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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 406

Depois de quase passar o dia todo ao lado de Catarina, Henri decidiu levá-la para casa. O sol já se punha no horizonte, tingindo o céu de tons alaranjados que refletiam no rosto dela, sereno e cansado. No entanto, antes de deixá-la em casa, ele teve uma preocupação: não queria que os tios dela a vissem chegando daquela forma, com a camisa dele ainda sobre o corpo.

Enquanto dirigia, desviou o olhar por um instante para ela e sorriu.

— Acho que precisamos dar um jeitinho antes de te deixar em casa — comentou, com leveza.

Catarina o olhou, curiosa.

— O que quer dizer com isso?

— Quero dizer que, se seus tios te verem usando uma camisa masculina, vão me odiar antes mesmo de me conhecer — respondeu, divertido.

Ela riu, um riso discreto, mas sincero.

— Acho que você tem razão.

Henri então fez uma curva e estacionou o veículo diante de uma pequena loja de roupas.

— Espere aqui um instante. — Saiu do carro, mas ela o chamou:

— Henri, não precisa fazer isso…

Ele se inclinou pela janela e respondeu com um sorriso.

— Eu quero. E não aceito um não dessa vez.

Poucos minutos depois, voltou com algumas sacolas nas mãos.

— Pronto, problema resolvido — disse, entregando-as a ela.

— Por que tantas sacolas? — ela perguntou, arqueando as sobrancelhas, surpresa com a quantidade de pacotes que ele lhe entregou.

Ele deu um sorriso leve e entrou no carro.

— Eu me empolguei um pouco — respondeu, com um ar divertido.

Incrédula, ela o observou por alguns segundos, mas o sorriso dele era tão genuíno que não teve coragem de protestar. Suspirou, balançando a cabeça.

— Você realmente não tem jeito.

— Eu sei — respondeu ele, rindo.

Mesmo querendo reclamar, Catarina apenas assentiu. Não havia espaço para aborrecimentos naquele momento. O clima entre eles estava leve, cheio de uma serenidade que há muito tempo não experimentavam.

Enquanto o carro seguia pela estrada, ela olhou pela janela, observando a paisagem que passava lentamente. Sentia o coração aquecido, não apenas pelas roupas novas ou pelo gesto atencioso, mas por algo muito mais simples e profundo: a sensação de estar recomeçando, e de que, dessa vez, talvez tudo pudesse ser diferente.

Quando estavam quase chegando em casa, Catarina abriu uma das sacolas ali mesmo no carro e retirou um dos vestidos que Henri havia comprado. Olhou o tecido com atenção; leve, macio, delicado e, sem pensar muito, decidiu vesti-lo. Alguns minutos depois, ajeitou o cinto fino na cintura e se olhou pelo reflexo da janela. O vestido lhe caía perfeitamente.

— Parece que você sabia o meu tamanho — brincou, virando-se para ele com um meio sorriso.

Ele lançou-lhe um olhar rápido e respondeu, num tom calmo:

— Eu sei a medida de cada curva do seu corpo.

A resposta a deixou completamente sem graça; por sentir o rosto arder, virou o olhar para a janela e tentou conter o sorriso que insistia em aparecer.

O carro seguiu em silêncio por alguns segundos. Ela se encostou no banco e suspirou, observando o entardecer pelas ruas da cidade. Tudo estava tão certo, tão tranquilo, que parecia impossível ser real.

Mas era.

E, naquele instante, mais do que nunca, desejou que aquele momento simples e perfeito durasse para sempre.

Quando chegaram, ele estacionou o carro em frente à casa dela.

— Obrigada por tudo — disse ela, abrindo a porta do carro. — Por me proteger… e por me tratar como alguém que importa.

Quando ela estava prestes a entrar em casa, percebeu que Henri também havia descido do carro. Ele deu a volta e se aproximou, com as mãos nos bolsos e aquele olhar decidido que ela conhecia bem.

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