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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 407

Os olhos de Alessandro, tio de Catarina, buscavam nela qualquer sinal de hesitação, algo que desmentisse o que acabara de ouvir. Mas Catarina permaneceu imóvel, segurando o olhar do tio, mesmo sentindo o coração apertar.

— Eu sei o que está pensando, tio... — começou, com calma. — Mas as coisas não são mais como antes.

Ele balançou a cabeça, incrédulo, passando a mão pelos cabelos como quem tentava afastar um pensamento absurdo.

— Não são como antes? — repetiu, com um tom de ironia. — Esse homem te fez sofrer, Catarina! E agora volta aqui, na minha casa, como se nada tivesse acontecido?

Ela respirou fundo, lutando para não deixar a voz vacilar.

— Eu não voltei para o mesmo homem, tio. Voltei para alguém que mudou.

Notando que o homem não pareceu aceitar bem a notícia, Henri se adiantou.

— Entendo sua raiva, senhor — disse, com a voz controlada. — E, acredite, eu mereço boa parte dela.

O tio deu uma risada curta e amarga.

— Boa parte? Eu devia te pôr para fora dessa casa agora mesmo!

Catarina se colocou entre os dois, com o coração disparado.

— Tio, por favor! Ele não veio aqui para isso!

— O senhor tem todo o direito de me odiar, mas eu vim aqui porque quero fazer as coisas do jeito certo desta vez. Vim porque amo a sua sobrinha e porque quero que o senhor saiba disso.

O tio, ainda ofegante, olhou da sobrinha para Henri e, por um momento, pareceu indeciso entre a raiva e a dúvida.

— Podemos conversar um momento a sós? — pediu Alessandro, dirigindo-se à sobrinha.

— Claro — ela respondeu, um pouco apreensiva.

Os dois caminharam até o quintal, onde o vento leve balançava as folhas das árvores e o som distante da vizinhança parecia desaparecer. Assim que ficaram a sós, Alessandro parou e a olhou nos olhos, com uma expressão de quem pensava nas palavras antes de dizê-las.

— Catarina, você sabe que eu não sou do tipo que se mete na sua vida, muito menos nas suas decisões — começou, calmo, porém preocupado.

Ela assentiu, com um pequeno sorriso.

— Eu sei, tio.

— Só que eu me lembro muito bem de como você chegou aqui há alguns meses — continuou ele, com o olhar se tornando mais sério. — Estava abatida, triste, sem rumo... quase irreconhecível.

Ela baixou os olhos por um instante, lembrando do quanto aquele período havia sido difícil.

— Sim, eu sei...

— Agora que te vejo melhorando, retomando a vontade de viver, não quero que nada te faça voltar àquele estado — disse ele, cruzando os braços. — Entende o que quero dizer?

Ela respirou fundo e o encarou com doçura.

— Eu entendo, tio. Mas pode ficar tranquilo, eu não vou ficar assim de novo.

Alessandro a observou por um instante, tentando ler nas expressões dela se aquelas palavras vinham do coração ou apenas da vontade de acreditar.

— Tem certeza de que esse rapaz mudou mesmo? — perguntou, com uma ponta de hesitação.

— Tenho, sim — respondeu sem vacilar. — Eu vi nos olhos dele, tio. E dessa vez... eu senti que era verdadeiro.

O homem ficou em silêncio por um instante, depois suspirou e passou a mão pelo ombro dela com carinho.

— Então espero que esteja certa, Catarina. Porque, se ele te magoar de novo, não sei do que sou capaz.

Ela sorriu de leve, emocionada com o cuidado dele, e respondeu:

— Eu sei. Mas dessa vez, vai ser diferente. Eu prometo.

— Sente-se, rapaz — disse com um tom mais descontraído.

Henri obedeceu e se acomodou, ainda um pouco tenso. Alessandro esperou alguns segundos antes de se sentar também, apoiando os cotovelos nos joelhos e entrelaçando os dedos.

— Me diz uma coisa — começou, olhando-o nos olhos. — O pai da Catarina sabe que vocês dois voltaram?

— Não, senhor... ainda não.

Alessandro arqueou as sobrancelhas, o semblante imediatamente ficou mais sério.

— E quando pretende contar a ele?

— O mais rápido possível — respondeu, com sinceridade. — Mas não quero fazer isso por telefone. Quero conversar com o Damião pessoalmente.

O tio de Catarina cruzou os braços e assentiu lentamente, pensativo.

— É o certo a se fazer depois de tudo o que aconteceu.

— Vou me organizar com a Catarina para fazermos uma viagem a São Caetano em breve.

— Você vai precisar se planejar bem — alertou Alessandro. — A Catarina começou a trabalhar há pouco tempo, e tirar uma folga agora pode não ser tão simples.

Mantendo a calma, ele respondeu com um leve sorriso.

— Quanto a isso, o senhor pode ficar tranquilo. Posso liberar a Catarina quando ela quiser.

— Como é que é? — perguntou o homem, franzindo o cenho, confuso.

— Acho que ela ainda não comentou com vocês, mas o resort onde está trabalhando pertence a mim e a um amigo meu.

O olhar de Alessandro se arregalou em surpresa, claramente sem saber o que dizer diante daquela revelação.

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