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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 405

Deitado na cama, Henri permanecia desperto, incapaz de tirar os olhos de Catarina. A luz que entrava pela janela desenhava sombras delicadas sobre o rosto dela, e ele a observava como quem contemplava algo raro, precioso.

Ela dormia tranquila, com o semblante sereno, seus lábios estavam entreabertos em um leve suspiro. Parecia um anjo, o mesmo anjo que ele havia perdido e que, por alguma razão divina, agora repousava ao seu lado.

Estendendo a mão devagar, com medo de despertá-la, afastou uma mecha de cabelo que caía sobre o rosto dela. Ao tocar aquela pele delicada, sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo. Sorriu, sem conseguir evitar.

— Se isso for um sonho… — murmurou baixinho, quase num sussurro. — Que eu nunca acorde.

Fechou os olhos por um instante, sentindo a respiração dela se misturar à sua, e um sorriso involuntário surgiu em seus lábios. Era impossível conter a felicidade que o invadia por tê-la novamente ali, tão perto, tão dele. No entanto, o som abafado do celular vibrando sobre a mesinha de cabeceira quebrou o silêncio do quarto.

O coração dele deu um salto. Rapidamente, se levantou, temendo que o barulho a despertasse. Pegou o aparelho e apertou o botão para silenciar, mas, ao ver o nome que aparecia na tela, sabia que não poderia ignorar.

Pai.

Por um momento, ficou paralisado, apenas observando a tela acesa em sua mão. Se fosse Tom, seria fácil ignorar, mas o pai era outra história. Oliver com certeza já havia visto as manchetes do coquetel e, pior, devia estar se perguntando por que o próprio filho não o convidou para um evento de tamanha importância.

Suspirando pesado, passou a mão pelos cabelos, olhou de relance para Catarina, ainda dormindo serenamente, e decidiu sair do quarto.

Quando já estava longe do quarto, percebeu que o celular havia parado de tocar. Ainda assim, sabia muito bem que ignorar aquela ligação só pioraria as coisas. Se não retornasse, Oliver seria perfeitamente capaz de aparecer ali pessoalmente e essa era a última situação que ele queria enfrentar naquele momento.

Respirou fundo, desbloqueou a tela e retornou a ligação. Não precisou esperar muito: o pai atendeu quase de imediato.

— Henri, filho… você está bem? — foi a primeira coisa que ouviu, dita com uma mistura de preocupação e reprovação.

Ele fechou os olhos por um segundo, tentando manter a voz calma.

— Olá, pai. Estou sim, obrigado por perguntar.

Do outro lado da linha, Oliver permaneceu em silêncio por alguns instantes. Henri pôde imaginar perfeitamente o pai passando a mão pelo queixo, medindo as palavras, tentando conter a irritação.

— Fico feliz que esteja bem — começou. — Mas há algo que eu realmente não consigo entender. Por que não fomos informados sobre o coquetel de inauguração do resort?

Engolindo em seco, apoiou a mão na parede enquanto caminhava até a varanda.

— Pai, eu… — começou, hesitando. — Não foi por mal. As coisas ficaram confusas demais nesses últimos dias e eu não queria incomodar vocês.

— Incomodar? — repetiu Oliver, num tom mais firme. — Henri, desde quando as coisas que acontecem com você são um incômodo para nós? — disse nervoso, mas sem agressividade. — Você é nosso filho, e tudo o que diz respeito a você nos importa. Seja bom ou ruim, queremos estar presentes, compartilhar suas conquistas, dividir o peso dos seus erros. É isso que uma família faz, filho.

Henri fechou os olhos, sentindo o peso daquelas palavras ecoar dentro de si.

— Eu sei, pai… — respondeu em tom baixo, sentindo o arrependimento.

Ficou um instante em silêncio, olhando para o horizonte pela varanda. Sabia que havia vacilado. O coquetel havia sido uma ocasião importante, um marco em sua trajetória, e ele simplesmente os deixou de fora.

— Eu devia ter avisado vocês — admitiu, passando a mão pela nuca. — Foi um erro meu.

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