Os olhos de Alessandro, tio de Catarina, buscavam nela qualquer sinal de hesitação, algo que desmentisse o que acabara de ouvir. Mas Catarina permaneceu imóvel, segurando o olhar do tio, mesmo sentindo o coração apertar.
— Eu sei o que está pensando, tio... — começou, com calma. — Mas as coisas não são mais como antes.
Ele balançou a cabeça, incrédulo, passando a mão pelos cabelos como quem tentava afastar um pensamento absurdo.
— Não são como antes? — repetiu, com um tom de ironia. — Esse homem te fez sofrer, Catarina! E agora volta aqui, na minha casa, como se nada tivesse acontecido?
Ela respirou fundo, lutando para não deixar a voz vacilar.
— Eu não voltei para o mesmo homem, tio. Voltei para alguém que mudou.
Notando que o homem não pareceu aceitar bem a notícia, Henri se adiantou.
— Entendo sua raiva, senhor — disse, com a voz controlada. — E, acredite, eu mereço boa parte dela.
O tio deu uma risada curta e amarga.
— Boa parte? Eu devia te pôr para fora dessa casa agora mesmo!
Catarina se colocou entre os dois, com o coração disparado.
— Tio, por favor! Ele não veio aqui para isso!
— O senhor tem todo o direito de me odiar, mas eu vim aqui porque quero fazer as coisas do jeito certo desta vez. Vim porque amo a sua sobrinha e porque quero que o senhor saiba disso.
O tio, ainda ofegante, olhou da sobrinha para Henri e, por um momento, pareceu indeciso entre a raiva e a dúvida.
— Podemos conversar um momento a sós? — pediu Alessandro, dirigindo-se à sobrinha.
— Claro — ela respondeu, um pouco apreensiva.
Os dois caminharam até o quintal, onde o vento leve balançava as folhas das árvores e o som distante da vizinhança parecia desaparecer. Assim que ficaram a sós, Alessandro parou e a olhou nos olhos, com uma expressão de quem pensava nas palavras antes de dizê-las.
— Catarina, você sabe que eu não sou do tipo que se mete na sua vida, muito menos nas suas decisões — começou, calmo, porém preocupado.
Ela assentiu, com um pequeno sorriso.
— Eu sei, tio.
— Só que eu me lembro muito bem de como você chegou aqui há alguns meses — continuou ele, com o olhar se tornando mais sério. — Estava abatida, triste, sem rumo... quase irreconhecível.
Ela baixou os olhos por um instante, lembrando do quanto aquele período havia sido difícil.
— Sim, eu sei...
— Agora que te vejo melhorando, retomando a vontade de viver, não quero que nada te faça voltar àquele estado — disse ele, cruzando os braços. — Entende o que quero dizer?
Ela respirou fundo e o encarou com doçura.
— Eu entendo, tio. Mas pode ficar tranquilo, eu não vou ficar assim de novo.
Alessandro a observou por um instante, tentando ler nas expressões dela se aquelas palavras vinham do coração ou apenas da vontade de acreditar.
— Tem certeza de que esse rapaz mudou mesmo? — perguntou, com uma ponta de hesitação.
— Tenho, sim — respondeu sem vacilar. — Eu vi nos olhos dele, tio. E dessa vez... eu senti que era verdadeiro.
O homem ficou em silêncio por um instante, depois suspirou e passou a mão pelo ombro dela com carinho.
— Então espero que esteja certa, Catarina. Porque, se ele te magoar de novo, não sei do que sou capaz.
Ela sorriu de leve, emocionada com o cuidado dele, e respondeu:
— Eu sei. Mas dessa vez, vai ser diferente. Eu prometo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...