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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 403

— Qual é, Henri, quer mesmo fazer uma tempestade por conta de um copo d'água? — provocou Tom, tentando soar despreocupado.

A fala foi a gota d'água. Henri fechou o punho com força, sentindo o sangue fervendo nas veias.

— Um copo d'água? — repetiu, deixando a voz tomada pela raiva. — Você acha mesmo que o que fez foi pouco?

Do outro lado da linha, o silêncio de Tom durou apenas um segundo antes que Henri continuasse, sem medir as palavras:

— Devia estar agradecido por eu não ter quebrado a sua cara ontem, está me ouvindo?

— Olha, calma — Tom tentou intervir, mais tenso agora. — Eu entendi que você e aquela garota tiveram algo no passado, mas não pode querer jogar fora tudo o que investimos juntos por conta de uma coisinha qualquer.

Henri cerrou os dentes, sentindo o peito arder.

— Coisinha qualquer? — Repetiu com desprezo. — Você está falando da mulher que eu amo, Tom. E ela é a mesma mulher que você tentou humilhar.

O silêncio do outro lado foi imediato, pesado, constrangedor.

— Você está cego por essa garota — retrucou Tom, deixando o tom arrogante voltar à voz. — Foi ela quem quis tirar a roupa, foi ela quem fez a cena toda. Eu não fiz nada demais, Henri. Você viu o que quis ver.

Henri ficou em silêncio por alguns segundos, o coração disparado, tentando processar aquelas palavras. Ele ainda não sabia exatamente o que havia acontecido entre os dois. Catarina não comentou nada sobre aquele momento, e ele não quis forçá-la a reviver aquilo.

Mesmo assim, conhecia bem Tom para saber quando ele tentava se esquivar de uma culpa. E, mais do que isso, conhecia Catarina o suficiente para entender que, se chegara a um ponto tão extremo, é porque havia sido levada ao limite.

Ele respirou fundo, tentando conter a raiva que crescia dentro de si.

— Se tem uma coisa que aprendi, Tom, é que pessoas como você sempre têm uma desculpa pronta.

— Eu posso ter meus erros, mas ela também teve os dela — disse, cheio de ironia. — E você precisa entender isso, Henri. Nenhum de nós é santo nessa história.

— Não me venha com esse discurso barato de dividir culpa — respondeu, firme. — Você passou dos limites, e não há desculpa que apague o que fez.

— Está mesmo disposto a jogar tudo para o alto por ela, não é? — provocou.

Henri olhou para o próprio reflexo no espelho, já decidido.

— Já joguei coisas demais fora, Tom. Essa é a única que eu não vou perder de novo.

Notando que o amigo não estava blefando, Tom retrocedeu. O tom provocador deu lugar a uma voz mais contida, quase resignada.

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