, num sussurro rouco, cedeu.

— Catarina…

Seus olhos se encheram de expectativas.

— O que foi? — perguntou, com a voz trêmula.

Ele respirou fundo e confessou:

— Eu quero te beijar.

O tempo pareceu parar. A confissão a fez engolir em seco e, por um instante, ficou imóvel, sentindo o coração martelar no peito. O som da própria respiração era tudo o que conseguia ouvir. Havia uma parte dela que queria recuar — lembrar do passado, das feridas —, mas outra, mais forte, implorava para que ela simplesmente não o impedisse.

Sustentando o olhar dele, ela tomou coragem e perguntou:

— Então, por que não faz isso?

A pergunta o pegou completamente de surpresa. Por um instante, Henri ficou imóvel, sem saber se havia ouvido direito. Aquilo, sem dúvida, era uma brecha, um sinal claro de que ela o estava deixando se aproximar.

O coração dele disparou, e o instinto o empurrava a avançar, a encurtar a distância entre os dois. Mas, ao mesmo tempo, a consciência o puxava para trás, lembrando-lhe de tudo o que havia feito, de quanto a ferira, e de como, dessa vez, não podia errar.

Ele fechou os olhos por um breve instante, respirando fundo, tentando controlar o impulso. Quando voltou a encará-la, o olhar era de desejo, mas também de respeito.

— Porque… — começou, com a voz rouca. — Se eu fizer, quero que seja do jeito certo.

Em silêncio, Catarina o observava com o coração apertado, sem saber se admirava ou temia aquela nova versão dele, mais contida, mais madura, e, de alguma forma, ainda mais difícil de resistir.

— O que quer dizer com isso? — questionou, confusa.

— Quero dizer que não quero te beijar apenas por desejo — respondeu. — Quero te beijar porque te amo.

Fez uma breve pausa, respirando fundo, e repetiu, como se quisesse que ela acreditasse em cada sílaba:

— Eu te amo, Catarina.

Aquelas palavras caíram sobre ela como uma onda. Seu coração acelerou tanto que ela precisou apoiar a mão na mesa para se equilibrar.

— Então me deixa provar — pediu, num sussurro. — Me deixa te mostrar que dessa vez eu não vou te perder.

Ela o encarou, dividida entre a razão e o que sentia. O tempo pareceu se alongar entre eles, até que, sem dizer mais nada, Catarina balançou a cabeça assentindo e, naquele instante, Henri soube que talvez o milagre que esperava tivesse finalmente começado.

Sem perder tempo, ele ergueu a mão e a pousou suavemente sobre o rosto dela, seu polegar deslizou com delicadeza pela pele úmida. O toque foi tão leve, tão terno, que Catarina fechou os olhos instintivamente, permitindo-se sentir, como se naquele simples gesto houvesse mais verdade do que em qualquer palavra dita até então.

Com a outra mão, ele usou a ponta dos dedos para enxugar as lágrimas que insistiam em cair, traçando um caminho lento até o canto dos lábios dela.

— Eu prometo que nunca mais vou te fazer chorar… — sussurrou, mas com um tom que deixava claro o peso daquelas palavras. Não era apenas uma frase dita no calor do momento, era uma promessa, nascida do arrependimento e da vontade genuína de acertar dessa vez.

Ela manteve os olhos fechados, o coração disparado. Naquele momento, estava diante de tudo o que sempre esperou receber dele: o olhar, o toque, as palavras que por tanto tempo sonhou em ouvir. E, mesmo enquanto ele enxugava suas lágrimas com cuidado, ela não conseguiu contê-las. Porque era isso… era exatamente isso que sempre quis. Era tudo o que desejara no mundo: ser amada por ele, do jeito certo, do jeito que sempre mereceu.

Sem conseguir se conter por mais um segundo, Henri aproximou o rosto lentamente, até que a distância entre os dois desapareceu. Então, seus lábios encontraram os de Catarina num beijo amoroso, quase hesitante, como se temesse que o menor movimento pudesse quebrar aquele momento frágil e precioso.

No início, o beijo tinha um gosto salgado, resultado da mistura de suas lágrimas. Mas, à medida que os segundos passavam, a dor deu lugar a algo mais profundo, uma ternura que parecia apagar cada mágoa do passado.

Os dedos dele se perderam entre as mechas do cabelo dela, enquanto as mãos de Catarina subiram até o peito de Henri, sentindo o ritmo acelerado do coração dele contra as palmas.

Aquilo não era um sonho, era real… E ali, entre o arrependimento e o perdão, eles se reencontraram, não no passado, mas no amor que ainda os mantinha vivos.

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