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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 410

Com o passar do tempo, o ambiente no resort se transformou completamente. O peso dos primeiros dias, cheio de desconfianças e ressentimentos, foi dando lugar a algo mais leve, quase familiar. Catarina e Tom, antes marcados por um constrangimento silencioso, conseguiram estabelecer uma convivência respeitosa. Com o tempo, até as conversas entre eles fluíam com naturalidade, trocas breves sobre o trabalho, algumas risadas ocasionais, e nada mais.

A chegada constante de novos hóspedes trouxe uma energia vibrante ao Cabanna Resort. Pessoas de diferentes partes do mundo enchiam os corredores de sotaques e histórias, e Catarina se mostrava cada vez mais envolvida nas tarefas do dia a dia. Henri, sempre por perto, observava com orgulho o quanto ela crescia em seu papel.

Os meses passaram num piscar de olhos, e o relacionamento deles se tornava cada vez mais sólido. Havia cumplicidade, carinho e o tipo de amor maduro que nasce depois de muita dor e aprendizado. Ainda assim, algo o inquietava. Henri sabia que havia um assunto pendente, um passo importante que ele vinha adiando.

Numa noite calma, enquanto dirigia com Catarina ao seu lado, ele quebrou o silêncio:

— O Natal está chegando — disse, lançando-lhe um olhar rápido e significativo.

Ela sorriu, observando a movimentação das luzes da cidade pela janela.

— Sim… e o resort está ficando uma loucura. Mal consigo dar conta de tudo — respondeu, rindo.

Ele assentiu, mas o sorriso dele era diferente. Tinha um toque de seriedade.

— Catarina, acho que está na hora de eu conversar com os seus pais — disse, enfim.

Ela se virou para ele, surpresa, e o olhar revelou um pouco de nervosismo.

— Podemos ligar para eles quando você quiser — sugeriu ela, tentando buscar uma solução mais simples.

— Não quero fazer isso por ligação — respondeu ele, balançando a cabeça. — Uma conversa assim precisa ser pessoalmente, olhando nos olhos.

— Mas, amor… não teremos tempo agora — tentou ponderar.

Henri soltou um leve suspiro e apertou de leve a mão dela.

— Teremos, sim. Vamos viajar no Natal.

— Mas… e o trabalho? — insistiu ela, preocupada.

— O trabalho nunca vai acabar, Catarina. Ele sempre vai estar lá quando voltarmos — afirmou.

— Eu sei, mas… — começou a dizer, e ele a interrompeu com um sorriso tranquilo.

— O resort está em boas mãos. Temos ótimos funcionários e um gerente competente que pode resolver qualquer imprevisto. Se o Tom e eu viajarmos, nada vai desmoronar.

— Tem certeza disso? — perguntou, ainda receosa.

— Absoluta. Além disso, minha família me espera — disse, com um tom leve. — Se eu não for para São Caetano neste fim de ano, é bem capaz de minha mãe vir até aqui e me puxar pela orelha.

Ela riu, balançando a cabeça.

— Ela não faria isso.

— Você não a conhece — brincou, embora houvesse um toque de verdade na voz.

Mesmo entre risos, Catarina ficou pensativa. Sabia que ele falava sério. A verdade é que ela quase não conhecia a mãe dele, nem a família. O único contato que tivera com eles foi no dia do casamento… e, mesmo assim, tudo havia acontecido tão rápido, tão confuso, que mal teve tempo de conhecê-los de verdade.

— Tem razão, eu realmente não conheço nada sobre a sua mãe — disse ela, com um tom mais melancólico.

Henri percebeu a mudança sutil na voz dela e tentou aliviar o clima.

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