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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 416

Quando viu que Henri havia terminado de abrir o coração, Damião respirou fundo e decidiu, enfim, falar.

— Olha, rapaz… — começou, com a voz um pouco rouca. — Você sabe muito bem que, no começo, minhas impressões sobre você eram as melhores possíveis. Eu confiava em você. Confiava o suficiente para nunca hesitar em deixar a minha filha trabalhar ao seu lado.

Sentindo a culpa pesar no peito, Henri baixou levemente o olhar.

— Eu sei… — murmurou, sem graça.

Damião assentiu devagar.

— Pois é. Mas você quebrou a minha confiança de um jeito que eu jamais imaginaria. E não vou mentir… doeu. Doeu muito.

Respeitando cada palavra, Henri permaneceu em silêncio.

— No entanto… — continuou Damião, apertando os lábios antes de prosseguir — por mais que me custe admitir isso, eu sei que você não fez nada sozinho. Sei que a minha filha também estava de acordo com tudo. Mas, como pai… eu só pensei em defender a honra dela. Foi a única coisa que passou pela minha cabeça depois de tudo.

O silêncio se estendeu entre os dois por alguns segundos.

Damião respirou fundo, como se estivesse reunindo coragem para arrancar palavras que ficaram presas por muito tempo. O olhar dele, antes duro e desconfiado, suavizou um pouco enquanto encarava Henri.

— Escuta, rapaz… — começou. — Eu ainda tenho os meus medos. Não vou mentir para você. O que aconteceu no passado marcou a minha alma como pai. E não é fácil apagar isso, mas… — Damião continuou, olhando brevemente para a porta da casa, como se visse Catarina ali — se a minha filha está disposta a voltar para você… é porque ela sabe o que está fazendo. A Catarina não é mais uma menina, e depois de tudo o que passou…

Ele engoliu em seco, a voz embargava só de lembrar.

— Depois de vê-la quase perder a vida por conta da minha ignorância… eu entendi que não posso e nem vou me meter mais nas escolhas dela.

Aquilo era tudo o que Henri queria ouvir.

— Se ela escolheu você… — Damião completou, voltando o olhar sincero para ele — então eu vou aceitar. Não porque é fácil. Mas porque é o certo.

Um silêncio pesado, porém estranhamente calmo, pairou entre os dois.

Então Damião deu um passo à frente, ficando frente a frente com o rapaz.

— Mas eu só te peço uma coisa, Henri. — A voz agora tinha o peso de um aviso paterno. — Seja homem de verdade. Respeite a minha filha como ela merece. Cuide dela, proteja-a… e trate a Catarina do jeito que um homem decente deve tratar a mulher que ama.

Sem hesitar, Henri sustentou o olhar.

— Pode deixar, senhor — respondeu com perseverança. — É exatamente isso que eu pretendo fazer. E vou provar isso todos os dias, até o senhor acreditar em mim sem medo algum.

— Agora que estamos resolvidos, é melhor entrarmos — Damião disse, com a voz muito mais calma do que antes. — Aposto que as duas estão lá dentro aflitas para saber o que estamos conversando.

Henri deu um leve sorriso e assentiu.

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