— Qual é, Henri, quer mesmo fazer uma tempestade por conta de um copo d'água? — provocou Tom, tentando soar despreocupado.
A fala foi a gota d'água. Henri fechou o punho com força, sentindo o sangue fervendo nas veias.
— Um copo d'água? — repetiu, deixando a voz tomada pela raiva. — Você acha mesmo que o que fez foi pouco?
Do outro lado da linha, o silêncio de Tom durou apenas um segundo antes que Henri continuasse, sem medir as palavras:
— Devia estar agradecido por eu não ter quebrado a sua cara ontem, está me ouvindo?
— Olha, calma — Tom tentou intervir, mais tenso agora. — Eu entendi que você e aquela garota tiveram algo no passado, mas não pode querer jogar fora tudo o que investimos juntos por conta de uma coisinha qualquer.
Henri cerrou os dentes, sentindo o peito arder.
— Coisinha qualquer? — Repetiu com desprezo. — Você está falando da mulher que eu amo, Tom. E ela é a mesma mulher que você tentou humilhar.
O silêncio do outro lado foi imediato, pesado, constrangedor.
— Você está cego por essa garota — retrucou Tom, deixando o tom arrogante voltar à voz. — Foi ela quem quis tirar a roupa, foi ela quem fez a cena toda. Eu não fiz nada demais, Henri. Você viu o que quis ver.
Henri ficou em silêncio por alguns segundos, o coração disparado, tentando processar aquelas palavras. Ele ainda não sabia exatamente o que havia acontecido entre os dois. Catarina não comentou nada sobre aquele momento, e ele não quis forçá-la a reviver aquilo.
Mesmo assim, conhecia bem Tom para saber quando ele tentava se esquivar de uma culpa. E, mais do que isso, conhecia Catarina o suficiente para entender que, se chegara a um ponto tão extremo, é porque havia sido levada ao limite.
Ele respirou fundo, tentando conter a raiva que crescia dentro de si.
— Se tem uma coisa que aprendi, Tom, é que pessoas como você sempre têm uma desculpa pronta.
— Eu posso ter meus erros, mas ela também teve os dela — disse, cheio de ironia. — E você precisa entender isso, Henri. Nenhum de nós é santo nessa história.
— Não me venha com esse discurso barato de dividir culpa — respondeu, firme. — Você passou dos limites, e não há desculpa que apague o que fez.
— Está mesmo disposto a jogar tudo para o alto por ela, não é? — provocou.
Henri olhou para o próprio reflexo no espelho, já decidido.
— Já joguei coisas demais fora, Tom. Essa é a única que eu não vou perder de novo.
Notando que o amigo não estava blefando, Tom retrocedeu. O tom provocador deu lugar a uma voz mais contida, quase resignada.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Até que Tom soltou um suspiro contido, como quem engole o orgulho.
— Entendido — respondeu, enfim, num tom mais baixo. — Vou procurá-la e pedirei perdão pelo ocorrido. Eu prometo que isso nunca mais vai acontecer.
Henri permaneceu em silêncio por alguns segundos, avaliando se acreditava ou não naquelas palavras. No fundo, sabia que o amigo só estava tentando se livrar da culpa e preservar a parceria que tinham.
— Espero que cumpra o que está dizendo, Tom — respondeu, com a voz mais fria do que nunca. — Porque se eu souber que tentou se aproximar dela novamente, nem o seu pedido de perdão vai te salvar das consequências.
Henri desligou o telefone sem dizer mais nada. Ficou parado por alguns segundos, encarando o próprio reflexo no espelho do banheiro. O coração ainda batia acelerado, mas, pela primeira vez em muito tempo, sentiu que havia dito tudo o que precisava ser dito e, sobretudo, que estava disposto a lutar por Catarina, custasse o que custasse.
Tentando controlar a tensão que ainda fervia dentro de si, colocou o celular de volta sobre a pia e começou a se despir em silêncio. As mãos tremiam levemente, e o peso da conversa com Tom ainda ecoava em sua mente.
Caminhou até o box e ligou o chuveiro, deixando a água cair sobre o corpo, quente o suficiente para aliviar o cansaço e as emoções. Fechou os olhos, permitindo que o som constante da água abafasse os pensamentos e, por alguns instantes, lhe desse paz.
De repente, o som da porta se abrindo o tirou do transe. Ele se virou, surpreso, e seus olhos se encontraram com os de Catarina. Ela estava ali, parada à porta, com o olhar nervoso, como se lutasse contra algo dentro de si.
Antes que falasse qualquer coisa, ela se aproximou, tirou a camisa que usava e entrou no box, dizendo:
— Você demorou… achei que estava precisando de ajuda.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...