Deitado na cama, Henri permanecia desperto, incapaz de tirar os olhos de Catarina. A luz que entrava pela janela desenhava sombras delicadas sobre o rosto dela, e ele a observava como quem contemplava algo raro, precioso.
Ela dormia tranquila, com o semblante sereno, seus lábios estavam entreabertos em um leve suspiro. Parecia um anjo, o mesmo anjo que ele havia perdido e que, por alguma razão divina, agora repousava ao seu lado.
Estendendo a mão devagar, com medo de despertá-la, afastou uma mecha de cabelo que caía sobre o rosto dela. Ao tocar aquela pele delicada, sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo. Sorriu, sem conseguir evitar.
— Se isso for um sonho… — murmurou baixinho, quase num sussurro. — Que eu nunca acorde.
Fechou os olhos por um instante, sentindo a respiração dela se misturar à sua, e um sorriso involuntário surgiu em seus lábios. Era impossível conter a felicidade que o invadia por tê-la novamente ali, tão perto, tão dele. No entanto, o som abafado do celular vibrando sobre a mesinha de cabeceira quebrou o silêncio do quarto.
O coração dele deu um salto. Rapidamente, se levantou, temendo que o barulho a despertasse. Pegou o aparelho e apertou o botão para silenciar, mas, ao ver o nome que aparecia na tela, sabia que não poderia ignorar.
Pai.
Por um momento, ficou paralisado, apenas observando a tela acesa em sua mão. Se fosse Tom, seria fácil ignorar, mas o pai era outra história. Oliver com certeza já havia visto as manchetes do coquetel e, pior, devia estar se perguntando por que o próprio filho não o convidou para um evento de tamanha importância.
Suspirando pesado, passou a mão pelos cabelos, olhou de relance para Catarina, ainda dormindo serenamente, e decidiu sair do quarto.
Quando já estava longe do quarto, percebeu que o celular havia parado de tocar. Ainda assim, sabia muito bem que ignorar aquela ligação só pioraria as coisas. Se não retornasse, Oliver seria perfeitamente capaz de aparecer ali pessoalmente e essa era a última situação que ele queria enfrentar naquele momento.
Respirou fundo, desbloqueou a tela e retornou a ligação. Não precisou esperar muito: o pai atendeu quase de imediato.
— Henri, filho… você está bem? — foi a primeira coisa que ouviu, dita com uma mistura de preocupação e reprovação.
Ele fechou os olhos por um segundo, tentando manter a voz calma.
— Olá, pai. Estou sim, obrigado por perguntar.
Do outro lado da linha, Oliver permaneceu em silêncio por alguns instantes. Henri pôde imaginar perfeitamente o pai passando a mão pelo queixo, medindo as palavras, tentando conter a irritação.
— Fico feliz que esteja bem — começou. — Mas há algo que eu realmente não consigo entender. Por que não fomos informados sobre o coquetel de inauguração do resort?
Engolindo em seco, apoiou a mão na parede enquanto caminhava até a varanda.
— Pai, eu… — começou, hesitando. — Não foi por mal. As coisas ficaram confusas demais nesses últimos dias e eu não queria incomodar vocês.
— Incomodar? — repetiu Oliver, num tom mais firme. — Henri, desde quando as coisas que acontecem com você são um incômodo para nós? — disse nervoso, mas sem agressividade. — Você é nosso filho, e tudo o que diz respeito a você nos importa. Seja bom ou ruim, queremos estar presentes, compartilhar suas conquistas, dividir o peso dos seus erros. É isso que uma família faz, filho.
Henri fechou os olhos, sentindo o peso daquelas palavras ecoar dentro de si.
— Eu sei, pai… — respondeu em tom baixo, sentindo o arrependimento.
Ficou um instante em silêncio, olhando para o horizonte pela varanda. Sabia que havia vacilado. O coquetel havia sido uma ocasião importante, um marco em sua trajetória, e ele simplesmente os deixou de fora.
— Eu devia ter avisado vocês — admitiu, passando a mão pela nuca. — Foi um erro meu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...