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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 402

Quando se afastou do beijo, Catarina notou que Henri também chorava. As lágrimas desciam silenciosas, misturando-se ao sorriso contido que ele tentava manter. Aquela imagem tão sincera, tão humana, a desmontou completamente.

Era como se, em um único instante, todo o passado fosse lançado para bem longe e esquecido.

— Nunca imaginei que iria te ver assim — disse ela, enquanto observava as lágrimas escorrendo pelo rosto dele.

Henri tentou conter o choro, mas o olhar permanecia vulnerável, despido de qualquer orgulho.

— Nem eu — respondeu com um sorriso fraco. — Acho que o amor faz essas coisas com a gente.

— É sério mesmo quando diz que me ama? — perguntou, quase num sussurro, com medo da resposta e, ao mesmo tempo, ansiando por ouvi-la.

Henri a olhou nos olhos, sem hesitar, deixando que a sinceridade falasse antes mesmo das palavras.

— Com todo o meu coração — respondeu. — E, se for preciso, passo o resto da vida provando isso para você.

Catarina sentiu o ar lhe faltar por um instante. Era impossível duvidar, havia verdade em cada olhar, em cada gesto, em cada sílaba que saía dos lábios dele.

— Eu sempre esperei por esse momento — ela confessou, com o olhar marejado de emoção. — Sempre imaginei como seria ouvir isso vindo de você.

Henri sorriu com ternura e, sem dizer nada por um instante, segurou as mãos dela entre as suas. Olhou-as com carinho, como se fossem algo sagrado, e começou a beijá-las uma a uma, com a delicadeza de quem pedia perdão sem precisar de palavras.

— Me desculpe por te fazer esperar tanto tempo — murmurou, ainda com os lábios encostando suavemente em sua pele. — Se eu pudesse voltar atrás, faria tudo diferente, só para não precisar te perder para dar valor.

— Que tal esquecermos o passado? — sugeriu ela, enxugando as lágrimas com as costas das mãos. — Eu não quero mais pensar no que aconteceu.

Henri a observou em silêncio por alguns segundos, as palavras dela o atingiram como um bálsamo e um lembrete do quanto custou chegar até ali. Aproximou-se devagar, segurando novamente suas mãos.

— Se é isso que você quer, então o passado fica onde deve ficar: para trás.

Catarina assentiu, e um leve sorriso surgiu entre as lágrimas. Sentia que talvez fosse possível recomeçar, não como antes, mas de um jeito novo, onde as feridas não fossem o fim, e sim a prova de que ambos haviam aprendido a amar de verdade.

— Está com fome? — perguntou ela, tentando mudar de assunto e aliviar o clima.

— Sim, estou morrendo de fome.

— Ótimo — ela respondeu, deixando escapar um sorriso tímido. — Tomei a liberdade de usar a sua cozinha e preparei um bolo para nós.

Ele arqueou as sobrancelhas, surpreso.

— Um bolo? Então, é isso que estava cheirando tão bem mais cedo?

Ela assentiu, divertida.

— Exatamente. Espero que não se importe.

— Se for você quem preparou, posso apostar que vai ser o melhor bolo que já comi na vida.

Ela riu, balançando a cabeça, e aquele som leve, espontâneo, encheu a casa de alegria.

— Mas antes de comer, preciso tomar um banho — disse ele, afastando-se um pouco. — Acho que mereço estar um pouco mais apresentável para ficar ao seu lado.

Catarina arqueou as sobrancelhas, divertida.

— Quer mesmo falar sobre isso comigo… usando a sua camisa?

Percorrendo-a com o olhar, Henri soltou uma risada breve.

Apoiando uma das mãos na pia, Henri bufou.

— E o que exatamente você quer falar, Tom? — perguntou nervoso.

— Sobre o que aconteceu — respondeu o outro, com uma pausa curta. — Acho que… perdi o controle, e talvez eu tenha passado dos limites.

Sentindo o sangue ferver, Henri apertou os olhos.

— Talvez? — repetiu, com a voz cortante. — Você ainda tem dúvidas sobre o que fez ontem à noite?

— Me escuta, Henri… eu estava bêbado, acabei perdendo a linha — tentou se defender, com a voz trêmula do outro lado da linha.

Henri cerrou o maxilar, a paciência já estava se esgotando a cada palavra.

— Desde quando você perde o controle de suas ações quando bebe? — rebateu. — Me poupe, Tom.

O silêncio do outro lado foi imediato, mas Henri continuou, sem dar espaço para réplica:

— Para mim, você só está usando a sua embriaguez como desculpa pelos seus atos inapropriados. Você sabia exatamente o que estava fazendo, e se não fosse por mim, teria passado dos limites.

Tom respirou fundo, tentando manter o tom calmo.

— Eu sei que errei, mas você precisa entender…

— Não — o interrompeu. — O que preciso garantir é que você peça desculpas a Catarina, ou então, considere a nossa sociedade acabada. Está me ouvindo?

Do outro lado, Tom silenciou. E, naquele breve momento de quietude, Henri soube que suas palavras haviam acertado o ponto exato.

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