Quando viu que Henri havia terminado de abrir o coração, Damião respirou fundo e decidiu, enfim, falar.
— Olha, rapaz… — começou, com a voz um pouco rouca. — Você sabe muito bem que, no começo, minhas impressões sobre você eram as melhores possíveis. Eu confiava em você. Confiava o suficiente para nunca hesitar em deixar a minha filha trabalhar ao seu lado.
Sentindo a culpa pesar no peito, Henri baixou levemente o olhar.
— Eu sei… — murmurou, sem graça.
Damião assentiu devagar.
— Pois é. Mas você quebrou a minha confiança de um jeito que eu jamais imaginaria. E não vou mentir… doeu. Doeu muito.
Respeitando cada palavra, Henri permaneceu em silêncio.
— No entanto… — continuou Damião, apertando os lábios antes de prosseguir — por mais que me custe admitir isso, eu sei que você não fez nada sozinho. Sei que a minha filha também estava de acordo com tudo. Mas, como pai… eu só pensei em defender a honra dela. Foi a única coisa que passou pela minha cabeça depois de tudo.
O silêncio se estendeu entre os dois por alguns segundos.
Damião respirou fundo, como se estivesse reunindo coragem para arrancar palavras que ficaram presas por muito tempo. O olhar dele, antes duro e desconfiado, suavizou um pouco enquanto encarava Henri.
— Escuta, rapaz… — começou. — Eu ainda tenho os meus medos. Não vou mentir para você. O que aconteceu no passado marcou a minha alma como pai. E não é fácil apagar isso, mas… — Damião continuou, olhando brevemente para a porta da casa, como se visse Catarina ali — se a minha filha está disposta a voltar para você… é porque ela sabe o que está fazendo. A Catarina não é mais uma menina, e depois de tudo o que passou…
Ele engoliu em seco, a voz embargava só de lembrar.
— Depois de vê-la quase perder a vida por conta da minha ignorância… eu entendi que não posso e nem vou me meter mais nas escolhas dela.
Aquilo era tudo o que Henri queria ouvir.
— Se ela escolheu você… — Damião completou, voltando o olhar sincero para ele — então eu vou aceitar. Não porque é fácil. Mas porque é o certo.
Um silêncio pesado, porém estranhamente calmo, pairou entre os dois.
Então Damião deu um passo à frente, ficando frente a frente com o rapaz.
— Mas eu só te peço uma coisa, Henri. — A voz agora tinha o peso de um aviso paterno. — Seja homem de verdade. Respeite a minha filha como ela merece. Cuide dela, proteja-a… e trate a Catarina do jeito que um homem decente deve tratar a mulher que ama.
Sem hesitar, Henri sustentou o olhar.
— Pode deixar, senhor — respondeu com perseverança. — É exatamente isso que eu pretendo fazer. E vou provar isso todos os dias, até o senhor acreditar em mim sem medo algum.
— Agora que estamos resolvidos, é melhor entrarmos — Damião disse, com a voz muito mais calma do que antes. — Aposto que as duas estão lá dentro aflitas para saber o que estamos conversando.
Henri deu um leve sorriso e assentiu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...